domingo, 29 de janeiro de 2012

Consistência


Véspera de Natal, eu estava ocupada na cozinha preparando minha tradicional sobremesa  quando minha filha surpreendeu-me perguntando se poderia ajudar. Quando um filho pede para ajudar, a gente deve aceitar imediatamente. Segundo Içami Tiba, os filhos precisam se sentir parte integrante  e importante da família  e para tanto, precisam ter funções e  algumas tarefas precisam ser delegadas.

Assim, de pronto, pedi a ela que mexesse o pavê que estava na panela enquanto eu picava as bolachas tipo cookies. Ao mesmo tempo que passei a missão recomendei que me avisasse assim que houvesse alguma alteração na consistência do creme. Bem, por três vezes perguntei se não havia mudança ou se o creme não estava mais consistente, embora a resposta fosse sempre negativa. Desnecessário dizer que  quase perdi o creme porque ela nem havia notado como o creme já tinha virado mingau.

Segundo o dicionário online, consistência significa:
s.f. Estado de um líquido que tende para a forma sólida.
Estado de resistência de um corpo.
Fig. Firmeza, solidez; coerência na exposição de idéias.

Coloquei-me então na posição de professora de culinária ( só da minha filha) e de português, e fui explicando o que era consistência.

Na mesma noite, lembrei-me deste momento quando estava num restaurante com amigos. A esposa de um amigo dizia que ele entrega para a filha, de seis meses, tudo que ela quer, inclusive o controle remoto da televisão e o celular.

Não pude evitar  voltar ao passado...certa vez, eu estava toda atrapalhada com minha filha ainda bem pequena, sem empregada e com horário contado para trabalhar. A tentação de entregar o controle da TV para que ela ficasse entretida e me desse uma trégua foi grande. Porém, lembrei-me da tal da  consistência. Em educação, acredita-se ser fundamental a consistência de atitudes e não alteração das regras.O que é proibido é sempre proibido. Controle remoto na minha casa é brinquedo de adulto..bebês não tocam. Bem, dei outro brinquedo para minha filha e mantive a consistência. Pode parecer absurdo, mas  para a criança, também, é melhor quando ela sabe quais são as regras da família e como agir dentro delas.Hoje vejo que tive mais trabalho naqueles momentos, mas poupei trabalho a longo prazo.
Sugiro que você leia também,  meu artigo intitulado Constituição Familiar e reflita comigo pois  criar filhos não é uma tarefa fácil!

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Recebendo presentes


Aprendi muitas coisas com meus amigos...Faz alguns anos, eu estava passando por uma fase difícil na minha vida e algumas amigas estavam me dando um grande apoio. Uma vez, uma delas me  deu um convite para acompanhá-la num espetáculo. Lembro que fiquei super sem graça. Então, ela me explicou que eu precisava aprender a receber presentes, afinal, segundo ela, eu era digna de receber presentes. Comecei refletindo e lendo muito sobre o assunto.
De fato, é tão bom dar como receber presentes e não aceitar ou demonstrar desagrado ao receber um presente é furtar a quem esta dando, o prazer de ofertar algo e fazer alguém e a si mesmo mais feliz.
Talvez, a pessoa que fica sem graça ao receber um presente não se sinta digna ou merecedora e todos merecemos sempre coisas boas. Nossa auto-estima precisa ser trabalhada.
Outra amiga, certa vez me disse que ter dificuldades em receber presentes ou favores é uma forma de orgulho também. Pois não admite que outros tenham essa capacidade e potencial. Por que só nós podemos presentear?
Aprendi e curto muito receber presentes. Dou-me este direito e, às vezes, presenteio a mim mesma, seja comprando algo ou desfrutando de encontrar amigos e amigas para quebrar a rotina
Ainda esta semana, uma outra amiga afirmou “Eu posso me dar esse presente de encontrar vocês uma vez por mês.”
Por isso, agradeço as minhas amigas pelo muito que me ensinaram e ensinam todos os dias.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Receita de mãe


Um amigo psiquiatra, há muitos anos atrás, dizia que toda mãe é nutriz e, por esse motivo, precisa ser reconhecida por um prato. Explicando melhor, deve haver uma receita da mamãe. Esta receita  não precisa ser original nem criada pela mãe, porém deve de tal maneira ser a marca da mãe no mundo que seus filhos possam estabelecer um elo límbico emocional. O aroma , o sabor e a aparência do prato serão para sempre gatilhos que resgatarão esses elos proporcionando bem estar e prazer. Na verdade, funcionariam como um oásis no deserto, ou seja  a calmaria no meio da tempestade.

