terça-feira, 12 de novembro de 2019

Empatia: trabalhando na escola





A palavra empatia tem  origem no termo  grego empatheia, que significava "paixão" , portanto a empatia pressupõe uma comunicação afetiva com outra pessoa. Uma comunicação assim implica em  ouvir sem julgar e de entender o que o outro sente. Esta atitude tem o poder de mudar ambientes e relacionamentos.
Colocar-se no lugar do outro exige boa vontade, habilidade de escuta  e boa vontade.
A prática constante leva a dirimir diferenças, entender e respeitar a diversidade.
Em sala de aula, esta habilidade deve ser trabalhada através de técnicas variadas como fazer releitura de histórias sob outras versões, ensinar a prestar atenção a  mudanças na fisionomia das pessoas,  estratégias de teatro. As  brincadeiras e jogos são os momentos perfeitos para exercitar esse olhar sobre o outro.  Enfim, literalmente como se diz em inglês “put yourself in someboy else´s shoes”, ou seja,  colocar-se no lugar do outro.



domingo, 6 de outubro de 2019

Você é inteligente?


A palavra inteligência é formada a partir de duas palavras latinas inter ( entre) e legere ( eleger ou escolher). Portanto, é a capacidade de fazer a melhor escolha.
No passado, inteligente era aquela pessoa boa em cálculos, todavia, graças a Howard Gardner a inteligência hoje em dia é composta por 8 tipos diferentes igualmente importantes. O desenvolvimento dessas inteligências depende também do ambiente e da educação recebida.
No filme, Viva – a vida é uma festa, temos a história da família que aboliu a música da vida familiar por gerações até que a paixão por música foi mais forte. Embora a história seja obra de ficção, o meio realmente influencia as pessoas propiciando ou negando oportunidades. Além disso, temos a genética e o aprendemos com a experiência.
É importante saber o tipo de inteligência que possui de modo a desenvolvê-la mais, trabalhar pontos mais vulneráveis e até mesmo escolher as pessoas que farão parte da sua equipe. Observar as pessoas  ajudará  a atribuir tarefas e otimizar resultados.
Em linhas bem gerais, temos inteligência: 
1.       Lógica: voltada para conclusões baseadas em dados numéricos, porcentagens e gráficos.
2.       Linguística:  capacidade de elevada de se comunicar.
3.       Corporal: grande capacidade de usar o corpo pra se expressar.
4.       Naturalista: análise e compreensão  os fenômenos da natureza.
5.       Intrapessoal: possuem a capacidade de se auto-conhecerem, tomando atitudes para melhorar a vida.
6.       Interpessoal: facilidade em estabelecer relacionamentos com outras pessoas. Pessoas assim atuam com facilidade em equipe.
7.       Espacial: habilidade para manipular formas ou objetos  mentalmente.
8.       Musical: sensibilidade em  relação a notas, ritmo e timbres.
Conhecer detalhadamente cada tipo de inteligência é essencial para quem ensina porque conhecendo cada aluno  e  as aptidões, o professor poderá preparar aulas mais interessantes que despertarão cada inteligência como num diálogo bem sintonizado. Toda aula deve ter atividades planejadas para estimular as diversas áreas. Certamente, é um desafio para o professor.




domingo, 22 de setembro de 2019

Atividades extracurriculares x lição de casa

Prioridades, lista de tarefas, organização, prazos:  estas palavras podem parecer vocabulário típico de adultos; entretanto, é de criança que se aprende a organizar a rotina para a vida.
Primeiramente, os pais  precisam demonstrar que valorizam a escola. E esta prioridade  fica evidente  com a frequência dos pais às reuniões, as conversas  em família sobre o que se passa no ambiente  escolar e o genuíno interesse nos assuntos relacionados aos estudos.
Estabelecida esta prioridade, a criança pode  e deve praticar outras atividades, sempre sendo lembrada que as tarefas escolares ocupam o primeiro lugar. Na minha opinião, os pais precisam observar o cansaço da criança:  se está difícil para sair da cama, mau humorada, irritada, reclamona. Todas estas reações indicam que  algo não está indo bem. É fundamental respeitar o ritmo da criança. Preocupo-me com o número crescente de crianças com gastrite, síndrome do pânico, depressão e tantos outros problemas causados também por stress. Por isso, deixo este alerta: observe!
Outro ponto que considero importantíssimo, é o ócio. Todos nós precisamos de um tempo livre não só por questões de saúde como também para desenvolver a  criatividade  que atinge seu máximo nesses momentos.  Por isso, recomendo equilíbrio: tempo para estudar, tempo para esportes, tempo para dormir e tempo para não fazer nada ou fazer  tudo o que quiser. Aprende-se a lidar e organizar o tempo desde criança.
Ana Maria Santos da Silva, professora e psicopedagoga
AT Revista 22/09/2019

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Primeiros anos escolares e a dúvida vem: Para que aprender letra cursiva?



