quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Vestibular e Latim

No curso de Letras,  estudei Latim por 4 anos e ainda Literatura Latina. Foi um grande curso. Até hoje,  ainda uso muito do que aprendi, inclusive porque após esse curso ainda cursei Direito, onde expressões em Latim passeiam frequentemente pela doutrina e  processos.
Estudar Latim não era o problema, o professor era super animado e bem divertido, a dificuldade estava em memorizar as cinco desinências. Na época, escrevi as desinências em fichas que ia colando nos espelhos do banheiro e do meu quarto. Jovem vaidosa que eu era, cada vez que olhava o espelho, e isso ocorria com grande frequência, dava uma lida nas fichas. Bem, confessarei minha idade ao afirmar que não havia post-it nessa época.
Nas vésperas das provas, fixava também, na cabeceira da cama, e lia constantemente. Essa frequência  garantiu-me muitos  “ dez “ em Latim.
Voltei a lembrar destes tempos, pois ao entrar no banheiro de meu filho vestibulando, deparei-me com várias fichas com fórmulas. Não é que ele ouviu o que eu dizia quando ele era pequeno?
O objetivo deste texto, é despertar em você, o interesse e o desenvolvimento de técnicas que facilitem a aprendizagem. Descubra-se,  analise seus métodos, o que funciona ou não, tentativa e erro. Porém, vou lembrá-los que nosso cérebro memoriza aquilo que ele já viu pelo menos duas vezes, então faz –se necessário, estudar, reler e aplicar.
Algumas pessoas aprendem melhor ouvindo, então grave e escute a si mesmo, assista vídeo-aulas e jamais perca uma aula presencial. Outros; todavia,  aprendem melhor escrevendo e ainda há os que fazem tudo isso junto.  Portanto, não poupe  chances de passar cadernos e anotações a limpo, fazer resumos e re-escrever a matéria. Descubra-se!

domingo, 23 de outubro de 2016

Conversa com bebês

Catherine Shaw (1995) e outros pesquisadores têm estudado os efeitos da maneira como os pais falam com os filhos na aquisição da linguagem. Pesquisadores observaram, que em família, os adultos tendem a modificar a maneira como falam ao dirigir-se às crianças. Este discurso é caracterizado por um ritmo mais lento, intonação mais pausada, tom de voz mais alto, sentenças curtas, repetição constante e paráfrases.
Este estudo demonstrou que essa atitude em relação ao aprendizado da língua não é igual em todos os grupos sociais. Em algumas sociedades, os adultos não interagem  com crianças em termos de estabelecer diálogos. Em certos grupos na África, espera-se que a criança apenas observe  e ouça. Crianças não são motivadas a participar de conversas até que tenham desenvolvido habilidades verbais.
Apesar dessas diferenças inerentes a cada cultura ou  grupo sócio-econômico ou cultural,  em toda sociedade as crianças estão em situações nas quais escutam a língua em um ambiente  contextualizado e adquirem competência na comunidade linguística a que pertencem. Por isso, é difícil julgar o efeito causado pelas modificações no discurso direcionada a crianças.
Fonte How languages are learned by Patsy M. Lightbown and Nina Spada

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Medo? Medo de quê?

Frente ao medo que os filhos demonstram, muitos pais tendem a menosprezar o sentimento das crianças. Na verdade, especialistas recomendam que os pais confortem com paciência e serenidade. Os medos mais comuns são do escuro, de monstros, de palhaços e do barulho de bolas de gás estourando.
Lembro-me ainda do meu irmão, com muito medo do escuro. Morávamos numa casa onde os interruptores de luz ficavam no alto, longe das mãozinhas das crianças menores. Para completar, é claro que meu pai fazia a campanha: ”Pensam que sou sócio da Light?” E com esse bordão, salas não utilizadas, estavam no escuro. Além disso, morar em casa, sempre é uma aventura, pois há cômodos fechados, portas que batem e madeira que estala. Tudo propiciando e favorecendo o crescimento deste medo. Ao meu irmão, restava contar com a minha boa vontade para acender as luzes. Infelizmente, nem sempre eu era assim solícita.
Por tudo isso que vivi de perto, preocupo-me com as crianças e a superação desses medos. Para auxiliá-las, leio histórias, escuto o que dizem e uso a técnica do Ridículo. Esta técnica, não se trata de ridicularizar a criança ou o medo infundado ou irracional. O objetivo é auxiliar a criança a superar o medo.
Mostro aos alunos a cena do filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, onde na aula de defesa contra as Artes das Trevas, o professor ensina o feitiço para superar o medo. Os alunos se divertem e ocasionalmente usam a técnica para superar os medos.
Fica a dica para uso em casa ou na escola:

