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domingo, 11 de setembro de 2022
Independência ou efeito manada?
Na semana ou até, mais amplamente falando no mês do Bicentenário da Independência, penso que falar da independência intelectual é essencial. Porém, o que é independência intelectual?
Lembro-me bem que na minha segunda faculdade, comprovei que realmente vamos à faculdade para aprender a pesquisar ou seja aprender a buscar o conhecimento. Mais do que em qualquer outro segmento da educação, é na faculdade que aprendemos com nossos professores e orientadores a encontrar o caminho das pedras para o conhecimento.
Desde os primeiros anos escolares, os professores vão nos ensinando a trabalhar em equipe e a planejar e desenvolver projetos. Mas, é na universidade que realmente nos tornamos independentes . O professor ou orientador está lá para nos provocar, nos fazer pensar, sugerir, indicar, enfim apresentar as possibilidades infinitas de caminhos a trilhar.
Saber fazer perguntas é mais difícil e fundamental que respondê-las , já dizia uma professora que tive no ensino médio, porque você tem que ter um conhecimento mínimo para poder formular questões.
Minha orientadora do meu último TCC, era PHD em fazer perguntas que me levavam a pensar muito e pesquisar. Amei esta experiência. Saía de cada reunião com a cabeça fervilhando de dúvidas e curiosa por respostas. Claro que ela indagava e sugeria como chegar às respostas ou pelo menos por onde começar. Aprendi muito ao longo do meu TCC sobre pesquisa muito mais do que sobre o tema.
Esta independência intelectual é importantíssima para frear um pouco o efeito manada. Este fenômeno comportamental ocorre pela lei do mínimo esforço e pela busca do cérebro em economizar energia. Porém, este “ todo mundo tá fazendo, então vou fazer também” é muito perigoso.
Alguns cuidados devem ser tomados e fazer questionamentos auxilia muito em nossas escolhas. Temos a tendência, até instintiva e primitiva, a acreditar que se todos estão fazendo é porque está certo. Por isso, uma das missões da escola hoje em dia é desenvolver o pensamento crítico . Creio que a independência do efeito manada é a maior conquista. A tecnologia tornou as pesquisas muito mais acessíveis embora também leve a erros. Independência é liberdade de escolha. Faça a sua, especialmente em ano de eleições no Basil.
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Aprender letra cursiva ? Para quê?
Durante a tarde de autógrafos do lançamento de meu livro, várias pessoas admiravam a minha letra enquanto eu escrevia as dedicatórias. (Nem acho minha letra bonita, até porque não sou professora alfabetizadora, então escrevo sempre com pressa, rapidamente). Aqueles comentários me fizeram refletir.
Então, fiz uma pequena pesquisa nos stories do meu instagram provocando as pessoas a me dizerem quando foi a última vez que efetivamente escreveram algo à mão. Foi surpreendente, especialmente para mim porque, como professora, tenho lápis, canetas e papéis em todas as minhas bolsas. A maioria das pessoas não sabia dizer.
Esta estatística, ainda que informal, me assustou porque estudos ( deixarei o link de um deles ao final, mas há vários) defendem que o ato motor de escrever não só traz benefícios para a coordenação motora fina, como ativa áreas cerebrais que a digitação não consegue atingir.
Hoje em dia com os exames de imagens, as investigações em Neurociências têm crescido muito e esse dado é fundamental. Nossas crianças ´precisam continuar a aprender a letra cursiva e os outros tipos como a bastão, por exemplo, mas também fazer uso dessa técnica de escrever para auxiliar nosso cérebro na memorização.
Por isso, sempre faço atividades em classe que levem os alunos a escrever mais. Faço ditados engraçados, wall dictation, board running e tantas outras. Também procuro incentivá-los a escrever para aprender fazendo flashcards e listas. Escrever fazia parte do nosso cotidiano. Claro que hoje digitamos muito mais que escrevemos. Eu mesma não faço mais lista de supermercado, preencho a planilha e vou olhando no celular. Na verdade, primeiro vou colocando no carrinho para exercitar minha memória e antes de ir ao caixa, confiro a planilha.
