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domingo, 7 de julho de 2019

Tempo para aprender



É muito comum na escolas de idiomas ver a pessoa olhando o livro que será usado e dizer que já sabe tudo aquilo; entretanto ao fazer o teste de colocação, o resultado não é exatamente esse.
Em metodologia, costumamos diferenciar entre  ser capaz de reconhecer e  ser capaz de produzir.  Frequentemente, o aluno é capaz de reconhecer as estruturas por ter sido previamente exposto a elas, porém não consegue produzi-las naturalmente.
A aprendizagem não ocorre apenas com o mero contato superficial. Outrossim,  exige tempo de reflexão sobre  o objeto de aprendizagem. Por isso, um tempo maior faz-se necessário para efetivamente apreender, apropriar-se e construir o conhecimento.
Mário Sérgio Cortella em  A sorte segue a Coragem, afirma que “ a informação de hoje só será transformada em conhecimento depois de meditada, refletida, pensada no contexto de outras vivências que se tem ao longo da vida.” Por isso, ainda segundo o filósofo  uma duração mais extensa no significado não significa uma perda de tempo, mas o tempo necessário para amadurecer e efetivamente  se apropriar do conhecimento.
Por outro lado,  o fato de fazer uma atividade por muito tempo, não significa necessariamente maior conhecimento. A prática nem sempre leva à perfeição porque,  como afirmava Paulo Freire, “ a prática de pensar a prática é a melhor maneira  de pensar certo.”
Portanto, sem pressa, respeite o seu tempo do aprendizado ou o do seu filho.  Em educação, não se perde tempo, ao contrário, adquire-se conhecimento. Cada pessoa, cada tema tem suas características e necessidades.
Esse mesmo tempo de amadurecimento pode ser muito benéfico para evitar as fake News. Dê um tempo, confira, observe, pense...não compartilhe indiscriminadamente tudo o que chega até você pelas redes sociais.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Frustração e desejo: futuras gerações

Ao ouvir um belíssimo concerto da Orquestra do Instituto Pão de Açúcar, questionei-me quantos jovens hoje em dia estudariam música, línguas ou praticariam esportes. A tecnologia proporciona o conhecimento e a satisfação dos desejos com um clique apenas. Este acesso rápido à informação e ao objeto de desejo como um filme ou o próximo episódio de uma série de tv, pode estar gerando jovens frágeis em termos de busca de realização.
Música, línguas e esportes demandam tempo de dedicação e saber lidar com a frustração de não conseguir e, neste caso, tentar de novo e de novo até conseguir.  Este esforço laboral e físico sem mencionar o mental pode estar desestimulando os jovens a perseguir seus sonhos ou mesmo ter sonhos. A maioria acha que as pessoas nascem com dons e que, sem sacrifícios, saem tocando um instrumento. Há dons naturais, porém também é preciso dedicação.
Remeto-me a Mário Sérgio Cortella, que tão bem descreve desejo:
“Quem tem desejo  e acha que ele magicamente será concretizado, acaba  não só tendo uma frustração em relação à não concretização, como ainda corre o risco de atribuir a outras pessoas, ou ao destino, ou a vida aquilo que não aconteceu.” Mário Sérgio Cortella em Pensar bem nos faz bem. ( p91)
Na série de TV, Secret and Lies, em sua segunda temporada, os  filhos repetem em coro no primeiro episódio a frase que o pai sempre disse:
  “ Sempre ensinei a meus filhos a trabalhar muito, doar e não achar que as coisas vêm fácil.” 
Precisamos observar os valores que estamos passando para as novas gerações.

Um oferecimento: 
                                  


                   
   

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Fim da temporada de cruzeiros


Hoje entendo o que minha mãe queria dizer com tem que saber fazer para poder mandar. Deparo-me todos os dias com jovens acostumados de tal forma a só receber tudo pronto que estão crescendo achando que o mundo existe para servi-los.
Içami Tiba defende o ponto de que o jovem precisa ter obrigações dentro de casa para sentir-se membro integrado da família. Então, preocupo-me com jovens que nunca fizeram suas camas, não foram ao supermercado nem sabem onde ficam as coisas nos armários.
Aconselho aos senhores pais que encerrem a temporada de cruzeiros  dentro de seus próprios lares  onde após o banho larga-se a toalha no chão, a cama surge  feita, o quarto materializa-se arrumado, toalhas limpas brotam no banheiro e garçons sorridentes estão sempre prontos para servi-los.
Está mais do que na hora de guardar suas próprias coisas, preparar lanche para toda a família, lavar louça e servir.
Para enxergar como vive a maioria dos brasileiros, é preciso ir até eles e, nesse quesito, um trabalho voluntário mesmo que imposto é primordial.
Como disse Mário Sérgio Cortella em recente palestra, nossos jovens precisam entender que vaca não dá leite. É preciso madrugar e ordenhá-la. nada vem de graça e sem esforço.
Sempre é tempo de aprender. Não é preciso esperar que  a vida ensine.