Sem querer, criei uma receita que se tornou uma paixão familiar. Um sábado, fim de tarde, o marido de uma amiga, me ligou convidando para um churrasco surpresa na casa deles para comemorar o aniversário da minha amiga. Ele também pediu que eu levasse uma sobremesa. Muita tranquilamente, comecei a preparar as coisas para um pavê. No momento em que eu estava com toda a massa pronta, foi que percebi que alguém havia comido toda a bolacha champagne, ingrediente principal da receita. Muito criativa e com uma enorme preguiça de sair para o supermercado, abri os pacotes da bolacha cookies da Nabisco e usei como base no lugar da outra bolacha. Para cobrir piquei mais bolachas e coloquei-as como última camada do pavê. O sucesso no dia foi tão grande que virou minha marca registrada. Fiquei reconhecida pelo famoso pavê de cookies. Toda reunião de família, as pessoas já esperam pela minha sobremesa.

Este ano no Ano Novo, meu irmão desafiou-me a levar outra sobremesa. Criei  mousse de limão com bis de limão na massa e na decoração. Ficou bom, todavia, até minha afilhada fez carinha triste e decepcionada, pedindo o meu famoso pavê.

Bem , meu amigo, eu já tenho meu prato que marcou a família e, principalmente meus filhos. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Café da manhã



Eu estava num barzinho com amigos quando começamos a conversar sobre como cada um toma seu café da manhã. Senti-me a estranha no ninho pois eu sou a única do grupo que coloca a mesa e senta para tomar  o famoso dejejum. Quando eu contei não só que coloco a mesa mas que  incluo, na refeição, suco de frutas, torradas, geléia ou cream cheese, foi uma risada geral. Todos acharam um despropósito eu fazer todo este cerimonial para tomar café da manhã sozinha em casa e, o pior, diariamente.

Bem, esta semana, na ATREVISTA, Paulo Coelho, em sua coluna, escreve que o monge beneditino Steindl-Rast  diz que “ De manhã, devemos nos comportar como se fôssemos atravessar uma rua:parar, olhar para os lados e ir em frente.”

“Antes de nos atirarmos à atividade frenética do dia, nós paramos. Isto nos permite refletir sobre nossas prioridades, as atitudes possíveis diante de um problema, as decisões que precisam se tomadas.”

“Em seguida, nós olhamos para os lados. Não adianta parar, se não enxergamos o que acontece à nossa volta. É necessário entender que, ao tomar uma decisão estamos influenciando e sendo influenciados por tudo que está acontecendo à nossa volta.”

“Finalmente, nós seguimos adiante. Não adianta parar, olhar para os lados, se não temos um objetivo definido. O fato de agir é que justifica tudo – e que nos permite mostrar, através do trabalho, a imensa glória de Deus. E para que tudo isso dê certo, basta se comportar da mesma maneira que nos comportamos quando atravessamos uma rua.”

Gosto de começar o meu dia vagarosa e calmamente pois sei que terei muita correria ao longo doa dia. Na hora do café, alimento-me, penso na vida, redefino objetivos e estratégias, ou seja, recarrego as baterias.

* a coluna  mencionada foi publicada dia 15/01/2012 e mantive as aspas originais do texto publicado( pág. 10) 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minha mãe me visitou só pra me ensinar que..


Certa vez, eu andava um pouco decepcionada com as atitudes de algumas pessoas a minha volta. Então, tive um sonho com minha mãe que me elucidou alguns pontos importantes. Mãe é mãe mesmo depois de falecida. Elas sempre têm algo para ensinar. Voltando ao sonho, nós duas estávamos sentadas e ela me mostrava um grande livro de capa bem grossa. Ela virava as páginas lentamente, em cada página havia uma foto e várias coisas escritas. A cada página que ela virava, ela passava a mão sobre a página de cima para baixo.Após algumas páginas, ela disse:” Na vida, somos todos mestres...somos todos aprendizes. Há um motivo para os encontros e uma lição. Todos temos algo para ensinar mesmo que seja seguindo um caminho não apropriado.” Despertei e compreendi a lição. A partir daquele dia, não me revoltei mais. Entendi que cada um tem seu momento e tudo leva  a um ensinamento, mesmo que seja como não fazer algo. Aprendi a respeitar sem me revoltar.

