quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Vestibular e Latim

No curso de Letras,  estudei Latim por 4 anos e ainda Literatura Latina. Foi um grande curso. Até hoje,  ainda uso muito do que aprendi, inclusive porque após esse curso ainda cursei Direito, onde expressões em Latim passeiam frequentemente pela doutrina e  processos.
Estudar Latim não era o problema, o professor era super animado e bem divertido, a dificuldade estava em memorizar as cinco desinências. Na época, escrevi as desinências em fichas que ia colando nos espelhos do banheiro e do meu quarto. Jovem vaidosa que eu era, cada vez que olhava o espelho, e isso ocorria com grande frequência, dava uma lida nas fichas. Bem, confessarei minha idade ao afirmar que não havia post-it nessa época.
Nas vésperas das provas, fixava também, na cabeceira da cama, e lia constantemente. Essa frequência  garantiu-me muitos  “ dez “ em Latim.
Voltei a lembrar destes tempos, pois ao entrar no banheiro de meu filho vestibulando, deparei-me com várias fichas com fórmulas. Não é que ele ouviu o que eu dizia quando ele era pequeno?
O objetivo deste texto, é despertar em você, o interesse e o desenvolvimento de técnicas que facilitem a aprendizagem. Descubra-se,  analise seus métodos, o que funciona ou não, tentativa e erro. Porém, vou lembrá-los que nosso cérebro memoriza aquilo que ele já viu pelo menos duas vezes, então faz –se necessário, estudar, reler e aplicar.
Algumas pessoas aprendem melhor ouvindo, então grave e escute a si mesmo, assista vídeo-aulas e jamais perca uma aula presencial. Outros; todavia,  aprendem melhor escrevendo e ainda há os que fazem tudo isso junto.  Portanto, não poupe  chances de passar cadernos e anotações a limpo, fazer resumos e re-escrever a matéria. Descubra-se!

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domingo, 23 de outubro de 2016

Conversa com bebês

Catherine Shaw (1995) e outros pesquisadores têm estudado os efeitos da maneira como os pais falam com os filhos na aquisição da linguagem. Pesquisadores observaram, que em família, os adultos tendem a modificar a maneira como falam ao dirigir-se às crianças. Este discurso é caracterizado por um ritmo mais lento, intonação mais pausada, tom de voz mais alto, sentenças curtas, repetição constante e paráfrases.
Este estudo demonstrou que essa atitude em relação ao aprendizado da língua não é igual em todos os grupos sociais. Em algumas sociedades, os adultos não interagem  com crianças em termos de estabelecer diálogos. Em certos grupos na África, espera-se que a criança apenas observe  e ouça. Crianças não são motivadas a participar de conversas até que tenham desenvolvido habilidades verbais.
Apesar dessas diferenças inerentes a cada cultura ou  grupo sócio-econômico ou cultural,  em toda sociedade as crianças estão em situações nas quais escutam a língua em um ambiente  contextualizado e adquirem competência na comunidade linguística a que pertencem. Por isso, é difícil julgar o efeito causado pelas modificações no discurso direcionada a crianças.
Fonte How languages are learned by Patsy M. Lightbown and Nina Spada

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Medo? Medo de quê?

Frente ao medo que os filhos demonstram, muitos pais tendem a menosprezar o sentimento das crianças. Na verdade, especialistas recomendam que os pais confortem com paciência e serenidade. Os medos mais comuns são do escuro, de monstros, de palhaços e do barulho de bolas de gás estourando.
Lembro-me ainda do meu irmão, com muito medo do escuro. Morávamos numa casa onde os interruptores de luz ficavam no alto, longe das mãozinhas das crianças menores. Para completar, é claro que meu pai fazia a campanha: ”Pensam que sou sócio da Light?” E com esse bordão, salas não utilizadas, estavam no escuro. Além disso, morar em casa, sempre é uma aventura, pois há cômodos fechados, portas que batem e madeira que estala. Tudo propiciando e favorecendo o crescimento deste medo. Ao meu irmão, restava contar com a minha boa vontade para acender as luzes. Infelizmente, nem sempre eu era assim solícita.
Por tudo isso que vivi de perto, preocupo-me com as crianças e a superação desses medos. Para auxiliá-las, leio histórias, escuto o que dizem e uso a técnica do Ridículo. Esta técnica, não se trata de ridicularizar a criança ou o medo infundado ou irracional. O objetivo é auxiliar a criança a superar o medo.
Mostro aos alunos a cena do filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, onde na aula de defesa contra as Artes das Trevas, o professor ensina o feitiço para superar o medo. Os alunos se divertem e ocasionalmente usam a técnica para superar os medos.
Fica a dica para uso em casa ou na escola:

