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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Aulas para a vida


Era uma vez, uma linda família de macaquinhos que morava na floresta. Toda a manhã, a mamãe  dava a refeição para seus filhos, penteava o pelo dos filhinhos e depois começava  a lista de recomendações:
- Não vá para o norte porque há jaguares ferozes.
-Cuidado com as cobras, preste atenção para onde você está indo.
-Não coma qualquer fruto. Alguns são venenosos.
Da mesma forma, os pais precisam ensinar seus filhos da cidade a sobreviver. Mostrar os perigos e os cuidados necessários.
E, por sobrevier, não basta pensar em termos de saúde física. A emocional/ psicológica precisa ser ensinada e desenvolvida todos os dias. Os pais, assim como os professores, devem preocupar-se em desenvolver e fortalecer as emoções dos jovens.
Às vezes, escuto as pessoas falando no meu tempo não era assim. Nosso tempo é agora. Como diz , Mário Sérgio Cortella, faz apenas  8 anos que o DVD foi criado e já é obsoleto. O telefone é usado para escrever ou gravar  áudios. Ninguém se liga mais. Porém, precisamos nos ligar nas mensagens que estamos passando para nossos jovens por meio de nossas atitudes.
Certa vez, uma mãe me procurou para mudar a filha de classe alegando que ela não se dava com as meninas da classe. Preocupada com bullying, perguntei o que ocorria exatamente e a mãe me explicou que as outras meninas gostavam de ficar lendo no intervalo enquanto ela gostava de conversar e brincar. Bem, transferência feita, passam-se algumas semanas, a mãe retorna: ” Aquela classe, também não é boa para a filha porque as meninas conversam demais.”
No mundo real, não precisamos gostar de todo mundo, mas devemos respeitar a todos. Lendo a Revista AT, o artista plástico Sé Cordeiro conta que:
 “Na Índia, você se depara com contrastes o tempo inteiro: pobreza, riqueza e etc. Essa experiência me deu casca, mostrou que dá para viver em qualquer lugar, lidar com qualquer adversidade.”
Este é o papel do educador seja na figura de pais ou professores: educar para viver em qualquer lugar sob qualquer circunstância.
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Show and Tell



Já ouviu falar em  SHOW and TELL?  É uma atividade que está invadindo inclusive o mundo dos negócios.
Muito comum nas escolas americanas o Mostre e Fale ou Show and Tell  foi usado pela primeira vez nos anos 40 para descrever uma atividade de aprendizagem para crianças na qual cada criança traz um objeto e fala sobre ele para a sua classe. Objetivando desenvolver fluência, comunicabilidade, oratória e confiança para falar em público, o exercício vai expandindo para hobbies, habilidades e talentos. Eu mesma já usei para falar sobre atualidades onde cada aluno escolhia uma notícia e falava sobre ela.
Este ano, entretanto, fui surpreendida. Meus alunos trouxeram todos  um único objeto: o celular. Com o celular em punho descreveram seus animais de estimação, hobbies, talentos, apps favoritos, enfim, o céu foi o limite, aliás acho que o céu não é mais o limite, pois este dependerá do quanto as nuvens conseguirão armazenar.
De qualquer forma, embora com esta nova versão tecnológica, a atividade ainda é muito útil facilitando o desenvolvimento das habilidades acima mencionadas.
Quando o professor pensa que vai surpreender os alunos, na verdade acaba surpreendido. O mundo está muito veloz! Como Mário Sérgio Cortella diz:
 “É preciso ensinar, mas também se aprende muito com quem chega.”

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Tecnologia e motricidade

Alguns visionários previram que o homem do futuro terá os polegares mais desenvolvidos em virtude dos jogos eletrônicos e das digitações em celulares. Atualmente, como educadora, já verifico um déficit na coordenação motora das nossas crianças.
Mário Sérgio Cortella afirma em seu livro   Educação, Escola e Docência:   “quer ver um sinal de outra doença coletiva moderna? No domingo, famílias inteiras saem juntas de casa para comer comida caseira! A casa ficou distante de casa…”
Aliando as duas ideias, compreendi o porquê desse déficit apresentado. Em um tempo não muito distante, as mães e avós costumavam cozinhar junto com as crianças. As crianças desenvolviam a coordenação motora em casa, ou melhor, na cozinha enquanto misturavam os ingredientes para um bolo, uma pizza ou um pão com as próprias mãos. Na minha infância, em casa, brincávamos de fazer empadinhas e bolachinhas. Era uma grande diversão! Infelizmente – embora eu adore brigadeiro de colher –  até os brigadeiros deixaram de ser enrolados um a um em tamanhos aproximadamente semelhantes. E amassar os ingredientes para fazer uma boa massa de pão e depois dividir em partes iguais e deixar crescer? Sem micro-ondas, aproveitávamos o aroma que ia crescendo lentamente do bolo que crescia no forno e invadia a cozinha e a casa.
Todos estes exemplos, constituíam uma forma de compartilhar momentos juntos em família, conversar, rir, fazer uma bagunça saudável, aprender matemática, desenvolver a coordenação motora e ainda de quebra saborear o gostinho de uma receita caseira passada de mãe para filha. Ah, aquele cheirinho de torta na janela para esfriar, ícone dos desenhos americanos, existia nos bolinhos de chuva preparados para o café das cinco.
Estamos na era da falta de paciência e de tempo. Na verdade, era do Fast. Tudo tem que ser rápido e prontamente entregue. Sem frustrações. Sem espera. Não há tempo a perder, porém estamos perdendo muito tempo de viver!
Este texto não é uma mensagem saudosista, nem uma acusação contra a tecnologia, mas um apelo: não furte da sua família o prazer da convivência em família,  do construir algo juntos,  do curtir e compartilhar ao vivo e em cores.  O grande vilão não é  a tecnologia. Além da melhora nas relações familiares, as professoras agradecem o desenvolvimento motor desenvolvido naturalmente.


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