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segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Aprender letra cursiva ? Para quê?
Durante a tarde de autógrafos do lançamento de meu livro, várias pessoas admiravam a minha letra enquanto eu escrevia as dedicatórias. (Nem acho minha letra bonita, até porque não sou professora alfabetizadora, então escrevo sempre com pressa, rapidamente). Aqueles comentários me fizeram refletir.
Então, fiz uma pequena pesquisa nos stories do meu instagram provocando as pessoas a me dizerem quando foi a última vez que efetivamente escreveram algo à mão. Foi surpreendente, especialmente para mim porque, como professora, tenho lápis, canetas e papéis em todas as minhas bolsas. A maioria das pessoas não sabia dizer.
Esta estatística, ainda que informal, me assustou porque estudos ( deixarei o link de um deles ao final, mas há vários) defendem que o ato motor de escrever não só traz benefícios para a coordenação motora fina, como ativa áreas cerebrais que a digitação não consegue atingir.
Hoje em dia com os exames de imagens, as investigações em Neurociências têm crescido muito e esse dado é fundamental. Nossas crianças ´precisam continuar a aprender a letra cursiva e os outros tipos como a bastão, por exemplo, mas também fazer uso dessa técnica de escrever para auxiliar nosso cérebro na memorização.
Por isso, sempre faço atividades em classe que levem os alunos a escrever mais. Faço ditados engraçados, wall dictation, board running e tantas outras. Também procuro incentivá-los a escrever para aprender fazendo flashcards e listas. Escrever fazia parte do nosso cotidiano. Claro que hoje digitamos muito mais que escrevemos. Eu mesma não faço mais lista de supermercado, preencho a planilha e vou olhando no celular. Na verdade, primeiro vou colocando no carrinho para exercitar minha memória e antes de ir ao caixa, confiro a planilha.
Por outro lado, mantenho agenda, diário e várias notas no escritório. Tenho incentivado meus alunos a manterem um diário no papel. Eu digo que este não cairá tão facilmente na mão de um hacker. Até mostro um filme interessante ( O sentido da Vida – Netflix)sobre uma moça que perdeu a memória e se redescobre a partir de seu próprio diário.
Só posso sugerir, escreva mais!
Ose Askvik E, van der Weel FRR, van der Meer ALH. The Importance of Cursive Handwriting Over Typewriting for Learning in the Classroom: A High-Density EEG Study of 12-Year-Old Children and Young Adults. Front Psychol. 2020 Jul 28;11:1810. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01810. PMID: 32849069; PMCID: PMC7399101.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Primeiros anos escolares e a dúvida vem: Para que aprender letra cursiva?
No Brasil, o processo de alfabetização é feito quase que em
sua totalidade em letra cursiva
excetuando algumas escolas sócio-construtivistas que iniciam com letra
de forma. Na verdade, é mais natural iniciar com letra de forma porque a
exposição às letras de forma é maior no
dia a dia em cartazes, jornais, revistas, anúncios, nomes de ruas.
Neurocientistas afirmam que
escrever à mão ativa mais áreas e redes cerebrais que digitar. Logo,
escrever à mão é um exercício para o cérebro porque combina percepção, cognição
e motricidade. Escrever desenvolve a memória, ajuda na aprendizagem, na atenção
e na compreensão geral.
Por outro lado, a letra cursiva exige um domínio da
coordenação motora fina muito maior. Este trabalho é desenvolvido desde a
educação infantil quando a criança começa a brincar com massinha, ligar pontos,
fazer colagem , andar em cima do barbante, fazer colagem com macarrão, linhas e
tantas outras atividades.
Ao falar em letra cursiva, sempre é bom lembrar que os
meninos têm músculos maiores e mais pesados naturalmente dificultando a
coordenação motora fina. Por isso, há
aquela eterna reclamação sobre a letra dos meninos.
O treino é importante, todavia, deve ser feito sempre
contextualizado e com muita imaginação para modificar as atividades e formas de
fazê-lo evitando a automação e desânimo. Algumas pessoas alegam que aprenderam muito bem com cópias repetitivas
e descontextualizadas. Neste momento, vale lembrar que as crianças de hoje, são
muito diferentes das crianças de 10 anos atrás. Observem as mudanças que
aconteceram no mundo e na forma de educar. Não podemos usar as mesmas técnicas de antigamente pois a
sociedade mudou muito. Hoje, por exemplo, as crianças digitam antes de escrever.
