terça-feira, 27 de outubro de 2026

Refexões sobre uma leitura

“...como pode existir um lugar onde brotam coqueiros e voam tucanos no mesmo planeta em que existem todos esses infinitos tons de branco? Como pode existir um lugar onde as pessoas tiram a roupa, entram na água e não morrem de frio.” Tamara Klink em Bom dia, inverno. Ao ler este trecho, lembrei-me que um de meus filhos de intercâmbio ficou muito feliz e surpreso com a festa de aniversário que fizemos para ele porque foi uma festa com piscina. O aniversário dele é em dezembro e na Alemanha é inverno! Realmente, foi inusitado para ele estar dentro de uma piscina ao ar livre e sem aquecimento no aniversário. Creio que seja até hoje uma experiência memorável para ele. Nosso planeta nos oferece experiências únicas e extraordinárias. Visitei a Patagônia, o estreito de Magalhães, enfim visitei a Antártida. Vi os diversos tons de branco que existem e um lugar onde a linha do horizonte é curva!! Estive realmente o fim do mundo e ele tem nome : Ushuaia. Não me bastou ver pinguins que chegam a ter 1,20cm, tive, também que visitar os ursos polares. E lá fui eu para o Alasca, observar outros tons de branco e diversos tipos de neve. Tamara ainda continua: “ Essa paisagem me lembra o Brasil. O branco me lembra o verde da Mata Atlântica. Afundar os pés na neve me lembra andar na neve no manguezal.Mil tipos de gelo são mil tipos de terra. No branco ou no verde, estrangeiros renomearam lugares que já tinham nome.....o branco e o verde desaparecem cada vez mais rápido” Aproveito a oportunidade para mostrar um pouco do nosso Brasil também. Nosso planeta é realmente maravilhoso e surpreendente. Agora preciso ir visitar os desertos. Enquanto isso, vou lendo Bom dia, Inverno, e refletindo.

quinta-feira, 26 de março de 2026

O abuso que a gente aplaude

Publicado em A Tribuna jornal em 21 de março de 2026 Às vezes, as melhores indicações de séries e filmes vêm de onde menos esperamos. Minha filha, jovem adulta, me sugeriu o filme SALVE ROSA. Eu torci o nariz ao ver que era um drama, porque o pouco tempo que tenho para ver algo é, em geral, para produções leves, que me ajudem a desligar do excesso de pensamentos. Mas lá fui eu ver Salve Rosa e super recomendo. Antes mesmo do filme, eu já pedia a amigos que não curtissem nem encaminhassem reels ou postagens com crianças. Podem ser engraçadinhos, mas expõem a imagem de alguém indefeso. Na minha opinião, é um abuso de imagem de menor. O filme mostra o cotidiano de uma influencer adolescente, explorada pela própria mãe, que se beneficia da renda do canal. É ficção, beira o exagero, mas descreve bem o que está sendo feito com esta geração. Assistam e pensem antes de curtir ou encaminhar esse tipo de conteúdo: podemos, ingenuamente, estar alimentando esses comportamentos.

quarta-feira, 18 de março de 2026

ALERTA: a tranquilidade do presente pode provocar o problema do futuro

Talvez eu esteja de fato ficando velha e com certeza sou de outra geração, porém lido bem com adolescentes e acompanho com tranquilidade a rotina, gostos e preferências. O que realmente me assusta é chegar a um restaurante e encontrar as crianças ou eu diria bebês em carrinhos, bebês confortos ou cadeirões para refeições vendo telas em celulares. Bebês e crianças precisam brincar. Para cada faixa etária há brinquedos adequados que irão nutrir determinadas fases do desenvolvimento. E, vou deixar bem claro, crianças precisam COLORIR para desenvolver a coordenação motora fina! Não é só para escrever. Elas vão precisar dessa coordenação para desenvolver as atividades diárias de suas profissões sejam elas dentistas, médicos, engenheiros e até mesmo para operar máquinas e instrumentos mesmo que tecnológicos. No livro EXAUSTOS, de Lucas Freire, o autor explica sobre a infantilização tecnológica e descreve “as crianças estão crescendo em um habitat no qual a interação virtual substitui o brincar físico. A curiosidade natural e a imaginação estão sendo moldadas não pela exploração do mundo, mas pelo consumo passivo de conteúdo digital. Essa precoce dependência tecnológica ameaça o desenvolvimento saudável de habilidades sociais e emocionais e até mesmo físicas colocando em risco as novas gerações.” Infelizmente, vejo as crianças entregues às babás -telas. Mesmo quando não tínhamos celulares ou tablets, havia horário e limites para assistir TV e já se condenava o uso exacerbado em frente à TV. Trouxe esta reflexão porque a longo prazo o sossego momentâneo conquistado enquanto a criança está na tela, pode ser o infortúnio do futuro. A criança não terá desenvolvido as habilidades necessárias para ser alfabetizada e aprender cálculos porque a passividade das telas as impediu de experienciar o mundo a sua volta, estará viciada na tela.. Stanislas Dehaene, em seu livro É assim que aprendemos, na página 49, explica que “sempre que as crianças entram no modo-aprendizagem, ou seja, sempre que estão brincando, exploram dúzias de possibilidades com uma boa dose de aleatoriedade. E, durante a noite, seus cérebros continuam a fazer malabarismos com ideias, até esbarrar numa que explica melhor aquilo que vivenciaram durante o dia.” Por isso, defendo de forma tão contundente a proibição total de telas na primeira infância e no Fundamental 1, apenas alguns minutos por dia dos desenhos e personagens que estão na moda para que as crianças possam socializar e conversar com os amigos. Vamos resgatar o que a infância tinha de melhor! Proporcione o brincar e a atividade física para as crianças.