No Brasil, o processo de alfabetização é feito quase que em sua totalidade em letra cursiva  excetuando algumas escolas sócio-construtivistas que iniciam com letra de forma. Na verdade, é mais natural iniciar com letra de forma porque a exposição  às letras de forma é maior no dia a dia em cartazes, jornais, revistas, anúncios, nomes de ruas.
Neurocientistas afirmam que  escrever à mão ativa mais áreas e redes cerebrais que digitar. Logo, escrever à mão é um exercício para o cérebro porque combina percepção, cognição e motricidade. Escrever desenvolve a memória, ajuda na aprendizagem, na atenção e na compreensão geral. 
Por outro lado, a letra cursiva exige um domínio da coordenação motora fina muito maior. Este trabalho é desenvolvido desde a educação infantil quando a criança começa a brincar com massinha, ligar pontos, fazer colagem , andar em cima do barbante, fazer colagem com macarrão, linhas e tantas outras atividades.
Ao falar em letra cursiva, sempre é bom lembrar que os meninos têm músculos maiores e mais pesados naturalmente dificultando a coordenação motora fina. Por isso, há  aquela eterna reclamação sobre a letra dos meninos.
O treino é importante, todavia, deve ser feito sempre contextualizado e com muita imaginação para modificar as atividades e formas de fazê-lo evitando a automação e desânimo. Algumas pessoas alegam que aprenderam muito bem com cópias repetitivas e descontextualizadas. Neste momento, vale lembrar que as crianças de hoje, são muito diferentes das crianças de 10 anos atrás. Observem as mudanças que aconteceram no mundo e na forma de educar. Não podemos  usar as mesmas técnicas de antigamente pois a sociedade mudou muito. Hoje, por exemplo, as crianças digitam antes de escrever.
Lembro-me que eu costumava ensinar a  preencher cheques na escola . Creio que, atualmente, eles nem sabem o que é um cheque.
Quando falo em contextualização, refiro-me a  atividades que podem ser feitas em casa como: deixar bilhetes amorosos para os filhos, escrever uma receita que está sendo falada na TV, FB ou youtube, manter um diário de filmes e séries assistidos. Aliás, falando em diários, eles são uma ótima forma de desenvolver o auto-conhecimento e trabalhar com emoções. Eu, por exemplo, sempre mantive um diário de sonhos também. É  divertido ler as coisas malucas que sonhamos e, ao mesmo tempo, quanto é revelado sobre nossos pensamentos, alegrias  e sofrimentos.


domingo, 7 de julho de 2019

Tempo para aprender



É muito comum na escolas de idiomas ver a pessoa olhando o livro que será usado e dizer que já sabe tudo aquilo; entretanto ao fazer o teste de colocação, o resultado não é exatamente esse.
Em metodologia, costumamos diferenciar entre  ser capaz de reconhecer e  ser capaz de produzir.  Frequentemente, o aluno é capaz de reconhecer as estruturas por ter sido previamente exposto a elas, porém não consegue produzi-las naturalmente.
A aprendizagem não ocorre apenas com o mero contato superficial. Outrossim,  exige tempo de reflexão sobre  o objeto de aprendizagem. Por isso, um tempo maior faz-se necessário para efetivamente apreender, apropriar-se e construir o conhecimento.
Mário Sérgio Cortella em  A sorte segue a Coragem, afirma que “ a informação de hoje só será transformada em conhecimento depois de meditada, refletida, pensada no contexto de outras vivências que se tem ao longo da vida.” Por isso, ainda segundo o filósofo  uma duração mais extensa no significado não significa uma perda de tempo, mas o tempo necessário para amadurecer e efetivamente  se apropriar do conhecimento.
Por outro lado,  o fato de fazer uma atividade por muito tempo, não significa necessariamente maior conhecimento. A prática nem sempre leva à perfeição porque,  como afirmava Paulo Freire, “ a prática de pensar a prática é a melhor maneira  de pensar certo.”
Portanto, sem pressa, respeite o seu tempo do aprendizado ou o do seu filho.  Em educação, não se perde tempo, ao contrário, adquire-se conhecimento. Cada pessoa, cada tema tem suas características e necessidades.
Esse mesmo tempo de amadurecimento pode ser muito benéfico para evitar as fake News. Dê um tempo, confira, observe, pense...não compartilhe indiscriminadamente tudo o que chega até você pelas redes sociais.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Árvores e dificuldades de aprendizagem



