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sexta-feira, 9 de março de 2018

Curso sobre ensino bilíngue

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sábado, 1 de abril de 2017

Alemanha e seus dialetos - origens

A Alemanha que conhecemos hoje surgiu num processo que se estendeu por vários séculos, e suas origens perdem-se no tempo. A palavra Deutschland (Alemanha) compõe-se de dois elementos: enquanto land significa terra, deutsch, que só apareceu no século VIII, designava inicialmente a língua falada na parte oriental do império dos francos, cujo  apogeu ocorreu no reinado de Carlos Magno.
Apesar desta longa existência, demorou muito para que os povos germânicos constituíssem uma única nação. Todo esse movimento unificador começou com a constituição do grande Estado franco e sua conversão ao cristianismo durante o reinado de Clóvis (481 a 511 d.C.), episódio que está ligado também à origem da França. Três séculos depois, após a morte de Carlos Magno (814 d.C.), o império começou a  desintegrar-se devido a partilhas sucessórias. Formou-se um império ocidental e um oriental – a fronteira política correspondia mais ou menos à fronteira linguística entre o alemão e o francês. E, mais uma vez, houve separação ao invés de união.
Aos poucos, os habitantes do império oriental iniciaram um processo de união. A palavra que a princípio designava a língua passou a qualificar o povo que a falava e, depois, a região por ele habitada: Deutschland. A partir desse momento, pode-se dizer que a Alemanha adquiriu uma história própria, no contexto da Europa centro-ocidental.
Apesar de territorialmente, começar a existir como um Estado, dentro da língua alemã foram mantidos vários regionalismos e dialetos tão característicos e únicos que, por vezes, parece que a Alemanha ainda é constituída por várias tribos ou estados independentes. Em alguns lugares, como na Bavária, o dialeto local é usado corriqueiramente, não apenas em casa como em outras regiões, transmitindo para quem a visita a ideia de ser outra língua. Os naturais da Região têm muito orgulho de seus costumes e língua, inclusive mantendo o ensino deste dialeto nas escolas. O que é considerado Alto Alemão é usado restritamente na região.
Neste caso, embora a raiz seja germânica, as diferenças são tantas que até parece tratar-se de outra língua mesmo.
Além da existência desses dialetos dentro das próprias fronteiras, o alemão ainda é falado na Suíça e na Bélgica com diferenças bem mais marcantes do que a diferença entre português de Portugal e do Brasil, por exemplo.
Toda esta riqueza linguística, treina o cérebro, os ouvidos e todo o aparelho fonador dos alemães para aprender línguas, pois praticamente convivem diariamente com pelo menos duas línguas: o dialeto em casa e o Alto alemão na convivência social.
Toda esta história, comprova que a crença de que o ensino bilíngue  pode atrapalhar ou atrasar a aprendizagem é apenas um mito.


domingo, 23 de outubro de 2016

Conversa com bebês

Catherine Shaw (1995) e outros pesquisadores têm estudado os efeitos da maneira como os pais falam com os filhos na aquisição da linguagem. Pesquisadores observaram, que em família, os adultos tendem a modificar a maneira como falam ao dirigir-se às crianças. Este discurso é caracterizado por um ritmo mais lento, intonação mais pausada, tom de voz mais alto, sentenças curtas, repetição constante e paráfrases.
Este estudo demonstrou que essa atitude em relação ao aprendizado da língua não é igual em todos os grupos sociais. Em algumas sociedades, os adultos não interagem  com crianças em termos de estabelecer diálogos. Em certos grupos na África, espera-se que a criança apenas observe  e ouça. Crianças não são motivadas a participar de conversas até que tenham desenvolvido habilidades verbais.
Apesar dessas diferenças inerentes a cada cultura ou  grupo sócio-econômico ou cultural,  em toda sociedade as crianças estão em situações nas quais escutam a língua em um ambiente  contextualizado e adquirem competência na comunidade linguística a que pertencem. Por isso, é difícil julgar o efeito causado pelas modificações no discurso direcionada a crianças.
Fonte How languages are learned by Patsy M. Lightbown and Nina Spada

