quarta-feira, 12 de abril de 2017

Os 13 porquês



Ao invés de elencar as treze razões pelas quais você deve assistir  à série com seus filhos, reservo-me o direito de descrever o “ como” ao invés do porquê. Minha mãe foi criada pela tia na época em que as cartas eram a forma de comunicação utilizada. Minha mãe dizia que a tia lia todas as cartas que  ela, minha mãe, recebia,  porém não lia as que minha mãe enviava. Desta forma, ela sabia de tudo que se passava.
Seguindo este princípio, porém de uma forma menos  invasiva, sugiro que assistam os 13 porquês junto com seus filhos e conversem sobre isso. Debatendo esses fatos, ouvindo os exemplos e as opiniões colocados, os pais poderão ter um panorama da vida na escola de seus filhos. Aconselho que vejam os fatos  pelo prisma da imaturidade e do excesso de hormônios típicos dessa faixa etária. Evitem banalizar com frases do tipo: “ Que bobagem!” “ Precisava de tudo isso?” Daniel Goleman recomenda em seu livro Inteligência emocional os seguintes passos para uma conversa:
  1. Ouvir
  2. Validar sentimentos sem julgar
  3. Demonstrar compreensão
  4. Propor ações
Em casos de bullying, a parceria escola-família é fundamental. Não recomendo a leitura nem a série antes do ensino médio, há cenas e questões muito fortes, porém, tudo depende da maturidade e do momento que o adolescente está vivendo. De qualquer forma, a participação da família é essencial. Bom trabalho!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Madame Samovar e Zip

No filme a Bela e a Fera, foi impossível não sorrir ao ouvir Mrs Potts, ou Madame Samovar, dizer para seu filho Chip, ou Zip em português, "Nighty night". Sorri  porque essas palavras  são de fato muito comuns na maioria dos lares norte-americanos.
O discurso dirigido às crianças costuma ser, por muitos pais, modificado e caracteriza-se por um ritmo mais lento, um tom mais alto, entonação mais acentuada, sentenças mais simples, repetições constantes e ênfase nas palavras-chave. Além disso, os tópicos de conversação envolvem o meio ambiente, o aqui e agora ou experiências vividas. Durante a conversa, adultos normalmente repetem o que as crianças disseram, porém expandindo ou reeditando o que foi dito em sentenças gramaticalmente corretas. Por exemplo, quando em português a criança fala – Eu vi ela no parque.  A mãe repete corrigindo: - Ah, você a viu no parque.
Segundo pesquisa de Catherine Snow (1995) juntamente com outros pesquisadores, foi observado que esse uso mencionado acima ajuda a aprendizagem no sentido de que há uma interação ajustada ao nível de compreensão da criança. A repetição ou paráfrase vinda do adulto faz com que a criança se sinta compreendida.
Por tudo isso e mais algumas outras pesquisas, observou-se a importância dessa interação para aprendizagem da língua. A televisão obviamente não oferece essa comunicação mesmo nos programas infantis onde a linguagem também é mais simples e os tópicos relevantes para a idade.  Por outro lado, posteriormente, a televisão constituirá uma fonte de língua e cultura, porém não na fase inicial da aquisição de linguagem.