Do alto, observando da sacada de nosso apartamento, meu pequeno filho de 5 anos lamentava o corte da árvore que ficava do outro lado da rua. Ele estava realmente sentido com a cena. A tristeza era clara em seus olhos, enquanto dizia que ele havia adotado aquela árvore, revoltava-se com o morador que  pediu a retirada da árvore.
Lembrei-me desta cena ao ler sobre o livro de Matthew Silverstone, Blinded by Science. De acordo com o autor, ”a relação do corpo humano ao ter contato com as árvores geraria uma onda  de vibração que afetaria todo nosso sistema biológico através do toque.” Segundo ele, essa vibração ajudaria a melhorar a saúde e tratar doenças comuns que vão desde dores de cabeça até problemas mais graves, como depressão, hiperatividade e déficit de atenção.”
Ainda não há provas científicas desse fato, porém lembro que a professora do maternal de meu filho costumava dizer que, quando as crianças estavam muito agitadas, ela as levava para o pátio e  praticavam abraçar as árvores.
Deepak Chopra chama isso de potencialidade pura e recomenda este contato com a natureza como uma das sete  leis espirituais do sucesso.
Por isso, recomendo esta conexão assídua com a natureza como uma forma de recuperarmos a saúde, a tranquilidade e eliminar o stress. Que tal uma roda de leitura ou conversa no pátio próximo ao jardim? O simples fato de sair de sala de aula já  provocará um pouco mais de foco perante o novo.

domingo, 9 de junho de 2019

Constituição familiar

Toda nação tem sua Constituição ou Carta Magna que é aquela Lei Maior que direciona e assegura os princípios básicos de uma nação. Bem, com base nisso, acredito ser interessante cada família ter sua Constituição Familiar. Na mesma linha, essa Tábua de Leis disciplinaria e deixaria bem claro qual o caminho que a família segue. Em sala de aula, por exemplo, temos os combinados. Os alunos e a professora conversam e listam o que pode e o que não deve ser feito em sala de aula. Cada classe tem sua lista de combinados  própria, feita pelos próprios alunos exposta em lugar visível na sala. Quando alguém infringe um deles, todos rediscutem o tema.

                   Da mesma forma, a Constituição familiar vai nascendo das discussões em família. Não é desenvolvida toda num só dia, nem tampouco parte dos pais. Conforme as crianças vão crescendo e as situações aparecendo, as leis são discutidas e incorporadas à Constituição.Essa Constituição será o espelho que conduzirá a vida em família.
                
                   Alguns exemplos:

1- Acreditamos em DEUS.

A família que acredita em Deus e segue uma religião precisa viver essa fé e os símbolos dessa religião desde sempre. As crianças precisam  aprender a celebrar os ritos e as orações. Já está provado cientificamente que a pessoa que tem Fé  enfrenta melhor os desafios.


2- Respeitamos a Natureza, os outros e seus bens.

Cada um dos itens vai surgindo e sendo internalizado conforme as situações surgem. Visitando o Orquidário e a praia, as crianças vão  aprendendo a cuidar do meu ambiente. É importante que aprendam a respeitar a todos ( isso inclui opiniões, saber esperar sua vez e os bens de cada um)


3-É conversando que a gente se entende.

Certa vez,  aprendi em uma palestra que " o ser humano tem  a mania de achar que pode ler a mente dos outros. O pior é que acaba lendo ou interpretando tudo errado em 90% das vezes." Por isso, desde crianças, faz-se necessário aprender a colocar os sentimentos e as emoções para fora. Desta forma, aprendem a compreender melhor os outros e a si mesmos. A família precisa dialogar sem medo.A tecnologia é importantíssima, mas não pode substituir a conversa real.


4- Um por todos e todos por um.

 O objetivo é desenvolver amor, união e espírito de equipe.


                       Há muitos outros itens que podem e devem ser acrescentados. A cada situação que surge, reforça-se o item correspondente em uma conversa agradável com todos os membros da família.Memorizar as normas e segui-las fará com que os princípios familiares sejam reconhecidos e seguidos. Também, colabora para que todos se sintam membro integrante da família.