quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Emoções em sala de aula

Neste período pós pandemia, mais do que nunca, ensinar a reconhecer e a lidar com emoções é mandatório. Mas, como trabalhar emoções em sala de aula? Gosto do muito do jogo Que emoção é esta? Uso apenas as figuras. Primeiro uso as imagens e peço aos alunos que reconheçam o que está sendo representado. Após identificarmos, peço que escolham uma e descrevam quando sentem aquele sentimento e quando foi a última vez que sentiu. Retomo atividades de reconhecimento regularmente, mostrando atores em cenas de filmes e séries e as reações. Outras vezes, retomo com o baralho de cartas e peço que peguem uma carta aleatoriamente e contem quando se sentiram assim pela última vez. Estas atividades ajudam a desenvolver o auto-conhecimento. Gosto do filme de Harry Potter em Azkaban onde as crianças enfrentam o Bicho Papão. Utilizo para discutir sobre medo, coragem, situações em que sentem medo e como lidam com o medo. Mais recentemente o filme da Disney Elementos é perfeito para despertar discussões sobre a raiva, amor e ensinar o idioma também. Com diálogos simples e bem construídos, o filme é uma ótima ferramenta para conversar sobre emoções. Porém, por que é tão importante ensinar sobre emoções? Num mundo voltado para as telas onde a inteligência artificial está cada vez mais assumindo tarefas que antes eram humanas, a Inteligência emocional é o que nos diferencia. Não sabemos como será o mundo no futuro, mas precisamos aprender sobre nós mesmos para podermos encontrar nosso espaço na sociedade. Saber gerenciar emoções torna-se cada vez essencial. Todos sentimos raiva, frustração, tristeza, entretanto, o ponto principal é o que fazemos com essas emoções ou de que forma reagimos a essas emoções quando estamos em sociedade. Ouço por exemplo pessoas dizendo que as mulheres não sabem lidar com emoções e temos inúmeras cenas de filmes nas quais as mulheres perdem a razão totalmente e um homem tem que assumir a situação. Precisamos mudar essa versão de mundo. É imprescindível aprender a não exorbitar, ou seja, não sair da órbita. As emoções nos diferenciam de outros seres e da inteligência artificial. Nosso conteúdo programático tem que incluir o desenvolvimento da habilidade de gerenciar emoções. E nossas meninas têm que enxergar o poder que está em suas mãos e fazer bom uso dele da forma adequada como a protagonista do filme da Disney. Não darei spoilers. Assistam!

domingo, 20 de agosto de 2023

Rotina: aliada ou vilã?

Eu diria que é essencial. Se tivéssemos que pensar como abrir uma torneira ou pegar o lápis a cada vez que precisamos, seria um grande desgaste. Assim, também, é menos cansativo quando sigo tarefas uma após a outra tipo: café da manhã, academia, ler e-mails, preparar aulas, almoçar e etc. A quebra da rotina, às vezes, conturba e deixa as tarefas mais pesadas sem falar na frustração que geram. Pode parecer que estou indo na contramão do que as pessoas dizem. Vou esclarecer melhor, quando você está no fluxo, as tarefas caminham melhor. Por exemplo, se estou no modo preparando aulas, meu lado criativo está mais ativo, então corrigir as tarefas dadas ou decidir o que pedirei como tarefas, será melhor e mais rápido. O difícil é começar, sair da zona do conforto, largar o celular e as redes sociais que estão ativando a área da recompensa e mudar de atividade, mais difícil sim, mas pense que é recompensador. A rotina também é importante para controlar a ansiedade dos alunos. É importante para manter a tranquilidade dos alunos se eles visualizam uma lista a ser seguida tipo: data, pequena atividade para entrar no modo aula, um filme, música, conversa ou jogo para introduzir o tema, ponto focal a ser ensinado, treinar de forma controlada, abrir para outras possibilidades, corrigir tarefas, intervalo, enfim seguir uma linha que trará tranquilidade para o cérebro dos alunos e, é claro, quebrar ocasionalmente o estabelecido com algo agradável é muito bem -vindo para dar uma acordada. Para os pais sugiro, que desde que os filhos começam a ter tarefas de casa, a rotina seja implantada e seguida. Por exemplo, chegar da escola, tomar banho, comer, descansar por X tempo e sentar num determinado lugar e fazer a tarefa de casa. É fundamental que um adulto esteja supervisionando esta rotina e a realização da tarefa. O importante é ter um horário na agenda reservado e seguido. Este hábito irá perdurar, com as devidas adaptações necessárias, por toda a vida estudantil. A criança precisa ser ensinada a ter rotina: tempo para estudar e tempo para fazer as tarefas. A criança precisa ver que os pais também têm seus horários e respeitar esses momentos. Vejo alunos já no ensino médio que dizem – Não fiz a lição porque estou em semana de provas. Meu Deus!! Já não sabia que teria semana de provas? A gente só revisa na semana de provas, o estudo é diário e não podemos tirar tempo de um compromisso para alocar para outro. Desenvolver este hábito, cabe aos pais. É chato sim! Todo dia tem que lembrar e fazer respeitar o acordado. Cabe ao adulto analisar o quando, onde e cobrar. Pode ser pela manhã ou após a aula. Respeitem as características de cada pessoa, porém esse hábito ajudará as crianças a organizar o trabalho na vida adulta, ou seja, é na infância que se aprende a ser organizado. Com o home office em alta, saber planejar e organizar o tempo é fundamental. Toda rotina traz benefícios a longo prazo. Creia em mim!

