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domingo, 23 de julho de 2023
Às quartas -feiras vestimos rosa. Será? A onde Barbie
Esta semana postei em meus stories uma caixa de perguntas para saber a qual filme pertence a frase "As quartas, vestimos rosa" Esta frase icônica faz parte do filme Meninas Malvadas. O filme retrata a questão do bullying entre adolescentes, por isso o tema ainda é muito atual. Algumas pessoas acreditam que bullying só acontece entre adolescentes alegando que as crianças não mentem e são naturalmente boas. Na minha experiência, percebo que esta é uma crença romanceada. As crianças são fruto do meio e, portanto, também podem discriminar e isolar alguns colegas. O caminho é observar e ir fazendo as intervenções necessárias quando surgem. Como advogada, gosto de lembrar que a omissão é crime. Por isso, ao verificar uma situação suspeita, precisamos relatar e agir.
Como sou facilitadora de círculos restaurativos de Justiça Restaurativa, costumo aplicar as técnicas nesses casos. Os círculos de conversa remontam a tempos primordios quando, ao redor de fogueiras, sentavam-se conversando, cantando e contando histórias. O conhecimento era transmitido nestes momentos e questões de relacionamento discutidas. Nos círculos restaurativos, não há hierarquia e todos têm direito à fala. Ouvindo cada um com suas emoções e histórias, compreendemos melhor o outro e aprendemos a conviver melhor.
Como costummamos dizer em Justiça Restaurativa, todo mundo tem uma história e toda história merece ser ouvida.Pode ser o caminho para lidar com situações dificeis.
sexta-feira, 23 de julho de 2021
Desenvolvendo empatia e coragem através de filmes
Que tal trazer o tema Bullying para um debate? Quais técnicas usar de uma forma a realizar um debate leve e sem julgamentos? Costumo usar o Filme Harry Potter e discutir a relação entre Harry e o primo. Porém, fiz uma outra escolha que me rendeu várias aulas e diferentes com temas múltiplas para discussão e debates.
O filme que usei foi Universidade Monstros. Logo no início, há uma cena onde o personagem principal fica esquecido no ônibus escolar, depois ninguém quer fazer par com ele e daí segue uma lista interminável de situações onde há abandono, desprezo e falta total de empatia. Cenas excelentes para levar os alunos a se colocarem no lugar da vítima. Como as situações envolvem monstros, os alunos sentem-se mais à vontade para discutir sentimentos com um distanciamento saudável.
Este filme também é excelente para discutir outro temas como ética, trabalho em equipe amizade e principalmente sucesso e fracasso. De uma forma leve, estes assuntos são tratados e seria muito bom levantá-los e trabalha-los em aula.
Além disso, Brené Brown em seu livro Eu achava que isso só acontecia comigo define que : “ A vergonha é o sentimento ou a experiência intensamente dolorosa de acreditar que somos inadequados e por isso indignos de aceitação ou acolhimento.” O filme apresenta esta experiência de uma forma dolorosa e solitária, porém também demonstra que é possível superá-la. Vale muito explorar as cenas e situações, levantando as experiências dos alunos hipotéticas ou não. Neste período de pandemia, precisamos explorar todas as oportunidades para trabalhar sentimentos , sensações e opções para superar momentos difíceis. O filme sugere como combater a cultura da vergonha, o peso de ser o que esperam de você e como recuperar o poder e a coragem.
Antes de encerrar meus comentários sobre o filme, gostaria de sugerir que analisassem os professores da universidade, seus comportamentos e como reagem quando inseguros, fragilizados e desafiados. Observem as aulas dadas e as escolhas feitas. Como se diz em inglês, food for thought.
sábado, 30 de janeiro de 2021
Etiqueta nos grupos profissionais
Você já deve ter lido e ouvido um milhão de vezes a frase “Os elogios devem ser dados sempre em público, as críticas devem ser dadas sempre em particular.” ( J Paul Getty). Parece simples seguir este conselho; entretanto, ainda vemos muitas pessoas com dificuldades para aplicá-lo. Você já presenciou ou foi vítima de um momento destes?