https://www.youtube.com/watch?v=zAGBb9NYAiw

domingo, 2 de outubro de 2016

Minha vida de mãe de intercambista

Quando esta aventura começou, eu pensei que não conseguiria sobreviver a este ano. Ficar um ano longe do meu filho parecia impensável. Imaginei que sucumbiria em dois meses. Por que um ano? Seis meses seriam mais que suficientes. Ledo engano. Começo a achar que o período deveria ser de dois anos. Acredite em mim, mudei de ideia.
Após meses de documentos, planilhas, testes, entrevistas, o dia da partida chegou.
( veja: http://www.consideracoessobreeducacao.com.br/tecnica-para-nao-chorar-no-aeroporto/ )
Sempre sonhei com uma família grande. Eu era ainda adolescente já me imaginava com quatro filhos, queria uma mesa cheia de gente. Acabei tendo apenas dois, mas o programa de intercâmbio trouxe-me mais filhos. Oficialmente, recebi em minha casa um alemão, um mexicano e duas francesas. Mas, na verdade, meus fins de semana eram repletos de hóspedes fixos e eventuais. Hospedei intercambistas vindos dos mais variados países e distritos: turcos, mexicanos,italianos, tchecos, americanos, dinamarqueses, belgas.. Os vizinhos e amigos diziam que a ONU se reunia em casa.
O objetivo do Programa de Intercâmbio foi plenamente atingido, aprendemos a compreender a cultura de outros países e almejar a Paz no mundo pois criamos laços permanentes em todas as partes do mundo.


Enquanto nossos filhos biológicos estavam em intercâmbio, nós, mães, também vivemos o nosso intercâmbio, inclusive de filhos com o troca-troca de famílias hospedeiras. Definitivamente, foi um ano para aprender que as despedidas fazem parte da vida. Mas, também, criamos laços de amizade no Brasil e no exterior para toda a vida.

Carpe Diem: filosofia de um intercambista

Por que a vida de intercambista é tão especial?
Amigos,  viagens, baladas, aventuras, liberdade.  Tudo isso, além de aprender ou aperfeiçoar um idioma e aprender sobre a cultura de um país, parecem ser razões suficientes para sonhar com este ano especial. É um ano de tanto aprendizado, que é sempre usado como referência no CV para o resto da sua vida.
Na verdade, todo intercambista é digno de admiração. Largar seu país, seu lar, familiares e amigos e mudar  para um outro país, começar uma nova vida do zero. Para muitos, significa perder o ano escolar, inclusive.
Já se imaginou morando por um ano em uma outra casa com pessoas que você nunca viu antes em sua vida? E ainda por cima nem entendem o que você diz? Sem falar na viagem de horas, muitas vezes sozinho.
Tem que ter muita coragem mesmo!!!
E por que um ano? Antes de viver esta experiência, eu também achava que era tempo demais. Hoje vejo que é o período perfeito. É o tempo que a pessoa leva para dominar  fluentemente o idioma, não tropeçar nos costumes,  vivenciar um ciclo completo e desligar-se por completo do que ficou. Após este período chega o duro momento de voltar à realidade…o GAP year termina. Todavia, constrói-se  um gap year recheado de ensinamentos e experiências.
Muitas coisas boas  acontecem, porém coisas nem tão boas também acontecem. Incidentes,  desencontros, doenças, controvérsias, dificuldades de adaptação e um milhão de coisas corriqueiramente podem surgir. É assim que se fica independente e amadurecido. Um crescimento forçado e necessário.
Os valores sofrem ajustes e mudanças. Adquirem-se mais alguns, desenvolvem-se outros, estabelecem-se laços, desfazem – se outros. Também é um ano de reflexão.
Nesta reflexão, um intercambista  me explicou:
“Sabe porque este ano é tão intenso, especial e único? Porque sabemos que é só por um ano e cada vez que estamos cansados, desiludidos com saudades ou achamos que está muito difícil, lembramos que é só por um ano. Então, nos erguemos e vamos viver. Sem preguiça, sem medo..é só por um ano!”
Nada será novamente igual. A vida segue seu curso como sempre: as pessoas crescem, mudam, os intercambistas vão e vêm. Momentos que jamais se repetirão. Quando absorvemos a lição de que nada será igual novamente, passamos a viver mais o hoje e levamos em nossa memória e em nosso coração o aroma, o sabor das comidas típicas, as risadas, as palavras, o sorriso, as lágrimas, as músicas e as  centenas de histórias.
Fica a grande lição: CARPE DIEM.