domingo, 23 de julho de 2023

Às quartas -feiras vestimos rosa. Será? A onde Barbie

Esta semana postei em meus stories uma caixa de perguntas para saber a qual filme pertence a frase "As quartas, vestimos rosa" Esta frase icônica faz parte do filme Meninas Malvadas. O filme retrata a questão do bullying entre adolescentes, por isso o tema ainda é muito atual. Algumas pessoas acreditam que bullying só acontece entre adolescentes alegando que as crianças não mentem e são naturalmente boas. Na minha experiência, percebo que esta é uma crença romanceada. As crianças são fruto do meio e, portanto, também podem discriminar e isolar alguns colegas. O caminho é observar e ir fazendo as intervenções necessárias quando surgem. Como advogada, gosto de lembrar que a omissão é crime. Por isso, ao verificar uma situação suspeita, precisamos relatar e agir. Como sou facilitadora de círculos restaurativos de Justiça Restaurativa, costumo aplicar as técnicas nesses casos. Os círculos de conversa remontam a tempos primordios quando, ao redor de fogueiras, sentavam-se conversando, cantando e contando histórias. O conhecimento era transmitido nestes momentos e questões de relacionamento discutidas. Nos círculos restaurativos, não há hierarquia e todos têm direito à fala. Ouvindo cada um com suas emoções e histórias, compreendemos melhor o outro e aprendemos a conviver melhor. Como costummamos dizer em Justiça Restaurativa, todo mundo tem uma história e toda história merece ser ouvida.Pode ser o caminho para lidar com situações dificeis.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Conversa de aluno

Estava em sala de aula aguardando que meus alunos terminassem um exercício quando uma aluna disse: - Eu não gostaria de ser um lápis. O aluno ao lado respondeu: - Eu gostaria, poderia ser levado no estojo para vários lugares e seria muito útil. Mas, minha aluna respondeu que não gostaria porque quebrariam sua ponta ou até mesmo quebrariam o lápis inteiro ao meio, rolaria pelo chão, seria esquecido, enfim, nem pensar. Porém, não terminou por aí. Falou rapidamente: - Eu seria um trem. Viajaria por vários lugares. Seria ótimo. Neste momento, percebi que os olhos dela ficaram distantes, como quem estava de fato se imaginando um trem. Achei aquela conversa tão inusitada que fiquei prestando atenção. Uma outra colega de classe disse que um trem não pode sair dos trilhos, ela ficaria muito restrita. Porém, ela já tinha resposta : - Eu quero ser um trem antigo na Europa. Andaria por todos os países da Europa. Neste momento, não aguentei e tive que dar um palpite: - Você poderia ser um trem bala no Japão! Mas, ela não gostou da ideia e ainda justificou: - Creio que o trem bala deve ser muito arrogante. Deve ser achar o máximo, grandão, poderoso, rápido e moderno. Deve olhar para os outros com ar de pouco caso, de desdém. Não gostaria de ser um trem bala! E, quando achei que já tinha ouvido de tudo na vida, uma outra aluna dispara - Eu não gostaria de ser um túnel! Meu, - um túnel???? . Olhei para ela, tentando entender do que se tratava. Ela continuou explicando que um túnel é escuro e ninguém presta atenção quando está passando. Só estão concentrados em chegar na saída. Definitivamente, nesta sexta-feira a tarde, eles estavam muito filosóficos , criativos e, definitivamente, muito empáticos. Neste instante, chegou a hora de corrigir o exercício e o momento “O QUE EU SERIA ACABOU”. Ness hora, é claro, que alguns tinham viajado no trem da minha aluna e não tinham feito o exercício. Entretanto, achei que a viagem foi bem divertida. E você? O que seria? Eu seria um livro para contar muitas histórias, levar conhecimento, diversão e reflexão.

sábado, 27 de maio de 2023

E se eu morrer amanhã?