https://www.youtube.com/watch?v=zAGBb9NYAiw

domingo, 2 de outubro de 2016

Minha vida de mãe de intercambista

Quando esta aventura começou, eu pensei que não conseguiria sobreviver a este ano. Ficar um ano longe do meu filho parecia impensável. Imaginei que sucumbiria em dois meses. Por que um ano? Seis meses seriam mais que suficientes. Ledo engano. Começo a achar que o período deveria ser de dois anos. Acredite em mim, mudei de ideia.
Após meses de documentos, planilhas, testes, entrevistas, o dia da partida chegou.
( veja: http://www.consideracoessobreeducacao.com.br/tecnica-para-nao-chorar-no-aeroporto/ )
Sempre sonhei com uma família grande. Eu era ainda adolescente já me imaginava com quatro filhos, queria uma mesa cheia de gente. Acabei tendo apenas dois, mas o programa de intercâmbio trouxe-me mais filhos. Oficialmente, recebi em minha casa um alemão, um mexicano e duas francesas. Mas, na verdade, meus fins de semana eram repletos de hóspedes fixos e eventuais. Hospedei intercambistas vindos dos mais variados países e distritos: turcos, mexicanos,italianos, tchecos, americanos, dinamarqueses, belgas.. Os vizinhos e amigos diziam que a ONU se reunia em casa.
O objetivo do Programa de Intercâmbio foi plenamente atingido, aprendemos a compreender a cultura de outros países e almejar a Paz no mundo pois criamos laços permanentes em todas as partes do mundo.


Enquanto nossos filhos biológicos estavam em intercâmbio, nós, mães, também vivemos o nosso intercâmbio, inclusive de filhos com o troca-troca de famílias hospedeiras. Definitivamente, foi um ano para aprender que as despedidas fazem parte da vida. Mas, também, criamos laços de amizade no Brasil e no exterior para toda a vida.

Carpe Diem: filosofia de um intercambista

Por que a vida de intercambista é tão especial?
Amigos,  viagens, baladas, aventuras, liberdade.  Tudo isso, além de aprender ou aperfeiçoar um idioma e aprender sobre a cultura de um país, parecem ser razões suficientes para sonhar com este ano especial. É um ano de tanto aprendizado, que é sempre usado como referência no CV para o resto da sua vida.
Na verdade, todo intercambista é digno de admiração. Largar seu país, seu lar, familiares e amigos e mudar  para um outro país, começar uma nova vida do zero. Para muitos, significa perder o ano escolar, inclusive.
Já se imaginou morando por um ano em uma outra casa com pessoas que você nunca viu antes em sua vida? E ainda por cima nem entendem o que você diz? Sem falar na viagem de horas, muitas vezes sozinho.
Tem que ter muita coragem mesmo!!!
E por que um ano? Antes de viver esta experiência, eu também achava que era tempo demais. Hoje vejo que é o período perfeito. É o tempo que a pessoa leva para dominar  fluentemente o idioma, não tropeçar nos costumes,  vivenciar um ciclo completo e desligar-se por completo do que ficou. Após este período chega o duro momento de voltar à realidade…o GAP year termina. Todavia, constrói-se  um gap year recheado de ensinamentos e experiências.
Muitas coisas boas  acontecem, porém coisas nem tão boas também acontecem. Incidentes,  desencontros, doenças, controvérsias, dificuldades de adaptação e um milhão de coisas corriqueiramente podem surgir. É assim que se fica independente e amadurecido. Um crescimento forçado e necessário.
Os valores sofrem ajustes e mudanças. Adquirem-se mais alguns, desenvolvem-se outros, estabelecem-se laços, desfazem – se outros. Também é um ano de reflexão.
Nesta reflexão, um intercambista  me explicou:
“Sabe porque este ano é tão intenso, especial e único? Porque sabemos que é só por um ano e cada vez que estamos cansados, desiludidos com saudades ou achamos que está muito difícil, lembramos que é só por um ano. Então, nos erguemos e vamos viver. Sem preguiça, sem medo..é só por um ano!”
Nada será novamente igual. A vida segue seu curso como sempre: as pessoas crescem, mudam, os intercambistas vão e vêm. Momentos que jamais se repetirão. Quando absorvemos a lição de que nada será igual novamente, passamos a viver mais o hoje e levamos em nossa memória e em nosso coração o aroma, o sabor das comidas típicas, as risadas, as palavras, o sorriso, as lágrimas, as músicas e as  centenas de histórias.
Fica a grande lição: CARPE DIEM.

