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domingo, 20 de agosto de 2023
Rotina: aliada ou vilã?
Eu diria que é essencial. Se tivéssemos que pensar como abrir uma torneira ou pegar o lápis a cada vez que precisamos, seria um grande desgaste. Assim, também, é menos cansativo quando sigo tarefas uma após a outra tipo: café da manhã, academia, ler e-mails, preparar aulas, almoçar e etc. A quebra da rotina, às vezes, conturba e deixa as tarefas mais pesadas sem falar na frustração que geram.
Pode parecer que estou indo na contramão do que as pessoas dizem. Vou esclarecer melhor, quando você está no fluxo, as tarefas caminham melhor. Por exemplo, se estou no modo preparando aulas, meu lado criativo está mais ativo, então corrigir as tarefas dadas ou decidir o que pedirei como tarefas, será melhor e mais rápido. O difícil é começar, sair da zona do conforto, largar o celular e as redes sociais que estão ativando a área da recompensa e mudar de atividade, mais difícil sim, mas pense que é recompensador.
A rotina também é importante para controlar a ansiedade dos alunos. É importante para manter a tranquilidade dos alunos se eles visualizam uma lista a ser seguida tipo: data, pequena atividade para entrar no modo aula, um filme, música, conversa ou jogo para introduzir o tema, ponto focal a ser ensinado, treinar de forma controlada, abrir para outras possibilidades, corrigir tarefas, intervalo, enfim seguir uma linha que trará tranquilidade para o cérebro dos alunos e, é claro, quebrar ocasionalmente o estabelecido com algo agradável é muito bem -vindo para dar uma acordada.
Para os pais sugiro, que desde que os filhos começam a ter tarefas de casa, a rotina seja implantada e seguida. Por exemplo, chegar da escola, tomar banho, comer, descansar por X tempo e sentar num determinado lugar e fazer a tarefa de casa. É fundamental que um adulto esteja supervisionando esta rotina e a realização da tarefa. O importante é ter um horário na agenda reservado e seguido. Este hábito irá perdurar, com as devidas adaptações necessárias, por toda a vida estudantil. A criança precisa ser ensinada a ter rotina: tempo para estudar e tempo para fazer as tarefas. A criança precisa ver que os pais também têm seus horários e respeitar esses momentos. Vejo alunos já no ensino médio que dizem – Não fiz a lição porque estou em semana de provas. Meu Deus!! Já não sabia que teria semana de provas? A gente só revisa na semana de provas, o estudo é diário e não podemos tirar tempo de um compromisso para alocar para outro. Desenvolver este hábito, cabe aos pais. É chato sim! Todo dia tem que lembrar e fazer respeitar o acordado. Cabe ao adulto analisar o quando, onde e cobrar. Pode ser pela manhã ou após a aula. Respeitem as características de cada pessoa, porém esse hábito ajudará as crianças a organizar o trabalho na vida adulta, ou seja, é na infância que se aprende a ser organizado. Com o home office em alta, saber planejar e organizar o tempo é fundamental.
Toda rotina traz benefícios a longo prazo. Creia em mim!
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Círculos e histórias
Quem não gosta de ouvir uma boa história? Afinal, o que são
as novelas, filmes ou séries senão uma história contada? Pena que não são mais contadas ao
redor do fogo. Qual a importância do círculo ao redor do fogo?
Os processos circulares estão presentes na maioria das
tradições de todos os povos da Terra porque o círculo favorece o olhar para o
outro e, proporcionando este olhar e proximidade, torna-se mágico. As pessoas
sentem-se ouvidas, por isso o processo de contar histórias se desenvolveu tão
bem neste processo, pois toda a beleza e profundidade da experiência da
humanidade é compartilhada. Ao invés de hierarquia, há o compartilhamento do
poder.
Ao ler Outlander,
deparei-me com a descrição que transcreverei a seguir, onde mesmo aprisionados,
doentes, com fome e frio, há o lugar para o círculo e a contação de histórias,
afinal quem não gosta de ouvir uma boa história?
“O acordo era que aquele que
tivesse uma história para contar ou uma canção para cantar obtinha um lugar
junto à lareira enquanto estivesse falando. Mac Dubh disse que era um direito
dos trovadores, que ao chegar em grandes castelos, davam-lhe um lugar quente
junto à lareira e bastante comida e bebida, em honra da hospitalidade do senhor
do castelo.” ( Outlander O resgate no Mar
livro 3 Parte 1 p.49, Diana
Gabaldon)
Esta semana ao visitar uma escola de educação infantil e
ver o imenso espaço com área verde que ela possui, fiquei me imaginando,
sentada num círculo com meus alunos ao sol, contando e ouvindo histórias.
Quantas emoções seriam liberadas e quantas aventuras surgiriam com a
criatividade colocada à solta!
Ao contrário do que poderia parecer a quem por ali
passasse, não seria enrolação, mas um período profícuo de aprendizagem e
desenvolvimento emocional e intelectual.
Um círculo não aprisiona, ao contrário liberta. Lembra-se
da alegria e liberdade sentida ao dançar e cantar uma cantiga de roda?
Que tal deixar um pouco o retângulo das telas e
aproximar-se dos círculos da vida? Asseguro-lhe é mágico.
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