Ainda há pessoas sem esse senso que criticam deliberadamente em público e até afirmam que é uma forma de manter a hierarquia e disciplina. Consideram um instrumento de gerenciamento. Este comportamento é, de certa forma, até incentivado em certas corporações, infelizmente.
Uma enquete feita em 2010 pela Zogby International concluiu que 37% dos trabalhadores já sofreram bullying no trabalho vindo dos superiores ou colegas.*
Porém, engana-se quem pensa que o home office extinguiu o hábito. A estratégia tem sido muito usada também de forma virtual através de aplicativos como o Telegram e o what´s app. Em muitos grupos de trabalho e até mesmo escolares, temos visto o aumento de casos de bullying, assédio e críticas demolidoras. E o mais interessante é que elogiam no privado ou inbox como se fosse errado elogiar, mas criticam arduamente ou até mesmo de forma sarcástica nos grupos.
Elogios sinceros são altamente motivadores e criam os vínculos tão fundamentais para a eficiência de uma equipe. Pare e reflita sobre o tema: Como tem sido sua performance nos grupos? Respire e pensa antes de criticar alguém ou algum projeto. Use de empatia.
*In A coragem de ser imperfeito, Brown Brené, pag 140, ed Sextante
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Clássicos. Por que ler?
Os jovens e muitos adultos franzem o cenho ao pensar em ler
obras classificadas como clássicos. Creio que desconhecem que um dos requisitos
que eleva um livro à categoria de clássico é a atemporalidade. Um clássico traz
de uma maneira brilhante temas para discussão e reflexão que permanecem com o
passar dos anos.
Assim, indico Anne of Green Gables da escritora
canadense Lucy Montgomery, publicado em 1908 que até hoje ainda encanta
leitores de todas as idades com seus temas tão atuais como bullying,
preconceito, morte, problemas econômicos, mudanças e, não poderia faltar amor e
amizade. O livro conta as confusões e aventuras da vida de Anne, uma órfã de cabelos ruivos, extremamente criativa
e portadora de uma inocência e praticidade que a levam a se meter em muitas
encrencas. O livro trabalha temas sérios
de uma forma que aflora nossas emoções efetivamente desenvolvendo a empatia,
palavra tão em voga atualmente.
A história de Anne é uma leitura imprescindível não só para
o desenvolvimento do conhecimento de inglês, pois Anne adora palavras novas e
rebuscadas levando o leitor de uma forma leve a aumentar o vocabulário, mas
também, trabalha valores e constitui-se
numa forma de desenvolver a imaginação e o raciocínio. A leitura prende a
atenção por meio das encrencas e aventuras da personagem principal de uma forma
inigualável.
Sugiro, inclusive trabalhar a série juntamente com a leitura
discutindo a adaptação, os temas e questionando como seria a história de Anne
se ela tivesse what´s app e demais redes sociais. Mais simples? Ou com mais
encrencas? Aproveitando o gancho para discutir mais este tema na vida dos
jovens.
Finalizando, é um livro que por sua riqueza temática pode
acompanhar um projeto anual!
Links for the trailer of the film:
https://www.youtube.com/watch?v=V7j8pG9UJ4A
Para quem quiser trabalhar em português:
https://www.youtube.com/watch?v=cPwoPGO4CuU
Um patrocínio:
domingo, 9 de julho de 2017
Filosofando no estudo do meio
Acredito que escolas não devem fazer passeios ou excursões sem um objetivo bem definido e uma proposta pedagógica embasando a saída da escola. Mesmo com tudo isso, há sempre elementos surpresa que surgem onde menos se espera.
Ao acompanhar alunos e professores de ciências ao Aquário de São Paulo, deparamo-nos com um jacaré albino isolado dos outros. A monitora nos explicou que ele fica separado porque não pode pegar sol e como o teto do outro recinto é aberto, ele tem que ficar neste outro isolado, mas sem sol.