Relendo as palavras de Martha Medeiros sobre as pessoas estarem em nossa vida por uma razão ou estação, lembrei-me do sonho. Comecei pensando em todas as pessoas que passam ou passaram pela minha vida.Vi que realmente, algumas surgiram porque eu precisava aprender algo específico, outras para me amparar em momentos difíceis. Assim, algumas vieram para ficar por uma estação, ou seja até que eu aprendesse a lição; outras ficarão para sempre pois são caminhos que devem ser atravessados sempre juntos. Não me sinto mais triste quando me afasto de alguém ou alguém de mim. Não me sinto traída. Acredito que somos parte de uma orquestra muito maior do que nosso simples olhar pode enxergar.Já dizia Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”

domingo, 15 de janeiro de 2012

AGORA


               Outro dia, meu filho disse a seguinte frase:”Quem vive de presente é aniversariante.”.Esta frase calou fundo dentro do meu ser, pois estou num momento bem reflexivo sobre minha mente viajante.
               Tenho uma amiga queridíssima da ginástica que está sempre me trazendo de volta à terra dizendo: ” Deixa a lista de supermercado pra depois” ou “ As contas você resolve depois da aula”.  Na brincadeira e carinhosamente, ela me ajuda a focar na aula e esquecer o futuro e as obrigações.
                 Como professora, minha mente foi imediatamente recitar Manuel Bandeira:

"Só o passado verdadeiramente nos pertence. 
  O presente?
  O presente não existe.
  O futuro diz o povo que a Deus pertence..
  A Deus...Ora, adeus!"
                  Um amigo  sugeriu-me  a leitura do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle. Refletindo sobre o tema com a ajuda do livro, estou numa frenética busca de viver o presente.             Relembrar o passado, só serve para sofrer novamente por fatos imutáveis. É importante aprender a lição, perdoar e seguir em frente. Por outro lado,preocupar-se com o futuro é gerar expectativa e ansiedade por momentos que talvez nem aconteçam. É o famoso pré- ocupar-se desnecessariamente. Constitui simples desperdício de energia.
                   A tarefa não é fácil. Viver concentrado no agora. Na verdade, é uma delícia, mas a mente teima em seguir outros rumos. Estou numa empreitada séria. Por exemplo, eu estava viajando e no meio de um museu ou diante de uma linda paisagem, pensava:” Quando voltar para casa, preciso marcar uma consulta com o dermatologista.”.Típico pensamento desnecessário. Então, voltava-me para o AGORA. Prestava atenção aos detalhes do local e dos momentos que eu estava vivendo de modo a ficar concentrada no momento presente. Bem, se quem vive de passado é museu e  quem vive de futuro é vidente, melhor viver o HOJE, mesmo não sendo aniversariante, afinal, quem não gosta de dar e receber presentes.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Erros e acertos

Em uma das minhas postagens mais recentes, falei da dificuldade que tenho em viver o presente,  então um amigo sugeriu-me a leitura de  O Poder do Agora de Eckhart Toller. Enquanto lia o livro, uma pessoa comentou em meu blog  que não gostava de ser criticada, mesmo quando a crítica era fundamentada. Ponderando sobre o assunto, acredito que ninguém goste de receber críticas, por isso, eu mesmo procuro abster-me de criticar. Prefiro o caminho de elogiar o que vejo de bom e brincar de Pollyanna pois não vejo sentido em magoar ninguém e, afinal de contas, quem garante que a minha crítica trará benefícios para alguém?
Entretanto, no citado livro, o autor defende a tese que “ o ego é muito vulnerável e inseguro e vê a si mesmo sob constante ameaça. Esta  sensação de ameaça gera o medo – tememos perder, falhar, nos machucar -, mas em última análise todos os medos se resumem a um só:o medo que o ego tem da morte e da destruição...assim, como o ego você também não pode errar. Errar é morrer.” O autor ainda vai mais longe afirmando que  “todas as pessoas  que você conhece ou encontra vivem em um estado permanente de medo”. A recomendação do autor é que tenhamos cuidado com  qualquer tipo de defesa e vai além, ele propõe que analisemos do que estamos com medo e enfrentemos. Ao tomar consciência do verdadeiro motivo do medo, a sensação  desconfortável de incompletude  e desacerto tenderá a desaparecer. Só posso desejar boa sorte para você e para mim.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