Lembro-me que eu costumava ensinar a preencher cheques na escola . Creio que, atualmente,
eles nem sabem o que é um cheque.
Quando falo em contextualização, refiro-me a atividades que podem ser feitas em casa como:
deixar bilhetes amorosos para os filhos, escrever uma receita que está sendo
falada na TV, FB ou youtube, manter um diário de filmes e séries assistidos.
Aliás, falando em diários, eles são uma ótima forma de desenvolver o
auto-conhecimento e trabalhar com emoções. Eu, por exemplo, sempre mantive um
diário de sonhos também. É divertido ler
as coisas malucas que sonhamos e, ao mesmo tempo, quanto é revelado sobre
nossos pensamentos, alegrias e
sofrimentos.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Salvando em papel
Normalmente, conforme a inspiração
me visita, vou escrevendo os textos e salvando-os em minha pasta intitulada
BLOG. Posteriormente, pesquiso
seriamente o assunto e escolho imagens.
Certa noite, eu estava
desesperada atrás de um texto que eu tinha certeza que havia escrito e não
conseguia encontrar. Procurei em outras pastas, usei instrumentos de busca,
pedi para verificar se eu tinha salvado nos laptops dos meus filhos e....NADA.
Meus filhos tentavam me ajudar, mas não houve meio de encontrar o documento.
Apesar das buscas infrutíferas, eu tinha certeza que havia redigido o texto e,
infelizmente, sabia que não conseguiria reescrever da mesma forma e com a mesma emoção. Resumindo, eu me
sentia arrasada pela perda da minha criação única e, para mim, de valor
inestimável.
No dia seguinte, enquanto
aguardava uma consulta médica, comecei limpando minha bolsa e, para minha
surpresa, lá estava em um pedaço de papel o meu texto perdido!!!! Que
Felicidade!
Assim que meus filhos retornaram
da escola, logo me perguntaram se eu havia encontrado o texto pois eles presenciaram meu sofrimento na noite
anterior. Ao relatar o que acontecera, eles me olharam surpresos como quem olha
um ET e exclamaram:
-Você salvou o texto em papel?
Não digitou o texto? Como assim?
A surpresa genuína deles me fez
enxergar que as novas gerações, quero dizer, as crianças que estão agora no
maternal não usarão cadernos, nem tampouco lápis ou canetas.Pelo menos, não da forma como nós
conhecemos.
Como educadora, sempre defendi
que o ato de escrever leva a informação diretamente ao cérebro e, portanto,
gravamos e aprendemos melhor ao escrever. Há uma confluência de capacidades
pois o estudante usa energia cinética para escrever e visual. Claro, que há os
que memorizam melhor lendo em voz alta e é importantíssimo cada um observar
qual método melhor se aplica. Quando meus alunos alegam não saber estudar, eu interrompo meu planejamento e converso com eles sobre as
várias técnicas existentes. Vou explicando que segundo a teoria de Gardner, há
vários caminhos e cada um tem que
descobrir o seu.
Hoje, descobri que novos caminhos
estão se abrindo e as novas gerações descobrirão seus meios com a presença
indiscutível da informática. Comecei a observar que mesmo eu não sendo nativa digital, eu escrevo muito pouco, pelo
menos da maneira convencional. Embora
com o professora ainda use muito o quadro, também uso Powerpoint ou
lousa interativa, além disso, no cotidiano até o cheque, raramente usado hoje
em dia, é preenchido pela máquina. As listas de supermercado são digitadas e
enviadas ao estabelecimento e, até mesmo, os recados são enviados via email ou
via mensagem de texto. Se na minha vida de não nativa digital, eu utilizo a
letra cursiva muito pouco, imagine nossas crianças de são nativas digitais e
carregarão consigo sempre um gadget minúsculo, mas efetivo. Creio que
escreveremos e leremos cada vez mais,
porém de uma nova forma. Observe ao seu redor.
Veja a importância da letra cursiva em:
http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/video-correto-deixar-ensinar-letra-cursiva-639172.shtml
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