Fique um bom tempo admirando o jacaré e perguntava aos alunos que por ali passavam:
- Vocês não acham que ele se sente só?
-Será justo, só porque ele é diferente?
- Como você se sentiria?
-É um caso de bullying?
Fui fazendo essas perguntas para despertar nos alunos alguns sentimentos. Gradativamente, fui colocando-os no lugar do animal. E ajudando-os a pensar em como seria viver assim isolado. Deixei-os pensando no assunto enquanto tiravam fotos.
De volta à escola, este foi um tema a ser trabalhado na aula de redação. Foi aberta uma discussão sobre a questão da solidão e da inclusão. Fizemos uma transposição para nossa vida cotidiana para só depois apresentar a proposta da criação do texto. Os alunos poderiam criar uma fábula ou uma história contada pelo jacaré albino na posição de narrador –personagem.
Um estudo do meio pode e deve transcender a disciplina e proporcionar a interdisciplinaridade gerando uma integração e muita construção de conhecimento.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Os 13 porquês
Ao invés de elencar as treze razões pelas quais você deve assistir à série com seus filhos, reservo-me o direito de descrever o “ como” ao invés do porquê. Minha mãe foi criada pela tia na época em que as cartas eram a forma de comunicação utilizada. Minha mãe dizia que a tia lia todas as cartas que ela, minha mãe, recebia, porém não lia as que minha mãe enviava. Desta forma, ela sabia de tudo que se passava.
Seguindo este princípio, porém de uma forma menos invasiva, sugiro que assistam os 13 porquês junto com seus filhos e conversem sobre isso. Debatendo esses fatos, ouvindo os exemplos e as opiniões colocados, os pais poderão ter um panorama da vida na escola de seus filhos. Aconselho que vejam os fatos pelo prisma da imaturidade e do excesso de hormônios típicos dessa faixa etária. Evitem banalizar com frases do tipo: “ Que bobagem!” “ Precisava de tudo isso?” Daniel Goleman recomenda em seu livro Inteligência emocional os seguintes passos para uma conversa:
- Ouvir
- Validar sentimentos sem julgar
- Demonstrar compreensão
- Propor ações
Em casos de bullying, a parceria escola-família é fundamental. Não recomendo a leitura nem a série antes do ensino médio, há cenas e questões muito fortes, porém, tudo depende da maturidade e do momento que o adolescente está vivendo. De qualquer forma, a participação da família é essencial. Bom trabalho!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Bullying
Bullying: nova onda ou velho hábito repaginado?
Dia de Natal, 25 de dezembro de 2010, um grupo de jovens com 23 anos reunia-se na piscina relembrando os felizes momentos de uma infância não tão distante no pátio da escola....chamou minha atenção os nomes que mencionavam em suas memórias. Perguntavam pelo Pinochio, a Lhaça (diminutivo de Gordalhaça), o Ameba, a Baleia-Orca, a Olívia-Palito, o Choquito...reminiscências de tempos muito divertidos.
No meio de toda essa fauna e flora que ressurgia do passado entre gargalhadas, meu filho de doze anos ousou indagar:" Nossa! Vocês não eram suspensos por bullying?" O silêncio se fez...até a água da piscina pareceu congelar nesse momento. Eles, entreolhando-se embaraçados, responderam que na época deles não havia essa história de bullying e, ainda acrescentaram, que sequer lembravam dos nomes verdadeiros das pessoas mencionadas.
Eu, porém, fiquei refletindo e me questionando quais terão sido as consequências na vida dessas pessoas. Será que certas cenas ainda doem profundamente no coração e na alma dessas vítimas ou terão superado esses traumas de infância. Enquanto pesquiso se houve uma mudança comportamental ou se o Bullying sempre existiu, as palavras de minha mãe ecoaram em meus ouvidos:" Não faças aos outros o que não queres para ti." Sábias palavras de uma pessoa simples, mas que soube educar CIDADÃOS.
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