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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
ChatGPT e as profissões atuais
Já ouviu falar em Chat GPT? Trata-se de um software que gera conteúdo completo com o simples digitar de algumas palavras chaves. O texto criado é muito em geral muito bem elaborado sendo capaz de criar também música e poemas com pedido feito por áudio ou por escrito. Alguns jornalistas já estão usando para redigir notícias simples meio robotizadas mesmo. A questão é se este software avançado poderá substituir redatores, editores, jornalistas, escritores, advogados e artistas?
Como já se vem discutindo há algum tempo a Inteligência Artificial irá sim ser capaz de fazer muitos trabalhos ou tarefas de criação que são feitos por seres humanos atualmente. Foi realizado um teste no Brasil em que as questões do Enem 2022 foram aplicadas no programa. Se ele fosse um aluno, estaria na média dos alunos brasileiros. Algumas questões foram resolvidas de forma errônea, outras não foram resolvidas e a redação foi considerada sofrível, ou seja não passaria para Medicina, mas passaria para outras carreiras cuja nota de corte é inferior.
Feitas estas colocações, é claro que o software será ajustado e conseguirá ser aperfeiçoado. O que será dos empregos? As pessoas têm que começar a pensar em recolocação e mudança de carreira. Como este processo não é rápido, está mais do que na hora de buscar outras qualificações.
E como fica a educação e a escola para as novas gerações? Aquela tecla que temos batido incessantemente, a escola tem que desenvolver as habilidades que a IA ainda não consegue realizar: trabalho em equipe, empatia, liderança inteligente, análise de problemas, solução de conflitos, desenvolvimento de network, inteligência emocional, flexibilidade e raciocínio crítico levando em conta variáveis subjetivas.
NOTA: Para mais reflexões, ouça o Podcast Avanços da inteligência Artificial do POD ISSO, meninas? na sua plataforma favorita.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
A Copa perdida
Perdemos o jogo. E agora? As crianças e muitos adultos também precisam aprender a lidar com frustrações e o caminho é esse mesmo o de vivenciar perdas. Tal Ben-Shahar costuma dizer que não é que tudo acontece para o melhor, mas, sim, que podemos obter o melhor de tudo que acontece. As pessoas mais bem sucedidas sabem que não é a adversidade em si, mas o que fazemos com ela que determina o nosso destino. Mais uma vez, faço citações deste livro que amei e super recomendo para todos : O jeito Harvard de ser feliz. Como você reagiu ao ver o Brasil desclassificado? Analisar esse efeito pode mostrar como você enfrenta a adversidade.
domingo, 13 de novembro de 2022
Dicionários, ordem alfabética e eleições
Eis que era dia de votar, a fila estava enorme, as pessoas que trabalhavam convidavam os mais velhos a ocupar uma cadeira mais na frente. Sento na sala, com meu título de eleitor , observo a sala como um todo e descubro o motivo da fila interminável e demorada. Você passou por isso ?
Então, a mesária simplesmente não era capaz de procurar e encontrar os nomes em ordem alfabética. A cada eleitor que votava, ela fechava o livro com os nomes e comprovantes de votação e recomeçava a olhar um por um. Eu via aquela cena e pensava: - Meu Deus, ela já ouviu falar em ordem alfabética?
Na mesma semana, um rapaz me contratou para dar algumas aulas de forma ajudá-lo a passar em um exame seletivo para um mestrado e o que eu descobri? A dificuldade dele é que não é capaz de encontrar palavras em um dicionário e a prova que ele faria permitia o uso apenas de dicionários impressos.
Nosso cérebro tende a categorizar ítens para que possamos memorizar melhor. Por isso, organizar tanto os ambientes como nossas ideias é muito importante. Experimente praticar organizar livros, CDS e qualquer lista em ordem alfabética sem ajuda de apps porque a ideia é exercitar o cérebro.
Por isso, sugiro que voltemos a ensina às crianças a usar dicionários, pois afinal nem sempre temos acesso à internet e a computadores.
Sugiro algumas atividades animadas para praticar ordem alfabética:
1- Os alunos, em pé, devem se organizar em ordem alfabética segundo o primeiro nome, depois o sobrenome, o dia de nascimento, o mês. Esta atividade fará com que conversem. logo estarão também se socializando. Gosto de iniciar o ano letivo com ela.
2- Dividir a classe em grupos, distribuir dicionários. O professor diz a palavra e o primeiro grupo que começar a ler a definição corretamente ganha um ponto.
