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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Missão cumprida?

Ao comentar com uma amiga que eu achava que minha missão já estava cumprida neste plano, ela, indignada, me afirmou que eu ainda tenho muito trabalho a fazer e com muitos alunos pela frente.


Na verdade, este meu sentimento, vem de um orgulho que sinto pela constatação de um trabalho muito bem feito que realizei na educação de meus filhos. Tenho observado como meus filhos estão independentes, resolvendo tudo com autonomia e coerência, ou seja , sem mim!

Porém, a colocação com a qual abri esta postagem, concretizou-se ser verdadeira quando, subitamente, recebo em uma das minhas classes, caindo de pára-quedas, praticamente do NADA, dois alunos recém-chegados da Eslováquia. Um com nove anos e outro com sete sem falar inglês, muito menos português.

Recebi-os, acalentei o coração angustiado da mãe, e fui para minha sala com eles. Arredios, tímidos e ressabiados – perfeitamente normal- à princípio, integraram-se vagarosamente à classe. Antes da aula, ajoelhei-me ( porque a gente tem que falar com criança na altura deles) perto de cada aluno e pedi que colaborassem comigo na tarefa que nos esperava. Eles foram super receptivos e me ajudaram muito.

No final da aula, os novos alunos estavam correndo pelo pátio, rindo e completamente à vontade! Recebi-os de uma mãe temerosa e reticente e devolvi-os para uma mãe confortada e sorridente. Ela, assim como eu, leu nos olhares deles que eles tinham curtido muito a aula.

À noite, ao chegar num encontro com algumas amigas para um cappuccino, fui logo disparando;”Estou tão feliz!! Algo maravilhoso está me acontecendo!” E, então, muito entusiasmada relatei com pormenores não exaustivos, espero!!! Perdoem-me se o fiz!- juro que tentei não me alongar- o desafio que tenho pela frente.

Uma das perguntas feitas por elas foi como eu consegui me comunicar com as crianças. Bem, expliquei que uma delas consegue entender algumas palavras, no demais com muitos gestos, olhar e amor! Como elas vão aprender inglês? Do mesmo jeito que eu aprendi português e elas aprenderam eslovaco, ouvindo, tentando, errando e acertando.

Estou adorando o desafio!! Você tem razão amiga, ainda tenho muito que fazer por aqui! Pra começar, neste fim de semana, tenho que estudar muito sobre a Eslováquia. Deseje-me sucesso!



terça-feira, 3 de setembro de 2013

Fases de um aula inclusiva

Às vezes, pensamos que não estamos preparados para lidar com as diferentes dificuldades de aprendizagem que surgem em nossas salas de aula; entretanto, o que os alunos precisam é de clareza, consistência, compreensão e uma abordagem  com técnicas e estratégias diferentes.
Neste Congresso, Júlio Furtado compartilhou conosco sua experiência elencando dicas e os passos de uma aula inclusiva:

1- ajudar o aluno a construir sentido: não basta teorizar e trazer tudo pronto, o aluno tem que encontrar um significado  naquele conteúdo. Por exemplo, ao invés de sequenciar o alfabeto, os números ou listas de verbos, crie uma história que o ajude a  encontrar no cérebro um lugar para arquivar aquele conhecimento;
2-aproveitar o conhecimento do aluno para que o significado seja adquirido, por exemplo antes de iniciar a explicação sobre campo magnético, deixar que o aluno explique o que é campo para ele. Provavelmente, ele mencionará e descreverá um campo de futebol, daí você começa a construir um novo conhecimento.
3-apresentar o novo conteúdo permitindo que o aluno construa o conceito;não é recomendável economizar o cérebro. O professor tende a  poupar o trabalho do aluno apresentando as respostas prontas e mastigadas. Por exemplo, nosso cérebro tende a categorizar tudo naturalmente, então apresente os animais e permita que os alunos os classifiquem por semelhança primeiramente para só depois apresentar os nomes das categorias e chamar atenção para as exceções;
4-verificar se houve aprendizagem: há muitas maneiras de verificar aprendizagem sem as tradicionais provas escritas: jogos, histórias,  fotos, figuras, músicas e toda uma gama de instrumentos tecnológicos que possibilitam essa verificação;
Além disso, há alguns pontos estratégicos para alcançar todos os alunos:
- seja claro nas instruções, conciso, dê um exemplo e peça um exemplo;
-use expressões positivas, ou seja, diga o que eles têm que fazer e não o devem parar de fazer. Por exemplo, “Olhe para mim” ao invés de “Não olhe para a porta”;
- use recursos visuais.
Na verdade, todos os alunos se beneficiam desta aprendizagem, então, na verdade, o encontro das diferenças pode produzir belezas inimagináveis, como bem afirmou  o palestrante Júlio Furtado.E encarar a diversidade  de  alunos é, também, aceitar os alunos falando por mensagem, what´s up, FB  e utilizar esses instrumentos como meio de construir conhecimento.



Texto baseado em palestra de Júlio Furtado

Pedagogo, Psicólogo, Professor de Geografia. Mestre em Educação pela UFRJ. Diplomado em Psicopedagogia pela Universidade de Havana, Cuba. Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Havana, Cuba. Reitor da UNIABEU-RJ. Autor de vários livros.