Pra que ter um filho?

Meu filho era bem pequeno, talvez uns seis anos e me perguntou de chofre, ou seja sem rodeios,  “mãe , você teve filhos para te dizer aonde você estacionou o carro no estacionamento do shopping?”  Ri sem parar com essa colocação e fiquei pensando se ele teria noção do quanto custa ter e educar um filho. Sairia bem mais barato  andar de táxi toda a minha vida!!
Bem, Içami Tiba defende que os filhos devem se sentir parte da família  e  para que esse processo aconteça é necessário que cada membro da família tenha obrigações claras dentro da engrenagem familiar. Dentre as tarefas de meu filho, como fazer compras, cuidar de nossa cachorra e trocar lâmpadas, estava a de deletar as páginas e pastas que cismam em surgir todo dia em meu celular. A causa deve ser a tal  de geração espontânea que Darwin defendia. Este processo acontece em meu celular todo dia. Meu lindo filho, de vez em quando, pegava meu celular e fazia uma limpa.
Um tempo antes de partir, eu questionei-o sobre como eu faria depois que ele mudasse para o outro lado do Equador e do Greenwich. Muito prático, ele me respondeu “ pede para seus alunos ou para os intercambistas.”
Bem, restou-me rezar para que essa multiplicação cessasse naturalmente, porém isto não aconteceu nem com todas as minhas preces para Nossa Senhora protetora dos celulares e das mães abandonadas.
O resultado não foi positivo e rapidamente lá estavam as páginas surgindo em meu celular novamente. Pedi para uma amiga que não soube fazê-lo e me sugeriu que fosse à loja.
Decidida que não me deixaria vencer por uma página que ousa surgir sem ser convidada para assombrar meu celular, e um pouco de vergonha misturada com orgulho, comecei o caminho normal: tentativa  e erro. Após algumas tentativas seguidas de diversos erros, a Luz se fez e aprendi!! Sou até capaz de alterar o lugar dos ícones!!! Com certeza, ele voltará diferente, entretanto, encontrará também uma mãe diferente!
Aprendi que sou capaz de fazer muitas coisas sozinha. Mas, ainda não achei a receita para sentir menos saudade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Saudade de comida

