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sábado, 6 de junho de 2020

Explorando os paradidáticos ou readers


Era uma vez num mundo não tão distante....

                                             Uma professora que adorava contar histórias.
Mesmo quando a história  não é um conto de fadas,  é necessário provocar o encantamento nos alunos despertando a curiosidade. Costumo seguir um certo ritual, porém creio que cada educador deva estabelecer o seu próprio estilo. Como conseguir esse encantamento? Há palavras mágicas?
Primeiramente, costumo iniciar  levantando uma questão que esteja relacionada à história e discutindo um pouco o tema sem mencionar o livro. Muitas vezes relato algo que aconteceu comigo ou com meus filhos.
 A seguir, exploro a capa levantando hipóteses sobre o  tipo de  história e linguagem que poderá surgir. Esta análise  ajudará  todos a entrarem no clima e será especialmente benéfico para os disléxicos, ajudando-os a manter o foco e o interesse.
 Como atividade preparatória, um brainstorming  estruturado em um  mapa mental (mindmap) ou infográfico é muito benéfico para  alunos com TDAH ou dislexia  porque  permite que  se  familiarizem com a linguagem que será usada facilitando, assim,  a leitura.
 Procuro também desenvolver atividades multisensoriais usando vídeo, música, dança, movimento, massinha, colagem, figuras, cartas, jogos, cores  e aromas colaborando para melhorar a retenção da informação.
 Lembre-se de praticar o predicting: qual será o tema da história?   O que acontecerá depois? Faço isso não apenas para iniciar a leitura da história, mas a cada parada de forma a manter o interesse na leitura e o foco no tema. Pergunte o que fariam ou como sairiam daquela situação. Estas questões provocam reflexão e aprendizado.
Também gosto de trazer  o livro para a realidade: ao longo da história vou fazendo  links com a realidade: Como é na sua casa? Na sua escola? Por exemplo, explorando o livro The Hound of Baskerville surgiu uma carta com uma ameaça. Neste momento, discutimos  os tipos de ameaça como bullying e as diversas formas de chantagem como em redes sociais, jogos eletrônicos, na política, nos relacionamentos abusivos e a maior ameaça do momento que é  o risco de contaminação pelo COVID-19. É sempre importante discutir valores  e, como estamos conversando sobre as  personagens, a discussão flui sem julgamentos deixando todos à vontade para expressar suas opiniões.
E mantenha sempre o elemento surpresa: faça ou proponha ideias diferentes a cada discussão. Por exemplo, na introdução do livro mencionado acima  de Arthur Conan Doyle, usei algumas cenas do filme para que eles compreendessem o que é hound e qual é a lenda. 
Na segunda discussão, eu estava vestida de Sherlock Holmes, ou quase, e explorei o Museu em Londres e as características da personagem. Essa pitada de humor é sempre bem vinda e mantém os alunos bem concentrados.
 A variedade  de  atividades é muito importante, evite ser previsível. Enfoque vocabulário ou gramática se quiser, porém num outro momento para que a sua história não deixe um gosto amargo na boca como na frase que minha mãe costumava usar para encerrar uma história:


E acabou-se o que era doce, o que era amargo ficou.”