De cabeça para baixo


Ser mãe é uma experiência singular. Uma das muitas vantagens de ser mãe é  literalmente voltar para a escola. Quando os filhos vão para a escola, nós mães também vamos. Voltamos a estudar equações, fazer cálculos, sem falar dos antônimos, sinônimos e coletivos. Sempre que o ano começa e eu compro material escolar, costumo chegar com os livros novinhos e explorar o que me espera  durante o ano letivo. É um momento gostoso pois meus filhos também curtem ver os livros novinhos e as novidades que nos aguardam. Este ano, em um dos livros, encontrei uma lenda que achei bárbara e por isso, faço questão de dividir com vocês.No livro Nossa opção religiosa de  Maria Inês Carniato, está a lenda do Baobá como segue:

“ Conta uma lenda africana que, após ter colocado o baobá sobre a terra, o Criador continuou seu trabalho, e a árvore o vigiava em tudo que dizia:’ Isso não vai funcionar”, ‘Aquilo não está bem’, dando opinião sobre todas as espécies que eram criadas. Certo dia, o Criador cansou-se de ser contrariado pelo baobá, tomou-o nas mãos, plantou-o com as raízes para cima  e perguntou:’e agora, eu acertei? Está bem assim?’Desde então a árvore cresce de cima para baixo.”

Gostei muito desta lenda e saliento alguns pontos. Primeiramente, é muito difícil lidar com os perfeccionistas ou pessimistas. Aquele que reclama de tudo, nada está bom ou bem feito torna a vida da equipe muito difícil. Claro que é muito importante, caprichar e fazer cada tarefa o melhor possível, mas algumas pessoas só conseguem ver os defeitos ou parecem agourar tudo o é feito. Estas pessoas me fazem lembrar da hiena que sempre vive dizendo “Oh vida  Oh azar”.

Outro ponto que me deixou menos apreensiva é o fato que até o Criador perdeu a paciência. Portanto, ao invés de me auto culpar e punir por  perder a paciência e ficar irritada, dando respostas atravessadas lembrarei que sou humana e eventualmente, posso me permitir perder a paciência. Só espero não chegar ao ponto de colocar alguém de cabeça para baixo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Construindo muros




Li no livro Comprometida de Elizabeth Gilbert que, ao contrário do que se pensa, não é o fim do amor que destrói o casamento, mas é o muro que se interpõe entre o casal cada vez que um deles conta uma mentira ou omite um fato.Parei a leitura e comecei refletindo sobre o assunto. Comecei observando quantas vezes vejo conhecidos e amigos em geral mentindo sobre coisas tão fúteis como ao invés de ir para a academia, ir para o Shopping Center, ir para o happy hour e alegar estar fazendo hora-extra, omitir que faltou na aula de inglês ou na pós e ficou no barzinho com os amigos. Fiquei imaginando se em cada um desses momentos as pessoas estariam construindo paredes ao seu redor como em The Cask of Amontillado de Edgar Allan Poe e afastando-se do(a) parceiro(a).


Assistindo a novela Aquele Beijo, lembrei-me do citado livro. Na novela, Vicente esconde da esposa Lucena a atração incontrolável que sente por Cláudia. Ele procura resistir a esse sentimento, mas a atração entre ambos parece ser irresistível. Por outro lado, Lucena esconde fatos relacionados ao primeiro casamento, inclusive o fato de estar esperando um filho do primeiro marido. Estas omissões e mentiras estão levando a outras omissões e mentiras acompanhadas de acusações e ciúmes.Cada vez que Lucena declara sentir ciúme da atração clara e mútua que existe entre Vicente e Cláudia, Vicente menciona o casamento de Lucena e os telefonemas que ela e o ex-marido trocam. Lucena recua, constrói mais um muro, e foge do assunto. Vicente, por sua vez, sente-se culpado e compra presentes. Porém, quando se sente acuado pelas acusações da esposa, defende-se mencionando o ex-marido. Neste círculo, o relacionamento de ambos vai se esfarelando e, em algum momento, a muralha será intransponível. Vamos aguardar o desfecho deste triângulo amoroso. A trilha sonora e a narração de Miguel Falabella dão um toque especial.
Veja o lançamento da novela em:
http://www.tvtribuna.com/videos/?video=11372&idcat=14