Você já deve ter dado vários presentes de Dia das Crianças, Natal e aniversários, não é?
Meu filho está em  um programa de intercâmbio e me cobrou que queria o presente de dia das crianças. E qual não foi minha surpresa ao ler na mensagem do what´s app que ele queria guaraná de presente??? !!!!! Ele raramente  bebia guaraná!!!! E, ainda acrescentou, feijoada e café.  
O que não faz uma viagem….
Já sentiu saudades de um idioma? Eu já. Percebi que esse sentimento existia ao chegar no aeroporto no Brasil e ouvir as pessoas falando em português. Foi uma sensação tão gostosa! Eu já havia feito várias viagens, mas sempre em países onde a língua predominante é o inglês e, neste caso, sinto-me completamente à vontade, como primeira língua mesmo. Porém, após um período na Argentina, ouvir português foi um bálsamo.
Numa outra viagem, observei como meus companheiros de viagem sentiam tanta falta  da comida brasileira a ponto de procurar restaurantes brasileiros.
Particularmente, não sinto falta de gêneros alimentícios, mas do idioma, às vezes um pouco. Vontade de afeto e de expressar coisas que veem das entranhas,  bem visceral lá da época da gestação quando ouvíamos a voz de nossa mãe ainda dentro do útero materno.
Enquanto isso, vou caprichando no guaraná para meu filho intercambista e nas paçoquinhas, porque sei que ele também sentirá saudade desses itens quando voltar para a terra dele. Às vezes, intercalo com “ himbeeren” para que ele amenize a saudade de casa também.
Afinal, saudade é o amor que fica! E se temos saudade é porque vivemos e bem!!! Por isso, resta-nos agradecer é relembrar.

Como dar um up no seu cérebro?

Você quer mesmo evitar rotina e dar um up no seu cérebro? Receba intercambistas em casa.
Como dizem minhas amigas, minha casa é uma subsede da ONU. Mas, não pense que é sério e formal como o nome que a intitula. Na verdade, é despojada e divertida. Um dia nunca é igual ao outro..Às vezes, chegam cinco para o jantar, dormem oito em casa, mas apenas dois ou talvez até dez para o almoço….nunca se  sabe…tudo depende da programação.
O mais engraçado é meu cérebro fazendo ginástica entre as várias línguas. Preciso falar português para que eles aprendam, porém frequentemente preciso traduzir em inglês. Por vezes, me pegam distraída e a mensagem sai em outra língua ou em mais de uma ao mesmo tempo.
Esta semana enquanto  eu dirigia um jovem perguntou ao outro qual a diferença de fuso entre o país dele e o Brasil. Ele respondeu 3 horas e eu acrescentei: -“ Agora, because estamos em horário de verão. ” Ao me ouvir desatei a rir de minha frase bilíngue.
Num outro dia, recebo mensagem de meu filho dizendo que está em casa. Como eu estava na porta de casa, respondi escrevendo: -“Ish bin zuhause aussi.” Mais uma vez misturei alemão e francês.
Para completar, meu filho alemão me pergunta esta manhã – Mãe , você pode comprar isto para mim? E  já vai mostrando e perguntando  como se diz em português. Eu, por minha vez, que estava organizando algumas contas, olho para ele e não sei responder…só me ocorre a palavra em inglês…Então, ele sorri e pergunta para a irmã. Minha filha prontamente, sem pestanejar, responde “-Lâmina.” O pior é que ao elogiá-la e dizer como ela é inteligente, ela me responde; – Mãe, conheço minha própria língua.” Tomba-lhe como dizíamos quando criança.


Das duas uma, ou eu comprovo a teoria que falar mais de um idioma retarda o envelhecimento do cérebro ou o oposto….O futuro dirá..fiquem de olho!

Dois meses

Há dois meses, Jona Kaiser chegou ao Brasil, sorridente, um pouco tímido, mas com olhar meigo e curioso. Falando apenas “Obrigado” em português, iniciou sua jornada num país onde não apenas a língua, mas também o clima, a cultura, os esportes e a rotina seriam bem diferentes.
Frente a tantos desafios, sua voracidade de aprender e experimentar coisas novas foi expressa em inglês “Quero experimentar todas as frutas. Dizem que são deliciosas.”
Assim, de fruta em fruta, doce em doce, atividade em atividade, festa em festa, Jona foi aprendendo e, ao mesmo tempo revelando seu lado extrovertido, líder e muito do Bem.
Na verdade, meu filho disse que Jona passou seus primeiros dezesseis anos de vida, treinando para ser brasileiro, pois a pontualidade nunca foi seu ponto forte na Alemanha e aqui no Brasil ele está completamente à vontade com a flexibilidade de horário – para horror dos outros intercambistas.
Hoje, após dois meses, fala português surpreendentemente bem conjugando verbos, usando as preposições, escrevendo mensagens e, inclusive, falando ao telefone.
O melhor de tudo para mim, como host mother, foi ouvir em bom português: ”Em dois meses aqui, não tive nenhum dia ruim.”
Aquela máxima prevalece “Quando se inicia uma jornada pensando positivamente, o Universo conspira a favor.”