3- Com dicionários e competição entre grupos, peço que encontrem e expliquem em voz alta uma palavra nova começando com uma letra escolhida previamente pelo professor.
4- Outras vezes, dependendo do livro que estamos lendo, peço que me digam em que página está a palavra que sugeri.
5- Uma outra possibilidade, especialmente em um idioma diferente, peço que encontrem e digam qual é a classificação da palavra: substantivo, adjetivo, advérbio.
Há muitas possibilidades de trabalhar com dicionários de forma lúdica e ativa. Você tem outras ideias? Compartilhe nos comentários.
sábado, 5 de novembro de 2022
E eu perdi para o celular....
Você já olhou para a sua classe que percebeu que todos olhavam para seus celulares? Você olha o celular enquanto assiste uma aula? Se você respondeu sim a estas perguntas, é com você que eu quero falar.
Não tenho dados estatísticos, mas atualmente vejo que meus alunos olham muito mais para o celular que para o professor. Percebo que antes os aparelhos ficavam no bolsa ou bolsa, porém atualmente já acompanham o material escolar em cima da mesa. E aí, resta a minha pergunta: quais as consequências dessa atitude?
Fiz uma atividade com meus alunos, primeiramente passei o link de um quiz para verificar o quanto a pessoa estaria addicted ao celular? Fiz com eles simultaneamente e todos se surpreenderam com o resultado, inclusive eu mesma. O quiz divide os resultados em três categorias e a maioria de nós estava altamente dependente. Assustador!
A seguir, propus um teste. Todos colocaram o celular em uma caixa e eu dei meia hora de aula. Após esta primeira etapa, perguntei como se sentiam. Eles me responderam que a princípio ficaram muito ansiosos, porém perceberam que prestaram muito mais atenção na aula. Ou seja, eles se conscientizaram de como o celular atrapalha o foco e, logo, a aprendizagem.
Antes de devolver, coloquei todos os celulares em uma caixa transparente e deixei-a num ponto da classe onde todos podiam vê-la. Após trinta minutos, voltei a perguntar como se sentiam e me responderam que o fato de ver o celular e não poder olhar as mensagens deixou-os mais ansiosos.
Conversamos bastante sobre as vantagens e desvantagens do celular e da tecnologia. Procuro planejar as aulas com atividades bem variadas e que mantenham os alunos entretidos.. Entretanto, confesso, que continuo perdendo minutos preciosos para o celular.
Espero que consigamos encontrar um equilíbrio, mas enquanto este ponto não chega, discutir o assunto ainda é o melhor caminho, eu creio.
Imagem: https://br.depositphotos.com/57403861/stock-photo-modern-young-man-with-mobile.html
Quiz: https://www.amexessentials.com/cell-phone-addiction-quiz/
domingo, 11 de setembro de 2022
Independência ou efeito manada?
Na semana ou até, mais amplamente falando no mês do Bicentenário da Independência, penso que falar da independência intelectual é essencial. Porém, o que é independência intelectual?
Lembro-me bem que na minha segunda faculdade, comprovei que realmente vamos à faculdade para aprender a pesquisar ou seja aprender a buscar o conhecimento. Mais do que em qualquer outro segmento da educação, é na faculdade que aprendemos com nossos professores e orientadores a encontrar o caminho das pedras para o conhecimento.
Desde os primeiros anos escolares, os professores vão nos ensinando a trabalhar em equipe e a planejar e desenvolver projetos. Mas, é na universidade que realmente nos tornamos independentes . O professor ou orientador está lá para nos provocar, nos fazer pensar, sugerir, indicar, enfim apresentar as possibilidades infinitas de caminhos a trilhar.
Saber fazer perguntas é mais difícil e fundamental que respondê-las , já dizia uma professora que tive no ensino médio, porque você tem que ter um conhecimento mínimo para poder formular questões.
Minha orientadora do meu último TCC, era PHD em fazer perguntas que me levavam a pensar muito e pesquisar. Amei esta experiência. Saía de cada reunião com a cabeça fervilhando de dúvidas e curiosa por respostas. Claro que ela indagava e sugeria como chegar às respostas ou pelo menos por onde começar. Aprendi muito ao longo do meu TCC sobre pesquisa muito mais do que sobre o tema.
Esta independência intelectual é importantíssima para frear um pouco o efeito manada. Este fenômeno comportamental ocorre pela lei do mínimo esforço e pela busca do cérebro em economizar energia. Porém, este “ todo mundo tá fazendo, então vou fazer também” é muito perigoso.
