quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Amor com amor se paga

A gente se esforça, tenta agradar  e o tiro sai pela culatra. Presenteei meu filho  intercambista com um gibi em português. Ele disse que será ótimo para aprender português. Mas, em contrapartida, me convida a fazer o mesmo com um gibi em alemão…OMG..Como sair desta sinuca?
Num outro momento, eu estou explicando que preposições são mais difíceis que verbos. Então, ele me pede para fazer um quadro e …Surpresa!!! Ele escreve em alemão e quer que eu aprenda.
Definitivamente, ele está decidido a me fazer aprender alemão. E tenho que confessar eu estou adorando estar sentindo o mesmo que meus alunos sentem. Queridos alunos, sintam-se vingados!!! Estou sendo vítima de meus próprios métodos!!!
A questão que não quer calar é: Será que terei que fazer redações também???
Existe em inglês um provérbio que diz “Where there´s a will, there is a way” que  numa tradução livre significa onde há  boa vontade, há um caminho. Podemos arrumar mil e uma desculpas para deixarmos  algo para depois ou não ajudarmos alguém. Por outro lado, simples atos podem transformar o dia de alguém. Por exemplo, meu filho está num intercâmbio em Taiwan. A host mother dele não fala português nem inglês e eu não falo mandarim. Mas, como onde há boa vontade, tudo se consegue, esta mãe encontrou uma forma de apaziguar meu coração de mãe. Ela me manda fotos, muitas fotos. Tudo o que ele faz, ela me passa por mensagem. Nunca nos falamos mas nos entendemos. Ou seja, quando o desejo é verdadeiro, achamos o caminho.
O Programa de intercâmbio do Rotary objetiva promover a Paz entre os povos.  E consegue. Pessoas e famílias que nunca se viram, de repente, choram juntas, riem, desabafam problemas, ajudam uns aos outros e criam laços afetivos. Um único intercambista transforma o grupo social que ficou e o que irá recebê-lo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Em intercâmbio

Como ensinava Alca de Sant`Anna, temos que estar alertas para perceber e diferenciar as mudanças de ciclo das mudanças de fases.
Neste momento, estou iniciando uma mudança de fase. Meu filho está indo morar em Taiwan por um ano e, em contrapartida, estou recebendo um novo filho em minha casa vindo da Alemanha.
Posso dizer com convicção que tem sido uma experiência gratificante e enriquecedora. De um lado, meu coração se contrai de saudade do filho que está partindo. De outro, meu coração, expande-se de alegria para receber meu novo filho que aterrissa no Brasil cheio de expectativas e os olhos brilhando de curiosidade.
Na qualidade de pesquisadora na área de Bilinguismo, meu cotidiano transformou-se num grande laboratório onde línguas, culturas e comportamentos são comparados e aprendidos. Muito tenho aprendido e compartilhado numa interação harmoniosa e alegre. Hoje meu lar está definitivamente globalizado com aspectos multiculturais e linguísticos. Todos amadurecemos e aprendemos nesta rica experiência. Como eu afirmei para a família alemã: somos famílias em intercâmbio e encaro esta experiência como um dos grandes presentes que recebi nesta vida.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As Histórias se repetem..

Um dia meu pai me contou porque veio para o Brasil e foi assim:
O professor disse para o pai dele, meu avô, que ele deveria ir estudar numa outra cidade, pois nada mais havia para ser ensinado no vilarejo onde eles moravam e que meu pai era muito bom. Meu avô respondeu que ele não precisava estudar pois tinha muita terra para arar. Após alguns anos naquela vida, meu pai disse para  uma amiga da mãe  que não gostava daquela vida de terra. Esta senhora  lhe  disse que se ele queria ir embora de Portugal, ela iria falar com a irmã de minha avó que morava no Brasil. E, assim, essa senhora, não só fez contato como  convenceu o marido a emprestar o dinheiro  para meu pai vir para o Brasil. Assim, meu pai, foi muito bem recebido pelo casal de tios e mandou o dinheiro da passagem de volta para esse senhor.
Ao ouvir essa história, entendi porque  meu pai sempre nos motivou tanto a estudar. Em casa, nunca houve economia para estudar. Não é a toa que eu e meu irmão  fizemos mais de uma faculdade e cursos de línguas, extensão e pós. Eu estudava inglês quando muitos poucos faziam. Meu irmão fez um dos primeiros cursos de computação que surgiram na região. Estudar era sempre primordial.