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

À terrra onde fores ter, faze como vires fazer.

Ir em um programa de intercâmbio não é “pros fracos não”,  o processo  exige além do teste de  conhecimentos gerais e de língua,  um zilhão de documentos que por si só já é desanimador. Na verdade, acaba sendo uma grande prova. Se você conseguir cumprir todas as exigências, não há dúvida de que superará qualquer empecilho.
Nestes termos,  meu filho resolveu “enfiar o  pé na jaca”, já que é pra ir em intercâmbio, porque não Taiwan, Coreia ou Índia? Imersão total em outra cultura.  Ninguém poderá afirmar com tanta propriedade que algo não é errado, apenas bem diferente e deve ser respeitado.
Em dois meses,  as etapas vão se sucedendo: dinheiro,  locomoção , amizades, comportamento e linguagem.
Com certeza, não irão parar por aí. Somos frutos de uma programação que foi iniciada ainda no ventre materno. Por isso, é difícil vencer alguns hábitos para assumir outros. Neste caso, para ajudar no processo, uma ferramenta importante é a observação. Olhar com atenção, como se comportam, agem, fazem, respondem. Este é o olhar que a criança tem por isso aprende rapidamente, pois observa atentamente e copia os gestos, trejeitos e palavras. Observe quanto tempo uma criança fica olhando um animal numa visita ao zoológico, por exemplo. Ela se  detém nas minúcias. Com o passar dos anos, vamos perdendo essa capacidade. E, hoje em dia, com os olhos sempre voltados para a tela perdemos mais ainda essa capacidade. Paralelamente, para contribuir ainda mais com essa desatenção aos detalhes que nos cercam, não há mais predadores prontos para nos atacar e nosso sistema cerebral primitivo está sendo modificado.
Após dois meses num outro país, o mínimo necessário para sobreviver já está internalizado, mas resta  torná-lo um hábito  e apreender as minúcias, pois a jornada está só começando. Uma jornada muito além de conhecer outros povos, trata-se de mergulhar para dentro de si mesmo rumo ao auto-conhecimento. Descobrir o que é característica sua ou de seu país, o que me leva a agir assim, porquê faço assim, e se é possível também fazer de outro jeito.
Quando você vem de uma família com uma mãe latina super atenciosa, carinhosa  e prestativa, pode ser o grito de independência ou o desespero. Será a hora  de aprender a sobreviver sozinho. O mais importante é manter a mente e o coração abertos para o novo sem julgamentos e acreditar que tudo dará certo, não importando o quanto pareça fadado ao fracasso.
Para encerrar, lembro-me de um provérbio português recitado constantemente por minha mãe para nos ensinar a importância do observar, aceitar e imitar: “À terra onde fores ter, faze o que vires fazer”. Assim, como imigrante, minha mãe falava de cátedra, com a experiência de quem viveu, sofreu, venceu e aprendeu.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Amor com amor se paga