Por outro lado, mantenho agenda, diário e várias notas no escritório. Tenho incentivado meus alunos a manterem um diário no papel. Eu digo que este não cairá tão facilmente na mão de um hacker. Até mostro um filme interessante ( O sentido da Vida – Netflix)sobre uma moça que perdeu a memória e se redescobre a partir de seu próprio diário.
Só posso sugerir, escreva mais!
Ose Askvik E, van der Weel FRR, van der Meer ALH. The Importance of Cursive Handwriting Over Typewriting for Learning in the Classroom: A High-Density EEG Study of 12-Year-Old Children and Young Adults. Front Psychol. 2020 Jul 28;11:1810. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01810. PMID: 32849069; PMCID: PMC7399101.
domingo, 28 de agosto de 2022
Ativando o cérebro
Nosso cérebro adora ficar na zona de conforto para economizar energia, afinal ele consome 20% de energia do total que nosso corpo precisa. Porém, é como se um alerta geral surgisse quando fazemos algo novo. Para nós, educadores, este é o momento de ensinar algo: quando nosso cérebro estiver mais atento.
Assim, andar para trás ajuda nosso cérebro a ficar em alerta porque algo diferente está acontecendo. Também é importante mencionar que atividades físicas são essenciais para o processo de memorização, bem como compartilhar momentos com outras pessoas.
Uma atividade que costumo fazer para ajudar os alunos a memorizarem novas palavras é organizar uma competição em que os alunos andam de costas até palavras escritas ou coladas em um quadro. A competição, os pontos e as risadas ativam a área de recompensa do cérebro. É uma ótima forma de começar a aula e rever o que foi aprendido.
Neste dia, escrevi várias palavras que compõem idioms aprendidas anteriormente e eu dizia o verbo e os alunos de costas corriam até a lousa e circulavam a palavra apropriada. Também, para turmas iniciantes, mostro figuras e peço que eles encontram a forma escrita ou faço como ditado mesmo eu falo e eles encontram palavras ou figuras fixadas na lousa. Há muitas formas de desenvolver a atividade, mas é importante que eles andem ou corram para trás e que criemos um ambiente lúdico e engajador.
domingo, 7 de agosto de 2022
E quando o elevador não para?
Elevator Pitch:Já ouviu falar? Fiz uma rápida pesquisa nos stories da minha rede e descobri que 95% das pessoas nunca ouviu falar neste termo. Numa tradução livre, a expressão em inglês poderia ser discurso do elevador. Em linhas gerais, é o discurso que você faria se encontrasse um potencial investidor ou cliente no elevador. Você pode pensar que não precisa disso, porém eu te afirmo que todos devemos não apenas ter o nosso pronto como deve estar sempre na ponta da língua.
Na verdade, nós nos apresentamos constantemente em diferentes situações e para públicos variados. Quem nunca começou um curso e teve que falar de si logo no início da aula? Não é só no elevador que as oportunidades surgem, por isso o tempo de duração pode variar, mas o conteúdo deve estar pronto para ser proferido com segurança.
As dicas iniciais que costumo passar para meus alunos são:
1- Seu nome e um pouco sobre a sua qualificação ou profissão. Contextualize o que estudou e qual instituição.
2- Conecte-se com a pessoa para que não seja um monólogo. Lembre-se que está conversando com alguém. Diga o porquê a pessoa estaria interessada no que você está falando. Pense no que você pode oferecer para a pessoa, o que você pode fazer por ela. Enfim, como você pode preencher uma necessidade dela, em suma o motivo pelo qual ela pode contar com você.
3- Troque informações sobre como contatar você. Elogie algo na pessoa ou na empresa em que trabalha.
É importante criar seu pitch sob a ótica de quem vai ouvi-lo e não entregar todas as respostas. Como você pode observar um bom elevator pitch exige que você pense, analise suas aptidões e treine muito para que seja natural. Comece já! Quem é você? O que faz? O que você tem a oferecer? Qual o seu diferencial? Lembre-se que há vários públicos, esteja preparado! Sucesso!
terça-feira, 28 de junho de 2022
Como conseguir um feedback dos alunos?