Continuei com esse hábito com meus filhos: livros, cursos, escolas, viagens, esportes, música…tudo de primeira, sem economia em educação. Hoje lá vai meu filho para o outro lado do mundo. Minha mãe dizia que as histórias se repetem em família. Talvez seja verdade. Meu filho parte em busca de conhecimento, experiências e claro, diversão! Afinal, nem só de pão vive o homem. Seja feliz meu filho!

sábado, 24 de setembro de 2016

Gravidez expressa em tempos modernos

Uma gestação muito rápida aproximadamente dois meses… nesta era de informática e tecnologia nem poderia ser diferente, tudo está muiiiito acelerado….receber a confirmação foi uma alegria..mas com tudo que tem direito: nervosismo, ansiedade, medo, preparação, muita alegria e emoção. Este período  foi agitadíssimo pois envolveu muita ação: diálogos, enxoval, decoração do quarto em suas minúcias de detalhes, reserva de matrícula na escola, planos para o futuro e correria. Assim, após este período recorde de gestação: ele surge! Felicidade  completa e ansiedade…querendo fazer tudo num único minuto! Lá veio ele sorrindo, sim não chegou chorando, mas sorrindo..só não falava..português..ainda!   Mas, o sorriso, definitivamente está no DNA da família..cada um dos meus filhos tem um sorriso que me quebra.. quase impossível dizer não. E este não foi diferente.
A sinergia foi tanta que tínhamos a impressão que ele sempre fez parte da família. Mas, como diz meu filho mais velho “ Filho de professora sofre!” Ele afirma isso porque a cobrança é grande. Estudar não é uma opção, sempre será uma obrigação. Nesta linha, o mais novo não foi exceção. Apesar do conselho de “Pegar leve”, o lado professora é mais forte.
O lado positivo é que a aprendizagem é bem mais rápida e flui naturalmente. Lista de palavras com figuras, colantes com as palavras por toda a casa, jogos, mensagens, notícias de jornal e muita vontade de aprender compõem um ótimo terreno para a aprendizagem. A imersão por si só não é suficiente, por isso um trabalho pedagógico constante acelera a aprendizagem sem deixar de mencionar a coragem de ousar e expor-se a erros e acertos sem medo de ser feliz!
É muito bom ser presenteada com um filho especialmente quando já vem crescido e  muito bem educado. Algumas pessoas me disseram  que a pior parte do intercâmbio é receber um estranho em casa. Eu sempre achei que essa seria a melhor parte  especialmente para quem fica. E tinha razão. Na verdade, acho que de estranho ele nunca teve nada. E aqueles que acham que a  mãe relaxa com o mais novo..estão redondamente enganados: continuo chata e exigente: onde vai, com quem vai, tantas horas em casa, vou buscar , vou levar, está chovendo, uns mimos pelo bom comportamento e  o meu famoso bordão: Juízo!!!!
É, acho que logo logo ele vai pedir divórcio de mãe!



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Técnica para não chorar no aeroporto

Se uma mãe normal costuma fazer um check list antes do filho sair de casa do tipo: está levando documentos, dinheiro, chave, celular e lembre-se de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua ou melhor lembre-se de tirar os olhos do celular antes de atravessar a rua, antes de uma viagem internacional, a lista de cuidados  torna-se exponencialmente superior.
Meu filho estava prestes a fazer uma viagem de um ano para  Taiwan.  Após um ano  de preparação entre exames de seleção e pilhas de documentos, finalmente chegou a semana do grande dia.
Para não fugir à regra, ele deixou para fazer a mala na véspera. Veja bem: ele não ia passar alguns dias fora…ele ia quase para outro planeta!! Eram 40 horas para chegar ao destino e por incrível que isso possa parecer, era também uma viagem no tempo..ele estaria sempre um dia na minha frente.
Além de todas aquelas recomendações típicas de mães, eu tinha uma lista bem maior..Fui desembaralhando papel por papel, organizando documentos, lista de itens importantes e cobrando “–Já desbloqueou o cartão? Guardou o dinheiro? Separou isto..comprou aquilo?” E a resposta com cara de enfado sempre vinha –“ Amanhã, mãe!”
Restou-me tentar confiar naquela cérebro  de TDAH ou simplesmente cabeça de vento como diria minha mãe e permanecer perguntando e lembrando. Antes de sair, mais uma checagem “_Filho, tem certeza que você está com a passagem e o passaporte?” E, com cara de fastio,  ele respondeu e mostrou “_Aqui, mãe!”
E lá fomos nós, após uma hora de viagem rumo ao aeroporto, o cara pergunta “_Mãe, você tà com o dinheiro, né?” E eu em desespero digo, “_Você tá brincando!! Claro que não!!!!” Como alguém vai para o outro lado do mundo e não leva dinheiro nem cartão????
Bem, foi  como diz o povo um pegapacapá, retornamos?, haverá tempo para não perder o voo? Voltamos ou não??? Desespero, ansiedade dor de barriga, suadouro e medo. Angústia e adrenalina a todo vapor.
Resumindo: um longo período de sofrimento. Finalmente, consegui vê-lo nos últimos segundos do check –in, entregando a mala e correndo para o portão..Que  felicidade!!Nunca vi uma mãe tão feliz e aliviada numa despedida como eu naquele momento. O sorriso dele ao atravessar o portão era hors concours, inigualável tanto quanto meu suspiro de alívio…”Deu tempo!!”
O pior de tudo isso foi ouvir três dias depois quando ele chegou ao destino: ”Mãe, você chorou?”  E, ao responder, “Para ser sincera, fiquei tão aliviada que deu tempo que nem chorei!!” E ele atrevidamente repete ”Essa minha  técnica foi infalível, não foi???
PQP, só se foi técnica para testar meu coração!! E sim passei no teste!! Pena que vou ter que esperar um ano para dar a surra que ele merece!!!




quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Por amar demais

Frente a um ano do outro lado do mundo num programa de intercâmbio, eu me preocupava com a bronquite e com as enxaquecas de meu filho. Em nenhum momento, temi a barreira da língua e da cultura. Sabia que com aquele jeito quieto e observador, ele venceria as barreiras. Afinal, eu sempre disse que podemos ter tudo o que realmente quisermos. E lá se foi, aquele moleque..quase para outro planeta...nem me surpreendi.. desde pequeno disse que queria voar.....eu sabia que seria assim...
Não basta querer, a gente tem que desejar, sonhar, e buscar os meios de conseguir..E, assim, meu “ bebê “, correu atrás de documentos, exames, estudos, conhecimento e aprendizado de língua e cultura...é bem difícil, mas cá entre nós, se fosse fácil, ele não ia querer.
Nós pais, se pudéssemos, colocaríamos nossos filhos numa redoma para que não sofressem. Entretanto,  se assim o fizéssemos não os estaríamos protegendo, mas impedindo que vivessem. Como disse Alca de Sant´Anna em uma das suas crônicas “ Só não se frustra quem não tem projetos existenciais e consequentemente permanece estagnado. É melhor uma lista de frustrações, por mais duras que sejam, do que uma página em branco, sem aspirações, atitudes, enfrentamentos.
Ao chegar em seu quarto, no seu novo mundo, na sua nova vida, me passou um what´s app com uma foto. Ele viu a mensagem que dizia “Se você está  feliz, eu também estou” e lembrou de mim! É isso aí, se você está feliz eu também estou. Amar é deixar que o ser amado parta para explorar “mares  nunca dantes navegados”, como poetizou Luis de Camões, mesmo que isso doa muito. Resta-me cantar como no Trovadorismo, as cantigas de amigo para aplacar a saudade. A história se repete como  na dos  meus antepassados,  e o sentimento misturado de amor, saudade e orgulho vão  fluindo em grande sinergia. Às vezes, parece fácil, outras vezes nem tanto. Mas, como dizia minha mãe ”a tudo se acostuma nessa vida”.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Séries de TV em sala de aula

Já ouviu alguém dizendo que “os alunos  não são mais como eram antigamente”. Claro que não são, pois as pessoas mudam e plagiando o título de um filme antigo..” E assim caminha a humanidade…todos mudamos, logo nem os alunos, nem os professores e, portanto, nem a escola, continua igual. Crianças e adolescentes não sustentam  o foco de forma semelhante ao dos adultos, então como mantê-los interessados na aula?
Partindo desta ideia, atribuí uma tarefa a cada grupo: observar vestimenta, trabalhos realizados e vida social. Com o foco em mente, mostrei uma  cena do Downton  Abbey. A série se passa em sua maior parte em uma propriedade fictícia, localizada em Yorkshire, chamada Downton Abbey e segue os Crawley, uma família aristocrática inglesa, e os seus criados, no início do século XX, a partir de 1912. a audiência é considerada alta para uma série de época e recebeu diversos prêmios e indicações desde a sua primeira temporada. Tornou-se a série de época britânica de maior sucesso desde Brideshead Revisited, de 1981,6 e entrou no Livro Guinness dos Recordes de 2011 como o “programa de televisão em língua inglesa mais aclamado pela crítica ( ref. Wikipedia). Discutimos a cena  comparando o estilo de vida da época com o atual e um pouco de gramática com o uso de used to.
Numa outra etapa, discutimos sobre nomofobia.  Nomofobia vem de NO MOBILE e  é o termo usado para descrever a fobia ou sensação de angústia que surge quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incontactável estando em algum lugar sem seu aparelho de celular ou qualquer outro telemóvel.
Cada aluno foi dizendo como se sente sem tecnologia e internet. Discutimos o uso em áreas públicas incluindo riscos de furtos e à própria vida devido à acidentes causados pela distração.
A seguir, mostrei uma cena  de The Walking Dead, a série que é uma febre entre o público jovem.A sinopse descreve  um Apocalipse que provoca uma infestação de zumbis na cidade de Cynthiana, em Kentucky, nos Estados Unidos, e o oficial de polícia Rick Grimes (Andrew Lincoln) descobre que os mortos-vivos estão se propagando progressivamente. Ele decide unir-se aos homens e mulheres sobreviventes para que tenham mais força para combater o fenômeno que os atinge. O grupo percorre diferentes lugares em busca de soluções para o problema.
Concluímos que  filmes de zumbis, vampiros e  novas sociedades ( como as séries Divergente, Maze Runner  ou Jogos Vorazes)  fazem sucesso porque dão sentido a este mundo contraditório que por um lado avança  em tecnologia,  mas, simultaneamente,  desfaz ou quebra as  relações humanas apesar da constante conexão virtual. Neste contexto, a solidão profunda alia-se a deterioração ecológica num mundo onde a degradação humana e ética evidenciam-se.
Objetivos alcançados: alunos refletindo sobre a vida e interessados.
link:
https://www.youtube.com/watch?v=G_pgndlBfRc