terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Técnicas de aprendizagem


Normalmente, quando as decorações de Natal começam surgindo em vários pontos da cidade, alguns pais e alunos não conseguem curtir estes momentos mágicos pois estão muito preocupados com as notas e uma possível reprovação.Para tentar evitar que essa preocupação escureça uma época tão literalmente iluminada de nossas vidas, aproveito esta oportunidade, ainda em tempo, para colocar alguns pontos importantíssimos.
Muito se fala em estudar todo dia, mas o que é estudar todo dia? Especialistas já declararam e provaram que o cérebro precisa ser exposto mais de uma vez ao conteúdo para memorizá-lo, por isso, estudar todo dia significa que, antes de dormir, o aluno revise tudo o que aprendeu  na aula. Deste modo, quando o cérebro recebe a mesma informação pela segunda vez no mesmo dia, classifica-a como importante e retém a informação. Enquanto dormimos nosso cérebro faz uma varredura e elimina o que parece não ser essencial, por isso, quem estuda a noite, precisa antes de dormir, reservar  quarenta e cinco minutos e rever o que foi estudado em classe ou grande parte poderá ser simplesmente deletado do seu cérebro. Este mesmo cuidado  se aplica a quem costuma dormir por mais de duas horas no período da tarde.
Costumo dizer para minhas amigas que dar a ordem:”Vai estudar!” é infrutífera se a criança não tiver desenvolvido técnica e ritmo de estudo. Há várias técnicas para auxiliar no aprendizado e cada pessoa precisa encontrar seu caminho.
Eu, por exemplo, estudava  Direito caminhando pelo corredor da minha casa e lendo em voz alta as leis e teorias ensinadas em aula. Nesta fase da minha vida, eu já sabia que aprendo melhor quando leio e falo em voz alta. Preciso aliar ambas as técnicas. Faltar às aulas, sempre significou uma grande perda para mim porque ouvir as explicações sempre foram um bom caminho para  apreender o que estava sendo ensinado. Por outro lado, quando aprendia línguas, precisava desesperadamente ver a palavra escrita, pois visualizar o que era dito era fundamental para que eu não embarcasse numa viagem como na música Aquarela de Toquinho “Quando um pingo de tinta cai num pedacinho azul do papel..uma linda gaivota   ....” E, lá ia eu e a gaivota em pensamentos para outro planeta.
Com esta bagagem, eu insistia com meus filhos que eles tinham que estudar inglês falando  os diálogos em voz alta. Muitas vezes, brigamos por causa disso, até que eles foram capazes de me explicar que escrevendo  é melhor para eles.Bem, filho de peixe , nem sempre peixinho é, cada  pessoa tem seu jeito de aprender e descobrir isso pode fazer toda diferença em sua vida.
Howard Gardner, ao defender sua teoria das Múltiplas Inteligências, esclareceu este ponto com maestria, enfatizando que todos somos inteligentes e precisamos descobrir como aprender, pois esta habilidade varia muito de pessoas para pessoa, por isso, enquanto eu aprendo falando, meus filhos aprendem escrevendo.
Algumas técnicas, entretanto, podem ser válidas para a grande maioria:

1.      Ler os textos, silenciosamente ou em voz alta, grifando com canetas coloridas a informação substancial, excluindo os exemplos e repetições.
2.      Resumir o que foi lido e sublinhado, reescrevendo com suas próprias palavras acrescentando ideias mencionadas pelo professor ou de outras fontes de pesquisa.
3.      Durante as aulas expositivas, ir tomando notas mesmo que desorganizadas, pois além de arquivar as informações dadas de uma forma concreta auxilia a manter o foco no tema.Use post-it ou escreva nas margens, mas tome nota.
4.      Pessoas visuais memorizam e aprendem melhor com gráficos. Faça um resumo e monte um esquema ou gráfico com palavras chaves.
5.      Refaça os cálculos sem olhar as respostas.
6.      Estudar  TODOS  os dias. Estabeleça um ritmo e um horário e, todos os dias, siga seu próprio cronograma. Vença a preguiça inicial e sem televisão ou computador, cumpra sua rotina de estudos. Caso precise do computador,  desligue-se das redes sociais.

