sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Crônica de despedida


Estava numa festa bem familiar quando a aniversariante aproximando-nos de nós comenta como gosta daquele bolo. Ela ainda acrescentou que, certo dia,  uma colega de trabalho levou para a redação um bolo para comemorar o aniversário e, minha amiga, gostou tanto que logo pediu o telefone de quem fez. Uma senhora que nos ouvia disse-me;”Antigamente, quando gostávamos de algo, pedíamos a receita. Hoje, pedimos o número do telefone.” Rimos juntas,  eu ainda acrescentei que antes quando queríamos manter  contato com alguém, pedíamos o telefone, hoje pedimos o e-mail.
Várias de nossas rotinas estão mudando drasticamente e num ritmo tão louco que mal percebemos. Antes memorizávamos os números de telefone das pessoas com quem mais falávamos, agora, embora andemos com o celular na mão, não somos nada sem esse minúsculo aparelho.
Quando fiz Letras, passava tardes ou dias inteiros na biblioteca fazendo pesquisas e redigindo trabalhos, hoje, em contrapartida, até os trabalhos em equipe são feitos virtualmente.
De todas essas mudanças, só lamento a perda do trema. Morreu! Tá enterrado! Agora só o tempo ajudará a superar esta perda irreparável. Ele me deixou quase sem prévio aviso. Senti falta do acento de estréia, assembléia e principalmente de idéia. Porém, já me acostumei com a ausência deles. O tempo tudo cura!! Aprendi a viver sem eles quase tão devagar quanto com a ausência do acento circunflexo em voo e semelhantes, embora ainda com certo enjoo ao escrevê-los. Gosto mesmo é  do meu amigo têm que permaneceu enlouquecendo algumas pessoas, mas me fazendo feliz.
O hífen me enlouquece! Já não sei mais se uso o hífen ou se coloco tudo junto. Até porque micro-ondas me confunde tanto que só com autoanálise  entenderei estas regras. Será que entenderei?
Entretanto, o que me tortura mesmo é o fim do meu amigo trema  ¨. Depois que ele se foi freqüente nunca mais foi o mesmo. Não sei quanto a você, mas ainda não consigo ficar tranqüila sem este trema. E comer lingüiça então? O jeito foi eliminar a lingüiça do meu cardápio não só alimentar  mas também literário. Não consigo engoli-la sem trema. Está assim sem gosto e com uma aparência muito estranha. Bem, mais estranha a idéia de escrever idéia sem acento. Quem teve essa ideia absurda?? 

2 comentários:

  1. Adorei! Também sinto o mesmo...

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    1. Foi uma crônica saudosista mas que realmente retrata avida como ela é!

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