Em educação, mensurar o
tempo que levará para apreender o conteúdo é muito difícil porque há variáveis
que abrangem aspectos não só mentais, mas também emocionais e físicos. Na era
do imediatismo como esta que vivemos, este fato
constitui-se frequentemente num complicador.
Até esta semana, eu
acreditava que era só na educação que se refletia essa falta de preparo para
lidar com frustrações. Já vi pais comprando medalhas para dar para os filhos quando eles não conseguiam
obtê-las por mérito para que “não ficassem tristes”, permitindo que troquem o
almoço por guloseimas porque estão doentes, indo “acertar as contas” com o
amiguinho que enfrentou o pobre e
indefeso filhinho e mais um sem número de desmandos que não só deseducam como
não preparam para lidar com as frustrações que, na verdade, constituem um processo natural da vida.Minha mãe dizia;"Quem tem pressa, come cru e quente". Com esta frase, ela nos ensinava que há tempo para plantar e tempo para colher, não se apressa a natureza.
Consolei-me ao ler um
depoimento do médico –pediatra Anthony Wong do Instituto da Criança do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em que ele
afirma que “A geração de hoje é imediatista, aqui e agora, quer satisfação e alívio imediato. Quantas mães dão
remédios até na época do nascimento dos dentes? Um absurdo! Essa é uma dor
absolutamente natural! Em vez de deixar a criança agüentar e aprender a lidar
com a situação pedem para o pediatra indicar algo.”
Num momento de crise, a criança precisa de colo, amparo e carinho demonstrados não só
fisicamente, mas também pelo olhar de acolhimento dos pais. Assim, a criança
poderá trabalhar dentro de si a frustração ou outros sentimentos elaborando-os
e não fugindo deles. Amar é cuidar e isto não significa evitar sofrimentos e
frustrações.
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