Alguns cuidados devem ser tomados e fazer questionamentos auxilia muito em nossas escolhas. Temos a tendência, até instintiva e primitiva, a acreditar que se todos estão fazendo é porque está certo. Por isso, uma das missões da escola hoje em dia é desenvolver o pensamento crítico . Creio que a independência do efeito manada é a maior conquista. A tecnologia tornou as pesquisas muito mais acessíveis embora também leve a erros. Independência é liberdade de escolha. Faça a sua, especialmente em ano de eleições no Basil.
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Aprender letra cursiva ? Para quê?
Durante a tarde de autógrafos do lançamento de meu livro, várias pessoas admiravam a minha letra enquanto eu escrevia as dedicatórias. (Nem acho minha letra bonita, até porque não sou professora alfabetizadora, então escrevo sempre com pressa, rapidamente). Aqueles comentários me fizeram refletir.
Então, fiz uma pequena pesquisa nos stories do meu instagram provocando as pessoas a me dizerem quando foi a última vez que efetivamente escreveram algo à mão. Foi surpreendente, especialmente para mim porque, como professora, tenho lápis, canetas e papéis em todas as minhas bolsas. A maioria das pessoas não sabia dizer.
Esta estatística, ainda que informal, me assustou porque estudos ( deixarei o link de um deles ao final, mas há vários) defendem que o ato motor de escrever não só traz benefícios para a coordenação motora fina, como ativa áreas cerebrais que a digitação não consegue atingir.
Hoje em dia com os exames de imagens, as investigações em Neurociências têm crescido muito e esse dado é fundamental. Nossas crianças ´precisam continuar a aprender a letra cursiva e os outros tipos como a bastão, por exemplo, mas também fazer uso dessa técnica de escrever para auxiliar nosso cérebro na memorização.
Por isso, sempre faço atividades em classe que levem os alunos a escrever mais. Faço ditados engraçados, wall dictation, board running e tantas outras. Também procuro incentivá-los a escrever para aprender fazendo flashcards e listas. Escrever fazia parte do nosso cotidiano. Claro que hoje digitamos muito mais que escrevemos. Eu mesma não faço mais lista de supermercado, preencho a planilha e vou olhando no celular. Na verdade, primeiro vou colocando no carrinho para exercitar minha memória e antes de ir ao caixa, confiro a planilha.
Por outro lado, mantenho agenda, diário e várias notas no escritório. Tenho incentivado meus alunos a manterem um diário no papel. Eu digo que este não cairá tão facilmente na mão de um hacker. Até mostro um filme interessante ( O sentido da Vida – Netflix)sobre uma moça que perdeu a memória e se redescobre a partir de seu próprio diário.
Só posso sugerir, escreva mais!
Ose Askvik E, van der Weel FRR, van der Meer ALH. The Importance of Cursive Handwriting Over Typewriting for Learning in the Classroom: A High-Density EEG Study of 12-Year-Old Children and Young Adults. Front Psychol. 2020 Jul 28;11:1810. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01810. PMID: 32849069; PMCID: PMC7399101.
domingo, 28 de agosto de 2022
Ativando o cérebro
Nosso cérebro adora ficar na zona de conforto para economizar energia, afinal ele consome 20% de energia do total que nosso corpo precisa. Porém, é como se um alerta geral surgisse quando fazemos algo novo. Para nós, educadores, este é o momento de ensinar algo: quando nosso cérebro estiver mais atento.
Assim, andar para trás ajuda nosso cérebro a ficar em alerta porque algo diferente está acontecendo. Também é importante mencionar que atividades físicas são essenciais para o processo de memorização, bem como compartilhar momentos com outras pessoas.
Uma atividade que costumo fazer para ajudar os alunos a memorizarem novas palavras é organizar uma competição em que os alunos andam de costas até palavras escritas ou coladas em um quadro. A competição, os pontos e as risadas ativam a área de recompensa do cérebro. É uma ótima forma de começar a aula e rever o que foi aprendido.
Neste dia, escrevi várias palavras que compõem idioms aprendidas anteriormente e eu dizia o verbo e os alunos de costas corriam até a lousa e circulavam a palavra apropriada. Também, para turmas iniciantes, mostro figuras e peço que eles encontram a forma escrita ou faço como ditado mesmo eu falo e eles encontram palavras ou figuras fixadas na lousa. Há muitas formas de desenvolver a atividade, mas é importante que eles andem ou corram para trás e que criemos um ambiente lúdico e engajador.
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