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domingo, 21 de maio de 2023
Lidar com frustrações se aprende em casa?
Adriana Foz inicia um capítulo de seu livro sobre Frustrações com a frase de Içami Tiba “ Criar uma criança é fácil, basta satisfazer-lhe as vontades. Educar é mais trabalhoso.”
Porém, como superar a frustração? Cada vez mais percebo que as novas gerações não conseguem lidar com as frustrações. Segundo a autora do livro Frustração este exercício deve ser ensinado às crianças e praticada ao longo de toda a nossa vida. A autora ainda coloca que
“ Permitir, então, que seu filho erre, se frustre e supere é o presente mais precioso que você pode lhe dar, por incrível que pareça.”
Achei interessante também a colocação da autora que nos leva a pensar muito ao afirmar que é melhor aprender sobre frustrações num ambiente controlado e amoroso como é a família a ter que aprender com as situações adversas da vida. Coisas simples como aprender a esperar sua vez, fazer pequenas escolhas, lidar com o tempo, seguir uma rotina e lidar com o não devem ser ensinadas em casa. Algumas áreas do cérebro precisam ser amadurecidas e treinadas ao longo da infância, portanto vale a pena aguentar a birra e o choro em prol de um treinamento para exercer o autocontrole.
Lembro que uma vez eu tentava ensinar meu filho que era um tanto intempestivo que ele deveria contar até dez antes de sair batendo nas pessoas, derrubando cadeiras ou batendo portas. Jamais esqueci a resposta confusa dele ao me dizer que ele só sabia contar até 5. Sorri e disse para contar até cinco duas vezes. Confesso que não foi um caminho fácil, mas fui ensinando cotidianamente a lidar com frustrações e exercer o autocontrole. Com muito orgulho, afirmo que fui bem-sucedida na minha jornada, embora não tenha sido fácil. Como dizia Içami Tiba, “educar é trabalhoso.”
Como professores, também temos nossa missão. Costumo ensiná-los a lidar com a ansiedade escrevendo na lousa o que será feito na aula e o tempo que planejei usar para cada atividade. Nem sempre conseguimos chegar na parte mais gostosa que são as atividades lúdicas ou, então, preciso interromper uma atividade divertida para poder seguir com outras atividades. Todos esses momentos, são momentos de aprendizado com bastante reflexão.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Frustração e desejo: futuras gerações
Ao ouvir um
belíssimo concerto da Orquestra do Instituto Pão de Açúcar, questionei-me
quantos jovens hoje em dia estudariam música, línguas ou praticariam esportes.
A tecnologia proporciona o conhecimento e a satisfação dos desejos com um
clique apenas. Este acesso rápido à informação e ao objeto de desejo como um
filme ou o próximo episódio de uma série de tv, pode estar gerando jovens
frágeis em termos de busca de realização.
Música,
línguas e esportes demandam tempo de dedicação e saber lidar com a frustração
de não conseguir e, neste caso, tentar de novo e de novo até conseguir. Este esforço laboral e físico sem mencionar o
mental pode estar desestimulando os jovens a perseguir seus sonhos ou mesmo ter
sonhos. A maioria acha que as pessoas nascem com dons e que, sem sacrifícios,
saem tocando um instrumento. Há dons naturais, porém também é preciso
dedicação.
Remeto-me a
Mário Sérgio Cortella, que tão bem descreve desejo:
“Quem tem desejo e acha que ele magicamente será concretizado,
acaba não só tendo uma frustração em
relação à não concretização, como ainda corre o risco de atribuir a outras pessoas,
ou ao destino, ou a vida aquilo que não aconteceu.” Mário Sérgio Cortella em Pensar bem nos faz bem. ( p91)
Na série de
TV, Secret and Lies, em sua segunda temporada, os filhos repetem em coro no primeiro episódio a
frase que o pai sempre disse:
“
Sempre ensinei a meus filhos a trabalhar muito, doar e não achar que as coisas
vêm fácil.”
Precisamos
observar os valores que estamos passando para as novas gerações.
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