Source: Language Learning in early childhood by Patsy Lightbown and Nina Spada


sábado, 1 de abril de 2017

Alemanha e seus dialetos - origens

A Alemanha que conhecemos hoje surgiu num processo que se estendeu por vários séculos, e suas origens perdem-se no tempo. A palavra Deutschland (Alemanha) compõe-se de dois elementos: enquanto land significa terra, deutsch, que só apareceu no século VIII, designava inicialmente a língua falada na parte oriental do império dos francos, cujo  apogeu ocorreu no reinado de Carlos Magno.
Apesar desta longa existência, demorou muito para que os povos germânicos constituíssem uma única nação. Todo esse movimento unificador começou com a constituição do grande Estado franco e sua conversão ao cristianismo durante o reinado de Clóvis (481 a 511 d.C.), episódio que está ligado também à origem da França. Três séculos depois, após a morte de Carlos Magno (814 d.C.), o império começou a  desintegrar-se devido a partilhas sucessórias. Formou-se um império ocidental e um oriental – a fronteira política correspondia mais ou menos à fronteira linguística entre o alemão e o francês. E, mais uma vez, houve separação ao invés de união.
Aos poucos, os habitantes do império oriental iniciaram um processo de união. A palavra que a princípio designava a língua passou a qualificar o povo que a falava e, depois, a região por ele habitada: Deutschland. A partir desse momento, pode-se dizer que a Alemanha adquiriu uma história própria, no contexto da Europa centro-ocidental.
Apesar de territorialmente, começar a existir como um Estado, dentro da língua alemã foram mantidos vários regionalismos e dialetos tão característicos e únicos que, por vezes, parece que a Alemanha ainda é constituída por várias tribos ou estados independentes. Em alguns lugares, como na Bavária, o dialeto local é usado corriqueiramente, não apenas em casa como em outras regiões, transmitindo para quem a visita a ideia de ser outra língua. Os naturais da Região têm muito orgulho de seus costumes e língua, inclusive mantendo o ensino deste dialeto nas escolas. O que é considerado Alto Alemão é usado restritamente na região.
Neste caso, embora a raiz seja germânica, as diferenças são tantas que até parece tratar-se de outra língua mesmo.
Além da existência desses dialetos dentro das próprias fronteiras, o alemão ainda é falado na Suíça e na Bélgica com diferenças bem mais marcantes do que a diferença entre português de Portugal e do Brasil, por exemplo.
Toda esta riqueza linguística, treina o cérebro, os ouvidos e todo o aparelho fonador dos alemães para aprender línguas, pois praticamente convivem diariamente com pelo menos duas línguas: o dialeto em casa e o Alto alemão na convivência social.
Toda esta história, comprova que a crença de que o ensino bilíngue  pode atrapalhar ou atrasar a aprendizagem é apenas um mito.


sábado, 18 de março de 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Alsace: Alemanha ou França?



Quando você mora num país onde um monumento com cinquenta anos já é considerado uma antiguidade, caminhar pela ruas de Saverne, cidade que remonta   a era Romana, já, por si só,  é um assombro. Admirar o Chateau des Rohans construído no século XVIII pelo poderoso  clero de Strasbourg  em estilo  neoclássico e com as rochas  avermelhadas  típicas da região, significa viajar no tempo e perder-se em pensamentos e sonhos.
Senti-me flutuando entre um passado histórico  enquanto explorava as ruas da cidade. Para tornar esta viagem ainda mais charmosa, a família francesa que nos acolhia com tanto carinho, levou-nos  a um pub a noite  e num outro dia fomos a um festival  com música , comida e muita animação na praça pública. O frio foi eliminado ferozmente com muita risada, bebida, música e alegria. Conhecemos muitos dos moradores da cidade e entre o uso de francês, português e inglês , conseguimos nos comunicar bem.
Sempre adorei decoração de Natal e, se Saverne já me encantou, Strasbourg me conquistou irremediavelmente. É a capital de Alsace e localiza-se nas margens do Rio Reno na fronteira com a Alemanha. É considerada  patrimônio da Humanidade pela Unesco.
O centro histórico ao redor da Catedral é impressionante pela construção medieval da Maison Kammerzell, a primeira farmácia da França, as casas em estilo renascentista e as pontes sobre o Rio. Caminhando pelas ruas até brinquei “ Estou me sentindo na França!”
A fachada da Catedral em estilo gótico com as portas  em madeira trabalhada  com abundância de pequenos detalhes onde em baixo relevo vemos anjos, santos e flores. Por dentro, ela é
assombrosamente grande – na verdade a quinta maior do mundo, com colunas colossais que dividem o ambiente em três alas. A ala principal tem 38 metros e fazer aquele trajeto em silêncio proporciona uma Paz incrível. Os grandes vitrais datam do século XIV e o grande super blaster  relógio de 1487, com os doze apóstolos passando em frente a Jesus Cristo é de deixar qualquer um boquiaberto.
Ao sair da Catedral, passeamos mais uma vez pelas encantadoras ruas admirando as luzes de Natal e a arquitetura, dirigindo-nos para o chamado Mercadinho de Natal. Quando se está com um alemão e uma francesa, passeando por uma região que construiu sua história oscilando entre fazer parte da Alemanha ou da França, é um capítulo a parte, pois o alemão insiste que provemos as comidas e bebidas típicas alemãs e a francesa, alega que são francesas e nos mostra e oferece outros tantos quitutes. Como hóspede, o melhor é não discutir, mantive minha boca ocupada comendo todos os pratos enquanto os dois discutiam qual a origem dos pratos. Por isso,  esta viagem foi perfeita porque  encantou todos os sentidos: vimos, saboreamos, tocamos, ouvimos e sentimos o aroma maravilhoso da cozinha franco-alemã, ou melhor dizer, de Alsace!