A gente se esforça, tenta agradar  e o tiro sai pela culatra. Presenteei meu filho  intercambista com um gibi em português. Ele disse que será ótimo para aprender português. Mas, em contrapartida, me convida a fazer o mesmo com um gibi em alemão…OMG..Como sair desta sinuca?
Num outro momento, eu estou explicando que preposições são mais difíceis que verbos. Então, ele me pede para fazer um quadro e …Surpresa!!! Ele escreve em alemão e quer que eu aprenda.
Definitivamente, ele está decidido a me fazer aprender alemão. E tenho que confessar eu estou adorando estar sentindo o mesmo que meus alunos sentem. Queridos alunos, sintam-se vingados!!! Estou sendo vítima de meus próprios métodos!!!
A questão que não quer calar é: Será que terei que fazer redações também???
Existe em inglês um provérbio que diz “Where there´s a will, there is a way” que  numa tradução livre significa onde há  boa vontade, há um caminho. Podemos arrumar mil e uma desculpas para deixarmos  algo para depois ou não ajudarmos alguém. Por outro lado, simples atos podem transformar o dia de alguém. Por exemplo, meu filho está num intercâmbio em Taiwan. A host mother dele não fala português nem inglês e eu não falo mandarim. Mas, como onde há boa vontade, tudo se consegue, esta mãe encontrou uma forma de apaziguar meu coração de mãe. Ela me manda fotos, muitas fotos. Tudo o que ele faz, ela me passa por mensagem. Nunca nos falamos mas nos entendemos. Ou seja, quando o desejo é verdadeiro, achamos o caminho.
O Programa de intercâmbio do Rotary objetiva promover a Paz entre os povos.  E consegue. Pessoas e famílias que nunca se viram, de repente, choram juntas, riem, desabafam problemas, ajudam uns aos outros e criam laços afetivos. Um único intercambista transforma o grupo social que ficou e o que irá recebê-lo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Em intercâmbio

Como ensinava Alca de Sant`Anna, temos que estar alertas para perceber e diferenciar as mudanças de ciclo das mudanças de fases.
Neste momento, estou iniciando uma mudança de fase. Meu filho está indo morar em Taiwan por um ano e, em contrapartida, estou recebendo um novo filho em minha casa vindo da Alemanha.
Posso dizer com convicção que tem sido uma experiência gratificante e enriquecedora. De um lado, meu coração se contrai de saudade do filho que está partindo. De outro, meu coração, expande-se de alegria para receber meu novo filho que aterrissa no Brasil cheio de expectativas e os olhos brilhando de curiosidade.
Na qualidade de pesquisadora na área de Bilinguismo, meu cotidiano transformou-se num grande laboratório onde línguas, culturas e comportamentos são comparados e aprendidos. Muito tenho aprendido e compartilhado numa interação harmoniosa e alegre. Hoje meu lar está definitivamente globalizado com aspectos multiculturais e linguísticos. Todos amadurecemos e aprendemos nesta rica experiência. Como eu afirmei para a família alemã: somos famílias em intercâmbio e encaro esta experiência como um dos grandes presentes que recebi nesta vida.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As Histórias se repetem..

Um dia meu pai me contou porque veio para o Brasil e foi assim:
O professor disse para o pai dele, meu avô, que ele deveria ir estudar numa outra cidade, pois nada mais havia para ser ensinado no vilarejo onde eles moravam e que meu pai era muito bom. Meu avô respondeu que ele não precisava estudar pois tinha muita terra para arar. Após alguns anos naquela vida, meu pai disse para  uma amiga da mãe  que não gostava daquela vida de terra. Esta senhora  lhe  disse que se ele queria ir embora de Portugal, ela iria falar com a irmã de minha avó que morava no Brasil. E, assim, essa senhora, não só fez contato como  convenceu o marido a emprestar o dinheiro  para meu pai vir para o Brasil. Assim, meu pai, foi muito bem recebido pelo casal de tios e mandou o dinheiro da passagem de volta para esse senhor.
Ao ouvir essa história, entendi porque  meu pai sempre nos motivou tanto a estudar. Em casa, nunca houve economia para estudar. Não é a toa que eu e meu irmão  fizemos mais de uma faculdade e cursos de línguas, extensão e pós. Eu estudava inglês quando muitos poucos faziam. Meu irmão fez um dos primeiros cursos de computação que surgiram na região. Estudar era sempre primordial.