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Em intercâmbio

Como ensinava Alca de Sant`Anna, temos que estar alertas para perceber e diferenciar as mudanças de ciclo das mudanças de fases.
Neste momento, estou iniciando uma mudança de fase. Meu filho está indo morar em Taiwan por um ano e, em contrapartida, estou recebendo um novo filho em minha casa vindo da Alemanha.
Posso dizer com convicção que tem sido uma experiência gratificante e enriquecedora. De um lado, meu coração se contrai de saudade do filho que está partindo. De outro, meu coração, expande-se de alegria para receber meu novo filho que aterrissa no Brasil cheio de expectativas e os olhos brilhando de curiosidade.
Na qualidade de pesquisadora na área de Bilinguismo, meu cotidiano transformou-se num grande laboratório onde línguas, culturas e comportamentos são comparados e aprendidos. Muito tenho aprendido e compartilhado numa interação harmoniosa e alegre. Hoje meu lar está definitivamente globalizado com aspectos multiculturais e linguísticos. Todos amadurecemos e aprendemos nesta rica experiência. Como eu afirmei para a família alemã: somos famílias em intercâmbio e encaro esta experiência como um dos grandes presentes que recebi nesta vida.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Controlando o inconsciente e aprendendo idiomas

Costumo dizer aos meus alunos que é necessário estudar 10 minutos todos os dias nas mais variadas formas de fazê-lo: ouvir músicas conscientemente, ver filmes, comerciais, ler, escrever, rever lições, vocabulário ou gramática. O mesmo conselho ofereço para meus filhos que estudam música, pois estes dez minutos ao dia, podem operar milagres. Uma vez vencida a preguiça, o ritmo de estudo é estabelecido e acaba ultrapassando os simples dez minutos diários.

Qualquer profissional de elite, seja jogador de futebol ou bailarina depende de anos de treino e dedicação para atingir o topo da carreira. Segundo a pesquisa do psicólogo Anders Ericsson da Universidade da Flórida, os alunos de uma das melhores escolas de música de Berlim, iniciavam os estudos de violino aos cinco anos no mesmo ritmo. Porém, aos oito anos, as horas de ensaio variavam. Ao chegar aos 20 anos, os melhores violonistas haviam somado 10 mil horas de estudo contra 8 mil ou 4 mil horas dos demais.

Segundo um artigo da Revista Super Interessante de fevereiro de 2013, a prática fica gravada na memória não declarativa que faz parte do inconsciente. Esta parte da memória é a responsável por permitir que o violonista consiga tocar sem se preocupar em ler a partitura, equilibrar o instrumento, posicionar os ombros, mover o arco, respirar e tocar com emoção, embora de maneira natural e relaxada.

Na mesma linha, ocorre o aprendizado de um segundo idioma. A chave para aprender uma nova habilidade é dedicação, pois através do treino o inconsciente registra ações, sons e movimentos. Se dependêssemos apenas do consciente, ele não daria conta de analisar as situações, fazer a escolha do vocabulário e estrutura adequados para comunicar a mensagem.  Na mesma linha de pensamento, o neurologista Ran Hassin afirma que “o inconsciente é mais maleável que o consciente e para influenciá-lo  é necessário praticar até que se torne uma segunda natureza, ou seja que seja um processo automático.”
Por isso, a imersão, que as escolas bilíngues propõem, é eficiente no sentido de automatizar a utilização da segunda língua. Porém, isso não quer dizer que a dedicação ao estudo seja desnecessária por parte dos alunos. Lembrem-se dos alunos de violino, quanto maior a quantidade de horas de prática, melhor a performance.

Resumindo, não há milagres, há dedicação e recompensa!

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sábado, 27 de setembro de 2014

Combatendo o envelhecimento

Segundo pesquisa da Universidade de Edimburgo na Escócia, o domínio de uma língua adicional atrasa declínio mental durante a velhice. Os estudos demonstram que as pessoas com Alzheimer, fluentes em duas línguas, apresentam sintomas da doença até sete anos mais tarde que as pessoas monolíngues. Além disso, as pessoas que são bilíngues apresentaram melhor desempenho em alguns testes cognitivos também.
A Dra. Ellen  Bialystok demonstrou em estudo apresentado no Congresso Internacional em São Paulo no mês de setembro, que o cérebro de bilíngues tem o sistema executivo mais desenvolvido. Este fato ocorre porque, se o indivíduo sabe duas línguas e as exercita regularmente, cada vez que ele fala, ambas as linguagens aparecem e o sistema executivo escolhe o que é relevante no momento. Também foi comprovado neste estudo, que bilíngues se saem melhor em multitarefas, pois, para tal, há a ação direta do controle executivo cerebral muito exercitado na escolha de línguas.
O constante gerenciamento dos sistemas linguisticos diferentes provoca uma reorganização e um fortalecimento para outras ações, por este motivo,as pessoas bilingues tornam-se mais rápidas pois estão sempre navegando entre duas línguas. Outro fator importante é que este exercício constante dos bilíngues provoca o desenvolvimento de uma memória melhor.IMG_0875