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sábado, 27 de maio de 2023

E se eu morrer amanhã?

Morte é um tabu e precisamos superar esse receio que nos impede de falar sobre a única certeza que temos na vida. Você fala sobre morte? Mais precisamente sobre a sua? Ou foge do assunto? Me conta. Eu fugia do assunto e logo interrompia qualquer conversa que enveredasse por esse lado alegando que preferia falar sobre coisas boas. Entretanto, ouvi um podcast do Itaú Personnalité no qual os participantes, além de falarem sobre a importância dos seguros, também defendiam a ideia que precisamos comunicar a família sobre o que está assegurado , onde e como. A partir daí, passei a comunicar meus filhos sobre os seguros que eu tinha, e embora eles ainda não gostem quando falo nisso, vou dizendo outras coisas como o fato de que quero ser cremada e que quero estar com um terço nas mãos, colar e brincos, tudo combinando. Lendo o livro, A morte é um dia que vale a pena viver, de Ana Claudia Quintana Arantes, comecei a pensar que não posso morrer e levar comigo todo o conhecimento que tenho na área educacional. Por isso, estou organizando um curso para compartilhar meu conhecimento com professores em início de carreira ou profissionais com experiência que queiram novas ideias. Se estiver interessado, me mande um email: silva.mss@gmail.com

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Perda nossa de cada dia





Início do ano letivo, reunião da escola, entrega de material, compra de uniforme, lanchera e mala. Na cabeça da mãe, passa, como num filme, um milhão de detalhes para resolver. O cenário  mental é quase dantesco: a  mochila tem que ser com rodinhas – para não prejudicar a coluna, o lanche tem que ser  saudável – conforme determina a nutricionista, o material todo etiquetado e encapado, enfim, uma mãe perdida entre tantos papéis com tipos e padronagens diferentes e um medo imenso do que a espera: deixar o filho na escola. Medo e ansiedade ancoram no coração das mães.
Chegada na escola, com a imensa sacola de material no ombro, o coração pesado com saudade antecipada  e a curiosidade aguçada. Neste dia, a primeira reunião com a professora, ou melhor com aquela que irá levar seus filhos para um outro lugar, ou melhor dizendo um outro mundo   onde a mãe não faz parte, pode até visitar, mas não pode e não deve permanecer. Este fato fere com atrocidade  um coração de mãe porque este momento de deixar o filho na escola é um segundo parto, muito mais difícil que o físico pois laços invisíveis parecem desfazer-se.
Enrijecida com receio de que o filho sofra e, ao mesmo tempo, temendo que o filho se encante demais com aquela que não é TIA, mas é chamada e será amada como tal, a mãe leva o filho pela mão até sua sala. Ao deparar-se com a mulher que, daquele momento em diante será considerada a mais inteligente das mulheres e sem dúvida, emprestando o slogan do comercial de sutiã, a primeira professora a gente nunca esquece, a mãe hesita e  torna-se difícil dizer qual sofre mais :aquela mãe cujo filho  se despede e se entrega às novas aventuras com galhardia ou aquela   cujo filho, sentindo a hesitação da mãe, agarra-se tentando retardar a separação.
Todos nós sofremos perdas e cortes dolorosos, mas, assim como a árvore não morre ao ser podada, ao contrário, brota com mais vigor, o ser humano é capaz de  se renovar a cada novo ciclo. As árvores são símbolos do ser humano e do universo em suas vidas cíclicas: queda de folhas, brotos novos, flores, frutos, sementes, nova árvore, novo broto e mais um ciclo de vida com todos os mistérios da vida, morte, alegria e dor que se alternam na existência humana.
Ao sair da escola, de mãos vazias – pois o filho ficou na escola - e livre do peso da sacola com  material escolar, observe as árvores do caminho. Elas também têm muito a ensinar!