Continuei com esse hábito com meus filhos: livros, cursos, escolas, viagens, esportes, música…tudo de primeira, sem economia em educação. Hoje lá vai meu filho para o outro lado do mundo. Minha mãe dizia que as histórias se repetem em família. Talvez seja verdade. Meu filho parte em busca de conhecimento, experiências e claro, diversão! Afinal, nem só de pão vive o homem. Seja feliz meu filho!

sábado, 24 de setembro de 2016

Gravidez expressa em tempos modernos

Uma gestação muito rápida aproximadamente dois meses… nesta era de informática e tecnologia nem poderia ser diferente, tudo está muiiiito acelerado….receber a confirmação foi uma alegria..mas com tudo que tem direito: nervosismo, ansiedade, medo, preparação, muita alegria e emoção. Este período  foi agitadíssimo pois envolveu muita ação: diálogos, enxoval, decoração do quarto em suas minúcias de detalhes, reserva de matrícula na escola, planos para o futuro e correria. Assim, após este período recorde de gestação: ele surge! Felicidade  completa e ansiedade…querendo fazer tudo num único minuto! Lá veio ele sorrindo, sim não chegou chorando, mas sorrindo..só não falava..português..ainda!   Mas, o sorriso, definitivamente está no DNA da família..cada um dos meus filhos tem um sorriso que me quebra.. quase impossível dizer não. E este não foi diferente.
A sinergia foi tanta que tínhamos a impressão que ele sempre fez parte da família. Mas, como diz meu filho mais velho “ Filho de professora sofre!” Ele afirma isso porque a cobrança é grande. Estudar não é uma opção, sempre será uma obrigação. Nesta linha, o mais novo não foi exceção. Apesar do conselho de “Pegar leve”, o lado professora é mais forte.
O lado positivo é que a aprendizagem é bem mais rápida e flui naturalmente. Lista de palavras com figuras, colantes com as palavras por toda a casa, jogos, mensagens, notícias de jornal e muita vontade de aprender compõem um ótimo terreno para a aprendizagem. A imersão por si só não é suficiente, por isso um trabalho pedagógico constante acelera a aprendizagem sem deixar de mencionar a coragem de ousar e expor-se a erros e acertos sem medo de ser feliz!
É muito bom ser presenteada com um filho especialmente quando já vem crescido e  muito bem educado. Algumas pessoas me disseram  que a pior parte do intercâmbio é receber um estranho em casa. Eu sempre achei que essa seria a melhor parte  especialmente para quem fica. E tinha razão. Na verdade, acho que de estranho ele nunca teve nada. E aqueles que acham que a  mãe relaxa com o mais novo..estão redondamente enganados: continuo chata e exigente: onde vai, com quem vai, tantas horas em casa, vou buscar , vou levar, está chovendo, uns mimos pelo bom comportamento e  o meu famoso bordão: Juízo!!!!
É, acho que logo logo ele vai pedir divórcio de mãe!



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Técnica para não chorar no aeroporto