Morte é um tabu e precisamos superar esse receio que nos impede de falar sobre a única certeza que temos na vida. Você fala sobre morte? Mais precisamente sobre a sua? Ou foge do assunto? Me conta. Eu fugia do assunto e logo interrompia qualquer conversa que enveredasse por esse lado alegando que preferia falar sobre coisas boas. Entretanto, ouvi um podcast do Itaú Personnalité no qual os participantes, além de falarem sobre a importância dos seguros, também defendiam a ideia que precisamos comunicar a família sobre o que está assegurado , onde e como. A partir daí, passei a comunicar meus filhos sobre os seguros que eu tinha, e embora eles ainda não gostem quando falo nisso, vou dizendo outras coisas como o fato de que quero ser cremada e que quero estar com um terço nas mãos, colar e brincos, tudo combinando. Lendo o livro, A morte é um dia que vale a pena viver, de Ana Claudia Quintana Arantes, comecei a pensar que não posso morrer e levar comigo todo o conhecimento que tenho na área educacional. Por isso, estou organizando um curso para compartilhar meu conhecimento com professores em início de carreira ou profissionais com experiência que queiram novas ideias. Se estiver interessado, me mande um email: silva.mss@gmail.com

domingo, 21 de maio de 2023

Lidar com frustrações se aprende em casa?

Adriana Foz inicia um capítulo de seu livro sobre Frustrações com a frase de Içami Tiba “ Criar uma criança é fácil, basta satisfazer-lhe as vontades. Educar é mais trabalhoso.” Porém, como superar a frustração? Cada vez mais percebo que as novas gerações não conseguem lidar com as frustrações. Segundo a autora do livro Frustração este exercício deve ser ensinado às crianças e praticada ao longo de toda a nossa vida. A autora ainda coloca que “ Permitir, então, que seu filho erre, se frustre e supere é o presente mais precioso que você pode lhe dar, por incrível que pareça.” Achei interessante também a colocação da autora que nos leva a pensar muito ao afirmar que é melhor aprender sobre frustrações num ambiente controlado e amoroso como é a família a ter que aprender com as situações adversas da vida. Coisas simples como aprender a esperar sua vez, fazer pequenas escolhas, lidar com o tempo, seguir uma rotina e lidar com o não devem ser ensinadas em casa. Algumas áreas do cérebro precisam ser amadurecidas e treinadas ao longo da infância, portanto vale a pena aguentar a birra e o choro em prol de um treinamento para exercer o autocontrole. Lembro que uma vez eu tentava ensinar meu filho que era um tanto intempestivo que ele deveria contar até dez antes de sair batendo nas pessoas, derrubando cadeiras ou batendo portas. Jamais esqueci a resposta confusa dele ao me dizer que ele só sabia contar até 5. Sorri e disse para contar até cinco duas vezes. Confesso que não foi um caminho fácil, mas fui ensinando cotidianamente a lidar com frustrações e exercer o autocontrole. Com muito orgulho, afirmo que fui bem-sucedida na minha jornada, embora não tenha sido fácil. Como dizia Içami Tiba, “educar é trabalhoso.” Como professores, também temos nossa missão. Costumo ensiná-los a lidar com a ansiedade escrevendo na lousa o que será feito na aula e o tempo que planejei usar para cada atividade. Nem sempre conseguimos chegar na parte mais gostosa que são as atividades lúdicas ou, então, preciso interromper uma atividade divertida para poder seguir com outras atividades. Todos esses momentos, são momentos de aprendizado com bastante reflexão.

terça-feira, 21 de março de 2023

Março: atividades diversas para todos

Aproveitando o mês da mulher, vou descrever uma aula que dei ano passado e não foi em Março. Eu havia ensinado o vocabulário de roupas na aula anterior. Então, nesse dia, levei todas as roupinhas e acessórios das bonecas Polly da minha filha e desenvolvi várias atividades: - coloquei todas as roupinhas em cima de uma mesa, eu falava o nome da roupa em inglês e os alunos tinham que encontrá-las . Era assim tipo um Where´s Wally? Este exercício é excelente para o cérebro e desenvolve a atenção. - competição: eu descrevia os trajes e os alunos vestiam as bonecas com o que eu descrevera. O vencedor? Quem vestia a boneca primeiro. - cada aluno era o chefe, ou seja, eles descreviam e os outros vestiam as bonecas. Bem, qual a relação dessas atividades com o mês das mulheres? Nenhuma. Na verdade, um único menino perguntou se ele iria brincar de boneca. E eu respondi - Você vai rever o vocabulário de roupas. E todos aprenderam muito e se divertiram também. Em um outro dia, o assunto era esportes. Levei taco de baseball, bola de baseball, bola de basquete e skate. Todos curtiram muito aprender sobre os esportes e tentar jogar. Não há atividades para meninos e para meninas em sala de aula. Há janelas de oportunidades e mostrá-las aos estudantes é a nossa missão.