segunda-feira, 16 de julho de 2018

Clássicos. Por que ler?



Os jovens e muitos adultos franzem o cenho ao pensar em ler obras classificadas como clássicos. Creio que desconhecem que um dos requisitos que eleva um livro à categoria de clássico é a atemporalidade. Um clássico traz de uma maneira brilhante temas para discussão e reflexão que permanecem com o passar dos anos.
Assim, indico Anne of Green Gables da escritora canadense Lucy Montgomery, publicado em 1908 que até hoje ainda encanta leitores de todas as idades com seus temas tão atuais como bullying, preconceito, morte, problemas econômicos, mudanças e, não poderia faltar amor e amizade. O livro conta as confusões e aventuras da vida de Anne, uma  órfã de cabelos ruivos, extremamente criativa e portadora de uma inocência e praticidade que a levam a se meter em muitas encrencas.  O livro trabalha temas sérios de uma forma que aflora nossas emoções efetivamente desenvolvendo a empatia, palavra tão em voga atualmente.
A história de Anne é uma leitura imprescindível não só para o desenvolvimento do conhecimento de inglês, pois Anne adora palavras novas e rebuscadas levando o leitor de uma forma leve a aumentar o vocabulário, mas também,  trabalha valores e constitui-se numa forma de desenvolver a imaginação e o raciocínio. A leitura prende a atenção por meio das encrencas e aventuras da personagem principal de uma forma inigualável.
Sugiro, inclusive trabalhar a série juntamente com a leitura discutindo a adaptação, os temas e questionando como seria a história de Anne se ela tivesse what´s app e demais redes sociais. Mais simples? Ou com mais encrencas? Aproveitando o gancho para discutir mais este tema na vida dos jovens.
Finalizando, é um livro que por sua riqueza temática pode acompanhar um projeto anual!
Links for the trailer of the film:
https://www.youtube.com/watch?v=V7j8pG9UJ4A
Para quem quiser trabalhar em português:
https://www.youtube.com/watch?v=cPwoPGO4CuU

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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Telas, telas e mais telas


Quantas telas existem em sua vida? Já parou para analisar quanto tempo você passa olhando para uma  tela?  É a tela do celular, do laptop, do desktop,  do I-PAD, da televisão, dos exames de saúde ..são tantas que nem no elevador ficamos livres delas. No supermercado, shopping centers e até nas cantinas dos colégios e faculdades , lá estão veiculando notícias ou propaganda.
Com toda esta exposição, é nítido que as pessoas não se olham, pois até quando  conversam pessoalmente o olhar  está aprisionado pelas telas; a boca fala, mas os olhos e o cérebro não acompanham. Acredito que numa nova versão de Branca de Neve, a Rainha deve perguntar: Tela, Tela,minha, há alguém com mais selfies do que eu?
Nesta era tecnológica, a educação precisa voltar-se para ensinar e desenvolver uma habilidade que costumava ser inata: a empatia.  A palavra origina-se do grego com a junção de duas palavras: em ( in= para dentro) e pathos= sentimentos, ou seja compreender o que o outro sente. Para haver empatia, faz-se necessário haver a compreensão da emoção dos outros. Esta compreensão é que impacta o comportamento e provoca uma busca por suprir as necessidades dos outros, abrindo mão de interesses pessoais e buscando a conciliação.
Mas, como desenvolver isso nas escolas? Os alunos precisam ser levados a reconhecer o outro, ou seja desenvolver a alteridade. Uma forma é trabalhar muito com fotos e imagens. Parece controverso, mas é justamente, ensinar a ler as emoções nos rostos das pessoas. Exibir fotos e questionar o que a pessoa está sentindo e como percebem isso. Aprender a olhar para si e para as pessoas que os cercam prestando a atenção aos detalhes e tentando ler o que se passa no íntimo das pessoas.
Aconselho a série de  TV  LIE TO ME e algumas TEDs que abordam o tema com alunos mais velhos. Trabalhar a leitura de livros como A Mala de Hanna, o diário de Anne Frank e outros que descrevem as situações difíceis enfrentadas pelas pessoas e o poder de resiliência também.
Desenvolver esta competência,  é crucial para formarmos uma sociedade mais pró-ativa e empática.