Se uma mãe normal costuma fazer um check list antes do filho sair de casa do tipo: está levando documentos, dinheiro, chave, celular e lembre-se de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua ou melhor lembre-se de tirar os olhos do celular antes de atravessar a rua, antes de uma viagem internacional, a lista de cuidados  torna-se exponencialmente superior.
Meu filho estava prestes a fazer uma viagem de um ano para  Taiwan.  Após um ano  de preparação entre exames de seleção e pilhas de documentos, finalmente chegou a semana do grande dia.
Para não fugir à regra, ele deixou para fazer a mala na véspera. Veja bem: ele não ia passar alguns dias fora…ele ia quase para outro planeta!! Eram 40 horas para chegar ao destino e por incrível que isso possa parecer, era também uma viagem no tempo..ele estaria sempre um dia na minha frente.
Além de todas aquelas recomendações típicas de mães, eu tinha uma lista bem maior..Fui desembaralhando papel por papel, organizando documentos, lista de itens importantes e cobrando “–Já desbloqueou o cartão? Guardou o dinheiro? Separou isto..comprou aquilo?” E a resposta com cara de enfado sempre vinha –“ Amanhã, mãe!”
Restou-me tentar confiar naquela cérebro  de TDAH ou simplesmente cabeça de vento como diria minha mãe e permanecer perguntando e lembrando. Antes de sair, mais uma checagem “_Filho, tem certeza que você está com a passagem e o passaporte?” E, com cara de fastio,  ele respondeu e mostrou “_Aqui, mãe!”
E lá fomos nós, após uma hora de viagem rumo ao aeroporto, o cara pergunta “_Mãe, você tà com o dinheiro, né?” E eu em desespero digo, “_Você tá brincando!! Claro que não!!!!” Como alguém vai para o outro lado do mundo e não leva dinheiro nem cartão????
Bem, foi  como diz o povo um pegapacapá, retornamos?, haverá tempo para não perder o voo? Voltamos ou não??? Desespero, ansiedade dor de barriga, suadouro e medo. Angústia e adrenalina a todo vapor.
Resumindo: um longo período de sofrimento. Finalmente, consegui vê-lo nos últimos segundos do check –in, entregando a mala e correndo para o portão..Que  felicidade!!Nunca vi uma mãe tão feliz e aliviada numa despedida como eu naquele momento. O sorriso dele ao atravessar o portão era hors concours, inigualável tanto quanto meu suspiro de alívio…”Deu tempo!!”
O pior de tudo isso foi ouvir três dias depois quando ele chegou ao destino: ”Mãe, você chorou?”  E, ao responder, “Para ser sincera, fiquei tão aliviada que deu tempo que nem chorei!!” E ele atrevidamente repete ”Essa minha  técnica foi infalível, não foi???
PQP, só se foi técnica para testar meu coração!! E sim passei no teste!! Pena que vou ter que esperar um ano para dar a surra que ele merece!!!




quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Por amar demais

Frente a um ano do outro lado do mundo num programa de intercâmbio, eu me preocupava com a bronquite e com as enxaquecas de meu filho. Em nenhum momento, temi a barreira da língua e da cultura. Sabia que com aquele jeito quieto e observador, ele venceria as barreiras. Afinal, eu sempre disse que podemos ter tudo o que realmente quisermos. E lá se foi, aquele moleque..quase para outro planeta...nem me surpreendi.. desde pequeno disse que queria voar.....eu sabia que seria assim...
Não basta querer, a gente tem que desejar, sonhar, e buscar os meios de conseguir..E, assim, meu “ bebê “, correu atrás de documentos, exames, estudos, conhecimento e aprendizado de língua e cultura...é bem difícil, mas cá entre nós, se fosse fácil, ele não ia querer.
Nós pais, se pudéssemos, colocaríamos nossos filhos numa redoma para que não sofressem. Entretanto,  se assim o fizéssemos não os estaríamos protegendo, mas impedindo que vivessem. Como disse Alca de Sant´Anna em uma das suas crônicas “ Só não se frustra quem não tem projetos existenciais e consequentemente permanece estagnado. É melhor uma lista de frustrações, por mais duras que sejam, do que uma página em branco, sem aspirações, atitudes, enfrentamentos.
Ao chegar em seu quarto, no seu novo mundo, na sua nova vida, me passou um what´s app com uma foto. Ele viu a mensagem que dizia “Se você está  feliz, eu também estou” e lembrou de mim! É isso aí, se você está feliz eu também estou. Amar é deixar que o ser amado parta para explorar “mares  nunca dantes navegados”, como poetizou Luis de Camões, mesmo que isso doa muito. Resta-me cantar como no Trovadorismo, as cantigas de amigo para aplacar a saudade. A história se repete como  na dos  meus antepassados,  e o sentimento misturado de amor, saudade e orgulho vão  fluindo em grande sinergia. Às vezes, parece fácil, outras vezes nem tanto. Mas, como dizia minha mãe ”a tudo se acostuma nessa vida”.