Todo leitor ao iniciar a
leitura de Os cinqüentas tons de cinza,
de E L James, surpreende-se com as menções que a
personagem Anastácia faz a sua deusa interior. À princípio, o leitor fica
confuso mas com o tempo começa a entender, curtir e se divertir com as
colocações e posturas da deusa interior.
“Minha deusa interior está de joelhos, suplicando com as mãos unidas.”(p.38,
in Cinqüenta tons mais escuros)
“Minha deusa interior ergue o olhar e fica atenta.” (p.65, in Cinqüenta
tons mais escuros)
“Ah, sim. Minha deusa interior dá uma pirueta tripla em seus patins.”
(p 138 in
Cinqüenta tons mais escuros)
Pode ser chamada de alma,
espírito, eu profundo, inconsciente, mas na verdade representa a essência,
o que realmente vai no íntimo. Ser conhecedor das profundezas e dos meandros de nossas almas ou do nosso
interior ajuda a tomar decisões e a encarar a razão mesmo quando esta vai contra o que pede, exige e conclama nossa
deusa interior. Apesar de parecer fácil, não é missão simples, pois nossas
reais emoções estão muitas vezes misturadas ou tão escondidas que parecem estar
num baile de máscaras:
“Meu inconsciente estreita os olhos.(p.139)
“Meu inconsciente me olha com
aprovação, sorrindo em vez de contrair a boca como de costume.” (p.185)
Para alcançar este nível de
autoconhecimento, é necessário determinação, coragem e auto- análise. Praticar
aquela ideia de orar sem cessar que aconselha a Bíblia, ou seja, parar para refletir constantemente. Na atribulação do dia-a-dia, faz-se necessário reservar algumas horas para meditar sobre o que realmente vai em nossas almas.Com certeza, encontraremos
nossa deusa sorrindo com nossas atitudes, sisuda nos censurando, encolhida
atrás do sofá,dando saltos triplos de alegria ou nos aconselhando e dizendo
certas verdades que insistimos em não ver/ouvir:
“Sim, você é uma sortuda filha da mãe, meu inconsciente exclama. Mas
você ainda tem um longo caminho pela frente. Ele não vai querer essa porcaria
de baunilha para sempre...você vai ter que ceder. Mentalmente, fito seu
rosto insolente e crítico, e descanso a cabeça no peito de Christian. Lá no
fundo sei que meu inconsciente tem razão, no entanto, afasto o pensamento. Não
quero estragar meu dia. “ ( p.199)
O autoconhecimento ajuda
a compreender o porquê implicamos com
determinadas pessoas ou atitudes. Às vezes, camuflamos como sensatez, mas
escondemos o real sentimento de inveja, ciúmes, raiva.
Psicólogos insistem em
afirmar que tudo aquilo que criticamos nos outros é exatamente aquela atitude
que censuramos em nós mesmos e,inconscientemente, sabemos que somos ou
agimos igualmente. Por não gostar disso
em nós, criticamos quando vemos nos outros. Por exemplo, quando estamos sempre
criticando a mania de controle excessiva de alguém, estamos, na verdade,
criticando essa característica em nós mesmos, caso contrário, ela não nos
incomodaria tanto.
Por outro lado, diz a
Psicologia, que tudo que invejamos nos outros, constitui-se exatamente em
invejar aquilo que o outro já despertou dentro de si e nós ainda não, embora
saibamos ter essa qualidade ou atributo latente.
Em sua coluna no jornal, Luiz Alca de Sant`Anna disse certa vez: " Eis porque as pessoas que se questionam, que buscam o auto-conhecimento, que não têm tanto medo de se analisar, ganham uma preciosa liberdade. Pena que tão poucas entendam isso e fujam dos questionamentos como o diabo da cruz, entregando-se, ao consumo e à superficialidade como válvula de escape."
Em sua coluna no jornal, Luiz Alca de Sant`Anna disse certa vez: " Eis porque as pessoas que se questionam, que buscam o auto-conhecimento, que não têm tanto medo de se analisar, ganham uma preciosa liberdade. Pena que tão poucas entendam isso e fujam dos questionamentos como o diabo da cruz, entregando-se, ao consumo e à superficialidade como válvula de escape."
Por isso, converse com sua
deusa interior francamente:
“Minha deusa interior concorda
freneticamente com a cabeça e me cutuca
com força.”(p.211)
Só assim chegarás ao nível
da nossa protagonista!