 
.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Heidelberg: impressionante



Chegar de viagem, ainda com o sabor da despedida na memória, e encontrar no jornal local, uma matéria sobre um dos lugares que você visitou e amou, é um excelente técnica  para fazer  você, dar meia volta e pegar o mesmo avião de volta, sem nem apanhar as bagagens.
Não fizemos isso, infelizmente. Mas, falar sobre Heidelberg foi inevitável.
O Castelo, já de longe, parece envolvido por uma aura fascinante  e, caminhando pelo parque, pensamentos sobre o eterno e o efêmero surgem em nossas mentes. Afinal, na terra de ilustres pensadores, impossível  não  filosofar. O castelo  parece estar fora desse mundo  como que flutuando e é, segundo especialistas, a personificação do romantismo alemão. O cenário majestoso das ruínas do castelo, cobertas por trepadeiras,  deixa transparecer o poder e a glória de seus antigos senhores, a dinastia dos Wittelsbacher. Construído por volta de 1300 como fortaleza, com torres, casamatas e fossos, o complexo cresceu no alto da cidade ao longo de 400 anos, tornando-se um símbolo feudal dos príncipes do Palatinado.
A visita ao interior garantiu o acesso a duas  maquetes que ilustram como o castelo era e como ficou após tantos anos de sucessivas guerras. A residência mais antiga ainda identificável é a chamada "Ruprechtsbau", com uma suntuosa lareira renascentista no seu interior. Parar para imaginar pessoas dançando, andando, e mesmo, trocando segredos, além do medo foi inevitável . A unidade "Ottheinrichsbau" é considerada o primeiro palácio construído em território alemão com uma fachada ricamente ornamentada. Neste prédio,  está instalado o Museu Alemão da Farmácia.  Senti-me uma alquimista conhecendo  a história emocionante da farmácia. Para se ter uma impressão do cotidiano dos moradores do castelo de Heidelberg, fizemos  uma visita guiada especial pelas salas e pelo
tempo.

Não falar do tonel seria um sacrilégio.É simplesmente o “maior barril de vinho da Europa”, e foi construído em 1751 pelo príncipe eleitor Karl Theodor para armazenar o vinho pago como imposto pelos produtores de vinho do Palatinado. Sustentado a sete metros de altura,possui oito metros e meio de largura, alberga 220.000 litros (58,124 galões) de vinho, e tem uma pista de dança construída em cima dele. Este barril era  guardado pelo bobo da corte durante o reinado do Príncipe Eleitor Carl Philip, um anão tirolês apelidado de Perkeo, ficou supostamente conhecido pela sua capacidade de beber grandes quantidades de vinho. Diz a lenda que ele morreu quando equivocado bebeu um copo de água! Deveria ter sido condenado à morte por um deslize desses.

A construção mais bem conservada é a "Friedrichsbau", com uma galeria dos príncipes e antepassados na sua fachada.  Entrevistei cada um em meus pensamentos para saber suas vontades, sonhos, preferências e dificuldades.
No térreo, fica a igreja do castelo, ainda intacta, com as dependências residenciais acima.  Parada obrigatória para uma prece de agradecimento por tudo que visitei e conheci nessa maravilhosa viagem.  Senti uma Gratidão  tão profunda que lágrimas conseguiram escapar de meus olhos  de maneira teimosa e desobediente.  Foi um choro intenso de gratidão profunda.
Frederico V, com a intenção de criar pela mão humana um paraíso na terra,  projetou o jardim, que coberto por neve, exerceu um fascínio especial para minha família tropical. Durante muito tempo, o Hortus Palatinus foi considerado a oitava maravilha do mundo, embora nunca tenha sido concluído.


Pousando mais uma vez nosso olhar na fachada, imaginamos  como seria o brilho e esplendor daquela grande muralha especialmente quando o sol reluzia no ouro que cobria várias partes das estátuas e desenhos.

O passeio pelo jardim já escuro na saída, embora fossem 16 horas da tarde, surpreendeu-nos com uma linda visão do Castelo. O Castelo parecia iluminado ou em fogo. Talvez, estivesse agradecendo pela visita e por nossas conversas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Na terra da melhor cerveja!