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

3 dicas para desenvolver a empatia


Que o hábito da leitura é super saudável, ninguém discute, mas ler ficção vale? É uma questão interessante.
Neurocientistas descobriram e publicaram na revista científica Science que, quem tem o hábito de ler livros de ficção, aumenta a empatia e a compreensão com outras pessoas.  A razão disso é muito simples porque para compreender os personagens e os conflitos das histórias é preciso sentir empatia por eles.
Para as crianças pequenas, ler histórias com animais também é uma maneira de treinar e desenvolver esta competência. Além disso, há jogos tipo RPG que melhoram a empatia uma vez que o jogador é um dos personagens em situações conflitos.
Ultimamente, tenho dedicado algum tempo para a leitura de Outlander e acreditava que seria uma leitura para preencher o horário ocioso. Entretanto, além de aprender muito sobre História, percebo que de fato me coloco no lugar das personagens e compartilho das mesmas emoções. Por isso, mesmo depois as crianças já são capazes de ler, seria interessante se os pais e professores mantivessem o hábito de ler em voz alta. Além de ser muito bom ouvir uma história, também se aprende a ler e dar a devida entonação à leitura.
Logo, mãos à obra, ou melhor, olhos à obra!

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terça-feira, 19 de junho de 2018

Show and Tell



Já ouviu falar em  SHOW and TELL?  É uma atividade que está invadindo inclusive o mundo dos negócios.
Muito comum nas escolas americanas o Mostre e Fale ou Show and Tell  foi usado pela primeira vez nos anos 40 para descrever uma atividade de aprendizagem para crianças na qual cada criança traz um objeto e fala sobre ele para a sua classe. Objetivando desenvolver fluência, comunicabilidade, oratória e confiança para falar em público, o exercício vai expandindo para hobbies, habilidades e talentos. Eu mesma já usei para falar sobre atualidades onde cada aluno escolhia uma notícia e falava sobre ela.
Este ano, entretanto, fui surpreendida. Meus alunos trouxeram todos  um único objeto: o celular. Com o celular em punho descreveram seus animais de estimação, hobbies, talentos, apps favoritos, enfim, o céu foi o limite, aliás acho que o céu não é mais o limite, pois este dependerá do quanto as nuvens conseguirão armazenar.
De qualquer forma, embora com esta nova versão tecnológica, a atividade ainda é muito útil facilitando o desenvolvimento das habilidades acima mencionadas.
Quando o professor pensa que vai surpreender os alunos, na verdade acaba surpreendido. O mundo está muito veloz! Como Mário Sérgio Cortella diz:
 “É preciso ensinar, mas também se aprende muito com quem chega.”

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Add-on game -um olhar diferenciado


Todos já devem ter participado deste jogo chamado Add-on game, comumente utilizado para ajudar a quebrar o gelo inicial entre pessoas reunidas pela primeira vez. Sentados em círculo, as pessoas devem lembrar dos nomes ditos anteriormente e acrescentar o seu. Este jogo treina a memória e facilita a interação entre os membros da equipe que está se formando. Você consegue memorizar todos os nomes?
Este jogo pode ser usado com categorias diferentes para auxiliar na memorização de vocabulário em aulas de inglesa ou a aprender a categorizar itens. Entretanto, o que mais me chama a atenção é que nunca lembramos o que a pessoa que está ao nosso lado falou. Ficamos tão focados em memorizar toda a lista que esquecemos do vizinho mais próximo.
Participar desta atividade sempre me faz refletir sobre o quanto não prestamos atenção nos nossos vizinhos, em nossa redondeza, em nossa comunidade. Precisamos manter uma visão geral e macro, porém não podemos nos desligar de quem está tão próximo de nós.
Por isso, nesta era da tecnologia e com as telas prendendo nossos olhos, experimente trocar algumas palavras com o seu vizinho na garagem, no elevador e onde mais você encontrar. Olhe para o vizinho! Empatia e olhar atento são duas qualidades que estão em extinção. Para pensar! Desenvolva este olhar e atenção,

