terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Controlando o inconsciente e aprendendo idiomas

Costumo dizer aos meus alunos que é necessário estudar 10 minutos todos os dias nas mais variadas formas de fazê-lo: ouvir músicas conscientemente, ver filmes, comerciais, ler, escrever, rever lições, vocabulário ou gramática. O mesmo conselho ofereço para meus filhos que estudam música, pois estes dez minutos ao dia, podem operar milagres. Uma vez vencida a preguiça, o ritmo de estudo é estabelecido e acaba ultrapassando os simples dez minutos diários.

Qualquer profissional de elite, seja jogador de futebol ou bailarina depende de anos de treino e dedicação para atingir o topo da carreira. Segundo a pesquisa do psicólogo Anders Ericsson da Universidade da Flórida, os alunos de uma das melhores escolas de música de Berlim, iniciavam os estudos de violino aos cinco anos no mesmo ritmo. Porém, aos oito as horas de ensaio variavam. Ao chegar aos 20 anos, os melhores violonistas haviam somado 10 mil horas de estudo contra 8 mil ou 4 mil horas dos demais.

Segundo um artigo da Revista Super Interessante de fevereiro de 2013, a prática fica gravada na memória não declarativa que faz parte do inconsciente. Esta parte da memória é a responsável por permitir que o violonista consiga tocar sem se preocupar em ler a partitura, equilibrar o instrumento, posicionar os ombros, mover o arco, respirar e tocar com emoção, embora de maneira natural e relaxada.

Na mesma linha, ocorre o aprendizado de um segundo idioma. A chave para aprender uma nova habilidade é dedicação, pois através do treino o inconsciente registra ações, sons e movimentos. Se dependêssemos apenas do consciente, ele não daria conta de analisar as situações, fazer a escolha do vocabulário e estrutura adequados para comunicar a mensagem.  Na mesma linha de pensamento, o neurologista Ran Hassin afirma que “o inconsciente é mais maleável que o consciente e para influenciá-lo  é necessário praticar até que se torne uma segunda natureza, ou seja que seja um processo automático.”
Por isso, a imersão que as escolas bilíngues propõem é eficiente no sentido de automatizar a utilização da segunda língua. Porém, isso não quer dizer que a dedicação ao estudo seja desnecessária por parte dos alunos. Lembrem-se dos alunos de violino, quanto maior a quantidade de horas de prática, melhor a performance.

Resumindo, não há milagres, há dedicação e recompensa!