Adoro o colorido da natureza em todo seu esplendor e no Sul da Alemanha, na Baviera com sua capital Munique, conheci uma beleza de cores e paisagens variadas bem diferente de outras regiões da Alemanha e, principalmente de um país tropical. Natureza, ar puro, muita bagagem cultural, a língua diferenciada do alemão e o  modo de vida  dos bávaros são a  marca registrada. Sejam festas com trajes típicos ou as fortalezas e cidadezinhas medievais, castelos magnificentes e igrejas barrocas oferecem os cenários perfeitos para uma viagem no tempo. Tradição e modernidade  andando de mãos dadas.
O que realmente marca a paisagem da região é a proximidade com os Alpes, os castelos e cidades medievais. Munique é uma cidade grandiosa, não tenho adjetivos nem superlativos suficientes para descrevê-la.
A praça tem uma energia  contagiante de alegria!  Bares, lojas, restaurantes...fiz um tour gastronômico sem precedentes e, claro uma vez cercada de jovens, a parada básica e obrigatória na loja da Apple. Quando se está com jovens, esta loja e o Hard Rock Café são pontos absolutamente essenciais. Contudo, estar na Alemanha implica em visitar e provar muiiiita cerveja e eu não me fiz de difícil, provei todas..que delícia!
Caminhar por Munique é um nunca acabar de usar a visão. Um excelente exercício para os olhos. Admirar, olhar, ouvir a história, rezar em cada igreja e mesmo assim surpreendendo-me extasiada admirando outra construção. Para uma pessoa sem senso de direção como eu, é fácil perder-me  pois o olhar curioso e admirado fica olhando para o alto das construções e divagando ..tentando conversar com as paredes, pedras, bancos..ah se eu pudesse entrevistá-las... queria mesmo era uma viagem no tempo.
Já que a viagem no tempo não é possível, quem sabe um litro de cerveja pode ajudar.  E se Mozart e até a Imperatriz Sissi visitaram e beberam na Hofbräuhaus, minha presença lá foi mandatória. O ambiente é  encantador. Enorme dividido em vários ambientes pois a construção é assimétrica. As garçonetes vestem roupa típica, são super simpáticas e há uma banda  na qual os músicos vestidos à caráter, cantam músicas típicas. Um legal charmoso e cativante. Ficaria lá indefinidamente: lugar bonito, cheio de história, excelente comida e cerveja perfeita para o meu paladar. Ai que saudade que dá!
Com tanto para me distrair e tanta foto para tirar, você há de se questionar se me perdi em Munique. Bem, gostaria muito de ter me perdido  e ficado lá para sempre, mas isso não foi possível graças a uma boina cor-de-rosa que eu uso. Meus filhos nunca me perdiam de vista..Que pena! Nunca mais vou usá-la!!



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um dia de Princesa

 Algumas lembranças   comuns povoam o inconsciente das pessoas devido às histórias contadas na infância. E em matéria de histórias, minha mãe e minha avó foram imbatíveis em contar as que já existiam e as que elas mesmas criavam. Esopo  gostaria de  tê-las conhecido. era um ritual: Pão de cará com manteiga, café com leite e “ come que eu conto a história”.
Esta tradição mantive com meus filhos e a tecnologia ajudou a dar vida a muitos personagens de tal forma que visitar o castelo da Disney sempre foi um sonho comum.  Visitar este famoso castelo em Orlando arrancou muitas lágrimas de emoção e muitas fotos. Porém, nada se comparou a visita ao Castelo Neuschwanstein na Bavária ou Baviera, - o inspirador do Castelo da Disney.