Fim de semestre chegando e fica aquela dúvida como professor: será que minhas aulas foram boas? Os alunos aprenderam? Gostaram? No que eu poderia melhorar.
Eu costumo fazer alguma atividade de fim de semestre para que os alunos me passem esse feedback. Este semestre fiz uso da Mentimeter para que os alunos em três palavras falassem sobre as aulas do semestre. O site é super user-friendly. Você escolhe o slide, decide a pergunta e compartilha o link. Foi uma ótima experiência. Os alunos colocaram suas impressões anonimamente, logo foi bem espontâneo e de uma forma mais interativa e digital.
Gostei da experiência e refleti sobre as palavras colocadas. Além dos alunos me darem esse feedback, ainda revisaram o vocabulário aprendido. Super recomendo!
sexta-feira, 27 de maio de 2022
O lugar de cada aluno
Qual professor já não mudou alunos de lugar ou devido à indisciplina ou para melhorar a atenção do aluno? Porém, esta atitude autoritária acaba desmotivando ou chamando exagerada atenção sobre o aluno em questão.
Por isso, fui desenvolvendo algumas técnicas para ser mais gentil, democrática e obter bons resultados. Às vezes, determino onde sentarão antes que eles cheguem na classe. Deixo um “ mimo” e o nome na carteira. Outras vezes, uso fitas coloridas, faço sorteio, enfim, vou variando a forma de determinar onde sentam e com quem interagem. Atribuo tudo ao acaso, mas na verdade planejei quem eu quero que sente onde e com quem trabalhe em pares ou em grupo. Use a imaginação!
quarta-feira, 18 de maio de 2022
Crianças são consumistas?
Como criar uma criança consumista? O livro da Dra Ana Beatriz Barbosa Silva chamou minha atenção para esta questão.
Apesar de morar numa cidade litorânea, o passeio ao shopping center também faz parte das opções dos pais especialmente em dias chuvosos. O shopping é um sonho porque inclui brincadeiras, alimentação, segurança e uma organização e beleza apaixonantes onde até a iluminação faz parte desse encantamento.
Como educadora, além de me preocupar com o que o excesso de propaganda s pode causar no emocional das crianças, vejo também que alguns pais se sentem “devendo” algo aos filhos por não conseguirem dar a atenção que gostariam, por isso, acabam cedendo e exageram nos presentes para os filhos na busca de preencher essa lacuna emocional. Preocupo-me porque o material não substitui a afeição nem a atenção.
O problema maior segundo a autora do livro Mentes Consumistas é a menagem ensinada. Quais valores estamos passando para nossas crianças? Lembro que, uma vez, eu estava dirigindo com meu filho pequeno no carro e ele me disse: -Sabe, mãe, seria muito melhor se a gente não precisasse pagar, a gente entrava na loja e pegava o que queria. Esta frase me fez parar e refletir sobre os sentimentos do meu filho e o que eu estava ensinando ou provocando inconscientemente. Para a criança, o limite entre o imaginário e a realidade não está muito bem definido. A criança realmente acredita que ficará igual àquele super herói, se consumir determinado produto.
A autora salienta que lidar com frustrações é essencial para a vida futura e ainda lembra que estabelecer limites é uma das formas mais corajosas de amar. Por isso, nós pais e educadores precisamos ter muito claro que também somos muito influenciados pelo marketing e pelo cansaço que acaba fazendo com que validemos a compra necessária para compensar o sacrifício ou o dia ruim. Sempre bom lembrar que ensinamos mais pelo exemplo do que pelas palavras, então sugiro a leitura do livro como um alerta para todos nós. O número de inadimplentes no país está subindo assustadoramente neste período pós pandemia, será que podemos reavaliar nossos gastos neste novo cenário e compartilhar essa realidade com nossos filhos? Podemos sim, dependendo da idade deles e será muito bom propor esse caminho juntos.
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