Pra que ter um filho?

Meu filho era bem pequeno, talvez uns seis anos e me perguntou de chofre, ou seja sem rodeios,  “mãe , você teve filhos para te dizer aonde você estacionou o carro no estacionamento do shopping?”  Ri sem parar com essa colocação e fiquei pensando se ele teria noção do quanto custa ter e educar um filho. Sairia bem mais barato  andar de táxi toda a minha vida!!
Bem, Içami Tiba defende que os filhos devem se sentir parte da família  e  para que esse processo aconteça é necessário que cada membro da família tenha obrigações claras dentro da engrenagem familiar. Dentre as tarefas de meu filho, como fazer compras, cuidar de nossa cachorra e trocar lâmpadas, estava a de deletar as páginas e pastas que cismam em surgir todo dia em meu celular. A causa deve ser a tal  de geração espontânea que Darwin defendia. Este processo acontece em meu celular todo dia. Meu lindo filho, de vez em quando, pegava meu celular e fazia uma limpa.
Um tempo antes de partir, eu questionei-o sobre como eu faria depois que ele mudasse para o outro lado do Equador e do Greenwich. Muito prático, ele me respondeu “ pede para seus alunos ou para os intercambistas.”
Bem, restou-me rezar para que essa multiplicação cessasse naturalmente, porém isto não aconteceu nem com todas as minhas preces para Nossa Senhora protetora dos celulares e das mães abandonadas.
O resultado não foi positivo e rapidamente lá estavam as páginas surgindo em meu celular novamente. Pedi para uma amiga que não soube fazê-lo e me sugeriu que fosse à loja.
Decidida que não me deixaria vencer por uma página que ousa surgir sem ser convidada para assombrar meu celular, e um pouco de vergonha misturada com orgulho, comecei o caminho normal: tentativa  e erro. Após algumas tentativas seguidas de diversos erros, a Luz se fez e aprendi!! Sou até capaz de alterar o lugar dos ícones!!! Com certeza, ele voltará diferente, entretanto, encontrará também uma mãe diferente!
Aprendi que sou capaz de fazer muitas coisas sozinha. Mas, ainda não achei a receita para sentir menos saudade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Saudade de comida

Você já deve ter dado vários presentes de Dia das Crianças, Natal e aniversários, não é?
Meu filho está em  um programa de intercâmbio e me cobrou que queria o presente de dia das crianças. E qual não foi minha surpresa ao ler na mensagem do what´s app que ele queria guaraná de presente??? !!!!! Ele raramente  bebia guaraná!!!! E, ainda acrescentou, feijoada e café.  
O que não faz uma viagem….
Já sentiu saudades de um idioma? Eu já. Percebi que esse sentimento existia ao chegar no aeroporto no Brasil e ouvir as pessoas falando em português. Foi uma sensação tão gostosa! Eu já havia feito várias viagens, mas sempre em países onde a língua predominante é o inglês e, neste caso, sinto-me completamente à vontade, como primeira língua mesmo. Porém, após um período na Argentina, ouvir português foi um bálsamo.
Numa outra viagem, observei como meus companheiros de viagem sentiam tanta falta  da comida brasileira a ponto de procurar restaurantes brasileiros.
Particularmente, não sinto falta de gêneros alimentícios, mas do idioma, às vezes um pouco. Vontade de afeto e de expressar coisas que veem das entranhas,  bem visceral lá da época da gestação quando ouvíamos a voz de nossa mãe ainda dentro do útero materno.
Enquanto isso, vou caprichando no guaraná para meu filho intercambista e nas paçoquinhas, porque sei que ele também sentirá saudade desses itens quando voltar para a terra dele. Às vezes, intercalo com “ himbeeren” para que ele amenize a saudade de casa também.
Afinal, saudade é o amor que fica! E se temos saudade é porque vivemos e bem!!! Por isso, resta-nos agradecer é relembrar.