Este maravilhoso castelo foi modelo para vários prédios em todo o mundo, especialmente o da Bela Adormecida no parque da Disney na Califórnia, ícone dos contos de fada.  Além desse,  o castelo da Bela Adormecida na Disneyland Paris  também foi inspirado no "castelo de conto de fadas" da Baviera. O mesmo vale para o Excalibur Hotel & Casino em Las Vegas que foi inaugurado em 1990.
Não posso precisar se foi a beleza suntuosa, elegante  e romântica do Castelo; a localização perfeita, pois pode ser visto de longe incrustado nas montanhas,; a caminhada deliciosa  com paradas para fotos, risadas, comidas ou bebidas para esquentar na luta contra o frio  penetrante ou a companhia que era agradabilíssima, porém posso afirmar com certeza, foi um dos pontos mais altos da viagem a Baviera.
Descemos de charrete levados por dois cavalos que fizeram questão de espirrar em meu filho enquanto ele tirava uma foto, por isso, lembrem-se que eles são charmosos, mas podem te sujar.
Com um pouquinho de imaginação, podíamos imaginar um Príncipe tentando chegar ao Castelo, ou toda a corte caminhando pelos corredores. Olhava para as paredes e pensava: “ cada pedra, deve ter muitos segredos para relatar.”  Realmente Ludwig II, era um soberano diferente. Gostava, entendia e procurava divulgar as artes. Um apaixonado pela Idade Média, mesclou o Gótico, o Romantismo e  incluiu a ópera de Wagner por vários ambientes. Quase podíamos ouvir a música enquanto caminhávamos em direção ao castelo ou tirávamos fotos.
Ao descer, sentia-me participando de um conto de fadas verdadeiramente, só um ponto ainda é difícil para mim: pronunciar o nome deste Castelo. Por que tem que ser tão grande?





sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resistência ao novo


Novamente, ao atravessar a rua, mais uma lição. É de noite e não há carros passando; entretanto, os pedestres aguardavam pacientemente a mudança do semáforo. Enquanto aguardo, um brasileiro diz: “Acho isto tão bobo! Se não há carros, porque obedecer o sinal. “
Então, eu pacientemente, respondo  que   “minha mãe    dizia: ‘ Em Roma, aja como os Romanos.’   Por isso, não discuta, apenas copie.”
Para nosso cérebro e para nossa experiência de vida, é bom estarmos abertos para o novo, e assim, respeitar e seguir os costumes quando estamos em outros países.
Se os alemães obedecem por hábito ou por temer as multas que são bem pesadas, eu não sei. Mas, que é muito bom andar a noite pela cidade sem medo de assaltos, lá isso é verdade.  

Caminhar, além de um exercício excelente,  oxigena nosso cérebro gerando sinapses e cooperando para nos manter plugados no Agora. Poder caminhar, ler as placas, parar, observar, tirar fotos e refletir sobre a história de um povo com suas tradições, destruições e reconstruções. Ao observar, o portão da foto, toda a história desde 1791, passa  como num filme. passando por Napoleão, segunda Guerra e a queda do muro de Berlim que vi apenas pela tv. Tudo isso de madrugada após a ida a um restaurante, esse prazer de passear sem medo de assalto, eu diria que não tem preço e me pergunto se é a tecnologia que está gerando a ansiedade ou esse constante estado de alerta que vivemos no Brasil.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Aprendendo a esquiar

Sabe aquele ditado  que diz  mais ou menos assim “ olham as pingas que bebo, mas não veem os tombos que levo”? Pois é, pensei muito nele na Itália. Especialmente, enquanto subia a montanha calçando botas pesadas de esqui, os sticks e a mochila, tudo isso com temperatura abaixo de 10 graus negativos..cheguei até menos 24 e num dos dias, enfrentei  uma tempestade de neve. Ah, esqueci de mencionar que os pés enterram na neve,  as luvas não te permitem sentir direito os objetos, porém se ousar tirar, elas ficam vermelhas, depois roxas e congelam.
Você não sobe tudo a pé, primeiro você vai de teleférico. Para entrar, você passa com um cartão especial. O bom da alta tecnologia é que o leitor lê o código mesmo que esteja dentro de seu bolso o que é bom porque não há mãos livres para mostrar o cartão. Após esta fase, corre e pega a gôndola….. mas antes, com ela ainda em movimento, você coloca os esquis nos  espaços externos da gôndola. É preciso ser rápido.
A vista é divina, encantadora mesmo. O branco da neve, por vezes  quase azulado, me fez pensar em  comercial de sabão em pó, tudo muito muito mais branco . Observo os pinheiros que resistem ao frio e à neve e reflito sobre os símbolos de Natal.
Aposto que você pensa que chegando ao topo, é só sair esquiando..lindo como nos filmes…desculpe-me..nem tão simples….a sensação de frio aumenta e você caminha, o que para mim é uma eternidade, montanha acima, íngreme, botas pesadas, mão ocupadas e você caminha colina  acima até chegar a uma  esteira que te leva mais acima ainda. Antes de pisar na esteira, coloca os esqui e tenta se equilibrar na esteira durante mais uma eternidade.
Wow! Tecnicamente, é bem simples, esquis em formato de pizza para parar, pressão no pé direito para virar à esquerda e pressão do lado esquerdo  para virar à esquerda. Soa fácil? Após muito tombos, você acaba automatizando isso, mas leva pelo menos uns quatro dias para conseguir descer as colinas. Sabe que o pior não é cair,  é levantar, quando você tem pés gigantes e pesados, o chão escorrega e não há no que se apoiar. Nesse momento de cansaço extremo, você olha toda a colina que você ainda tem que descer e pensa: ” Será que não tem outro meio de descer? Assim, tipo skibunda??” Não, não há, o jeito é meter as caras e encarar.
Durante, a escalada eu pensava “ por que estou fazendo isso?” Então, conclui que fiz por mim, pois preferia me arrepender de ter tentado do que de jamais ter me permitido esta experiência e, depois, já  no Brasil  ficar pensando..Ah da próxima vez!..pode não haver próxima vez…..mas também, fiz por meus filhos, tinha que ser consistente com minha filosofia de vida, não podia me acovardar frente ao novo. E lá fui eu….Foi bom, esquiei e curti com filhos e amigos uma semana encantadora.
Confesso, que a experiência foi muito boa, apesar dos hematomas em minhas pernas e  das dores nos músculos, e agradeço por esta oportunidade. Todavia, já que estou fazendo confidências, aproveito para abrir meu coração e dizer que a melhor parte foi ficar no restaurante bebendo jagertee  e comendo apfestrudel.  Por último, questiono por que não ficar num restaurante italiano cercada de boa comida e aquecida,  saindo  ocasionalmente para garantir uma foto, admirar a vista e tocar na neve?