Com certeza, uma hora por dia é o suficiente para fazer as lições e revisar as matérias ensinadas. Ajude seu cérebro! Coopere com você mesmo  e tenha um  fim de ano tranqüilo. Mude e curta a chegada do Natal , sem receios nem angústia. É melhor ser a formiga que vai fazendo um pouco todo dia ou a cigarra que canta o ano todo e quando todos estão curtindo a iminência das festas e férias, fica congelando e morre no frio. Seja uma formiga! Você pode!




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Artigo publicado no blog da Oxford University Press


Old techniques, new results

Cooking class at schoolAnna Silva has been a language teacher for over 20 years in Brazil, teaching in state and language schools. In this article, she looks at ways of reinforcing vocabulary and grammar through practical application for young learners.
It seems that children can learn another language fast; however, they forget as quickly as they learn. So teachers try to find ways to keep young children interested and at the same time help them learn and use the knowledge acquired.
Is there a magic formula to help us?
Over the years, I have developed several projects and I repeat some of them year after year because I do see good results. One of these projects is our cookery classes. I have noticed that cooking really holds the students` attention and helps them memorize vocabulary related to food and verbs related to instructions. Parents have also expressed how surprised they are when they are abroad and see their children mastering the use of simple structures and daily expressions or words. One of these parents was especially amazed because he saw his son asking a waiter for a straw as naturally as if he was using his first language.
In our cookery classes, we follow some steps which I think are crucial to enrich the learning process: introduce the ingredients/ vocabulary, explain the steps, ask students to repeat and explain by themselves what was taught, make the recipe, taste, take a sample home along with the recipe and do a follow-up activity.
As scientists have emphasized the importance of using as many senses as possible to help our brain retain the information taught, the classes are completely practical and the hands-on technique is of crucial importance. Besides this, the very act of cooking brings joy and a lot of laughter to our classes.
The follow-up activity can be a simple and entertaining exercise like a crossword puzzle or  ‘match the columns’, ‘circle the ingredients used’ and ‘put the instructions in the correct order’; but it´s another important step to help them look over what was taught. Howard Gardner proposed that teachers shouldn’t give priority to any one type of intelligence, but that, on the contrary, all types should be catered for in every single class. We can easily follow this advice in any cooking class because students are asked to listen, read, see, make things, walk, taste, and speak.
Another project which complements the cooking class is the gardening project. Every semester, we teach the vocabulary related to gardening: soil, flowerpot, seeds, etc. After this traditional teaching, students not only plant the seeds but often follow their growth. Sometimes we even use them in our cookery classes or just make a flower pot.
Two of our gardening experiences were remarkable: planting tomatoes and strawberries. The tomatoes were used to make a pizza and a smoothie was made with the strawberries. Flowers were also a good idea, since the violets grown were given to their mothers as gifts for Mothers’ Day in May.
The cookery classes help me teach all the vocabulary related to food, which is absolutely fundamental to everyday conversation. The gardening classes are also helpful, not only in what refers to food vocabulary, but also in developing environmental awareness. On Water Day, for instance, we discussed the importance of water for our existence and elicited ways to save water, as well.
Although I love using technology in my classes, I do think that nowadays these activities outside the classroom are a way to surprise students, break the routine and teach new vocabulary effectively! Why don´t you give it a try?

Publicado em: http://oupeltglobalblog.com/2012/12/20/old-techniques-new-results/
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Hora de dormir