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sexta-feira, 18 de maio de 2018

A história de cada um




“......Lembra-se de todas aquelas caixas na garagem?
- Quais?
- As que têm Roger escrito...........Estão cheias de objetos e roupas velhas de meus pais – disse ele. – Fotos, cartas, roupas de bebê, livros e quinquilharias. O reverendo empacotou tudo quando me trouxe para viver com ele. Tratou- os da mesma forma que seus mais preciosos documentos históricos, caixas duplas, proteção contra traças e tudo o mais.
( ...)
- Uma vez perguntei a ele por que se dava ao trabalho de guardá-los, eu não queria nada daquilo, não me importava. Mas, ele disse que guardaríamos mesmo assim, era a minha história, ele disse, e todo mundo precisa de uma história. “  ( em Outlander – O resgate no Mar- p. 358-359,  Gabaldon, Diana, 2015, Saída de emergência Editora).

Não se trata de apologia a guardar tudo. Ao contrário, uma boa arrumação de armários com direito à doação e lixo sempre será muito bem vinda. Por outro lado, há a questão de manter alguns objetos como num museu para contar sua história. Como no texto de Gabaldon, devidamente acondicionados e mantidos, mesmo que não sejam olhados. O importante é saber que sua história esta ali.
Por isso, ao ensinar as crianças do Fundamental 1, é essencial trabalhar a história delas. Com a ajuda dos pais, uma exposição com algumas roupas, brinquedos favoritos, documentos e sugiro até uma caixa de sapato decorada com fotos da família, ou seja, cada criança pode formar seu pequeno museu. Entendendo sua história, ficará interessada em outras histórias, compreenderá a passagem do tempo e valorizará os antepassados.
Os momentos onde a família conversa sobre o momento do nascimento, a gravidez, os primeiros anos de vida proporcionarão aconchego e muita roda de conversa para o lar. Por que não ver fotos e vídeos? Conversar mais com olho no olho e menos mensagens online, mais presença física!


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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Círculos e histórias


Quem não gosta de ouvir uma boa história? Afinal, o que são as novelas, filmes ou séries senão uma história contada? Pena que não são mais contadas ao redor do fogo. Qual a importância do círculo ao redor do fogo?
Os processos circulares estão presentes na maioria das tradições de todos os povos da Terra porque o círculo favorece o olhar para o outro e, proporcionando este olhar e proximidade, torna-se mágico. As pessoas sentem-se ouvidas, por isso o processo de contar histórias se desenvolveu tão bem neste processo, pois toda a beleza e profundidade da experiência da humanidade é compartilhada. Ao invés de hierarquia, há o compartilhamento do poder.
Ao ler Outlander, deparei-me com a descrição que transcreverei a seguir, onde mesmo aprisionados, doentes, com fome e frio, há o lugar para o círculo e a contação de histórias, afinal quem não gosta de ouvir uma boa história?
“O acordo era que aquele que tivesse uma história para contar ou uma canção para cantar obtinha um lugar junto à lareira enquanto estivesse falando. Mac Dubh disse que era um direito dos trovadores, que ao chegar em grandes castelos, davam-lhe um lugar quente junto à lareira e bastante comida e bebida, em honra da hospitalidade do senhor do castelo.” ( Outlander O resgate no Mar  livro 3 Parte 1  p.49, Diana Gabaldon)       

Esta semana ao visitar uma escola de educação infantil e ver o imenso espaço com área verde que ela possui, fiquei me imaginando, sentada num círculo com meus alunos ao sol, contando e ouvindo histórias. Quantas emoções seriam liberadas e quantas aventuras surgiriam com a criatividade colocada à solta!
Ao contrário do que poderia parecer a quem por ali passasse, não seria enrolação, mas um período profícuo de aprendizagem e desenvolvimento emocional e intelectual.
Um círculo não aprisiona, ao contrário liberta. Lembra-se da alegria e liberdade sentida ao dançar e cantar uma cantiga de roda?
Que tal deixar um pouco o retângulo das telas e aproximar-se dos círculos da vida? Asseguro-lhe é mágico.

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