Um artista..uma história para contar



O que um artista é capaz de fazer? Ele pode te fazer sorri, gargalhar, chorar, pensar.
Bem, Peter Eisenman me fez ficar triste, pensativa e com medo. Visitando o Memorial do Holocausto, senti-me assim.
O dia não poderia ser mais propício:  cinza, nublado, frio, muitoooo frio naquele ponto que uma leve neve cai, mas sem a beleza, só o frio que congela e dói fundo..penetrante...aquele tipo que chega nos ossos, na alma e te derruba......as emoções oscilam entre medo, tristeza e depressão. Caminhar pelos corredores pretos, entre caixas que pareciam túmulos..ora gigantes..ora pequenas...o chão em desnível...a distância que parece estreitar-se esmagando os que ousam caminhar. Os blocos de cimento têm altura e largura variada, então o que aprece ser organizado, na verdade só parece...gera insegurança e instabilidade.  Não se sabe quem está na próxima esquina: amigo ou inimigo?
Embaixo, desta obra de arte super interativa e com esse sentimento de tristeza, medo e opressão, dirigimo-nos ao museu no andar inferior. Relatos, objetos, fotos, fatos, a história de horror contada por quem a viveu.




Lendo as cartas e cartões postais, pensei quem gosta de escrever, sempre escreve, não importa o quão difícil a situação esteja. É como um paliativo, uma catarse...assim, entendi a Anne Frank e seu diário.  Todos os filmes e livros passaram pela minha mente...A que ponto um ser humano pode chegar? O que uma pessoa pode levar outros a fazer?
Saí reflexiva, porém uma nova pessoa. Dali, fui correndo visitar ouros artistas na Galeria ao ar livre do Muro...queria continuar nas artes, porém precisava respirar! Esta visita, eu conto depois.


Exercitando o cérebro

A rotina desempenha um papel importante porque facilita a execução das tarefas diárias sem dispender energia; entretanto, a mesma rotina  pode nos cegar para detalhes.
Para corrigir esse desfoque rotineiro, viajar  pode ser  uma das possibilidades,  pois desperta os sentidos e o foco na observação de pequenos detalhes.
Em uma das minha viagens, eis que me deparo com uma situação bem simples, atravessar a rua. Porém, a sinalização de solo em Berlim é bem diferente. Por alguns segundos, fui obrigada a observar o solo e decifrar qual era o caminho dos pedestres.
Neste momento de observação, também observo o amplemann que é diferente de qualquer outro lugar do mundo.  Se não estivesse com o modo observação de detalhes cotidianos ligado, jamais teria observado que o menininho do semáforo era diferente. Pequenas descobertas que dão um toque especial ao dia, ao mesmo tempo, em que exercitam o cérebro.
Certamente, há inúmeras outras formas de exercitar o cérebro, contudo, viajar é a minha preferida.