Desde crianças, ouvimos falar da importância do sono e vários especialistas estão sempre elucidando e motivando as pessoas a terem qualidade de sono, pois  essas horas são essenciais para a saúde. Concomitantemente, discutimos sobre o número de horas que nossos adolescentes passam na internet especialmente durante a noite e os malefícios que essa vigília pode trazer para a saúde; entretanto, pergunto e as crianças e bebês? Quantas horas deveriam dormir por dia? Essa jornada de sono pode ser a qualquer hora?
Como educadora, limito-me a afirmar que o ritmo na vida da criança é essencial para que ela se desenvolva com saúde e segurança, pois a oscilação e falta de parâmetros a confundem. Os pediatras, normalmente, aconselham a manter horários de refeições, vigília e atividades em geral bem distribuídos e constantes.
Embora, não seja da área médica, sei que vários especialistas têm preconizado a importância do sono e os sintomas que a abstenção dele pode provocar. Estes sintomas vão desde dores de cabeça, falta de concentração, mau humor até problemas de pressão e outros mais sérios. O pediatra Moises Chencinski afirmou em  entrevista para a ATRevista  que a criança que não dorme direito pode ter alterações de humor e apetite, desatenção nas atividades escolares e cotidianas e problemas de crescimento pois é enquanto dorme que ela consolida a memória e fixa o que aprendeu durante o sono. Além disso, segundo o pediatra, o pico do hormônio GH ( do crescimento) é noturno, portanto se não há bom sono a altura esperada pode não ser atingida.
Apesar de tudo isso, esta semana verifiquei um fato preocupante: crianças de um ano num barzinho de madrugada. Abismada com  o bebê sentado num cadeirão em frente à minha mesa, comecei a observar à minha volta. Para minha surpresa, o pequeno bebê não era uma exceção, mas era a regra geral. Vários pais com crianças entre 1 a 7 anos, sentados na mesa de um bar, bebendo, conversando alto, música tocando e o mais surpreendente à uma da manhã. Algumas crianças já esfregavam os olhos com sono, outros resmungavam um pouco e outros bem  acordados prestando atenção a tudo.
Sinal dos tempos??? Estarei ficando velha??? De fato, hoje em dia, as crianças estão muito mais espertas e, exatamente, por isso precisamos tomar muito cuidado com o que elas veem, que tipo de energia circunda o ambiente ao redor delas e zelar pelo bem estar dos pequenos. Compreendi porque tantos pais reclamam que as crianças não vão dormir cedo e culpam a televisão como se este aparelho tivesse vida  própria e ficasse ligado sozinho. Criança tem que ir para a cama todo dia no mesmo horário e cedo, almoçar no mesmo horário e, cá entre nós, quem manda? A televisão que se mantém ligada sozinha?
No carnaval, eu estava saindo de casa e encontrei com um casal no elevador com uma menina de três anos linda em sua fantasia de fada. Fiquei chocada, eram 22 horas e eles estavam indo para um tenda na praia. Como assim?? Como uma exceção devido ao feriado, eles poderiam estar chegando com ela em casa! E, ainda  acrescentaram: “Ela não dorme cedo mesmo.”
Difícil compreender, numa era em que se preconiza que  querer é poder e podemos ter tudo o que quisermos,  que os pais não consigam uma coisa simples como fazer seus filhos dormirem cedo. Conseguem dar conta de jornadas triplas, manter –se plugados,gerir grandes empresas e negócios, resolver uma infinidade de problemas e não conseguem gerir a hora de sono dos seus filhos.
Filho é uma responsabilidade para o resto da vida e zelar pelo bem-estar e saúde também. Talvez, eu esteja ficando velha mesmo....vamos ver daqui a alguns anos o resultado.
Hora de dormir ou hora de acordar?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Nós não precisamos disso.

Desembarque  de um cruzeiro, todos os passageiros felizes e relaxados. Será? Eu estava com meus filhos na fila para pegar um táxi, de repente ouço um senhor dizendo para a família:"Sigam-me, nós não precisamos disso." Dirigiram-se para a frente e tentaram pegar o táxi que estava chegando. O funcionário da CET que estava organizando a distribuição dos passageiros e a entrada dos táxis no Concais não permitiu que ele colocasse a bagagem no carro e explicou que era necessário respeitar a ordem da fila. Dali mesmo, ele discou para um rádio-táxi que provavelmente respondeu que não poderiam entrar no Concais para apanhar um determinado cliente e que ele teria que aguardar na fila onde havia um grande número de táxis.
Foi muito interessante analisar que a fila andava rapidamente enquanto ele discutia com vários funcionários da CET e do próprio Concais porque Ele tinha o direito de chamar o táxi que quisesse.
Bem,  chegou minha vez, peguei meu táxi e ele e a família permaneceram por lá discutindo. Já no carro, conversei com meus filhos sobre o absurdo dessa ideia de "Nós não precisamos disso!" Chegamos a conclusão que foi um caso de total desrespeito ao próximo, um ego inflado ao extremo achando-se superior a todos e excesso de orgulho.
Para os pais, fica o alerta, seus filhos estão prestando muita, mas muita atenção mesmo em tudo o que vocês fazem, por isso, aprendemos mais com o exemplo do que com as palavras. De nada, adiantará a professora da educação infantil ensinar que cada criança precisa respeitar o lugar na fila para os brinquedos, para o lanche e para o banheiro, se os pais ensinam que sempre existe um jeitinho e que gritando, podemos conseguir tudo, não importa o outro.Cuidado!