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sábado, 2 de março de 2013

Posso pintar uma flor de azul?


Quando eu estava na Faculdade de Letras, uma amiga me contou esta história de Helen Bukley e jamais me esqueci porque frequentemente vejo pessoas em busca da beleza e simetria, esquecendo-se que a criatividade MUDA o mundo e faz a diferença. Antigamente, por exemplo,a exigência por letra cursiva perfeita era excruciante, hoje com os computadores, não só a letra não é mais fator preponderante, como ficou mais fácil editar textos em termos de  ortografia.Entretanto, a arte de escrever ainda exige  criatividade mais do que técnica. De maneira alguma, estou defendendo o abandono de tais práticas, apenas estou querendo demonstrar que numa era de jogos e tecnologia, a criatividade ainda precisa ser trabalhada. Aqui vai a história: 
“Certa vez, um menino de cinco anos, pequenino no tamanho, em relação aos seus colegas de sala, mas com uma grande vontade de aprender, ouviu sua professora iniciar a aula, dizendo: – Hoje nós vamos fazer um desenho.
 O menininho pensou: – Oba! Vou desenhar! Ele gostava muito de desenhar bichos como as vacas, as galinhas, os gatos, e também, desenhar navios, aviões e carros. Gostava tanto de desenhar que já estava com a sua caixa de lápis de cor em cima de sua mesinha. Escolheu um lápis de cor e começou a desenhar. Mas, foi interrompido pela professora que disse: – Atenção, alunos! Ninguém começa ainda a desenhar! Ela esperou que todos estivessem prontos para desenhar e disse: – Agora nós iremos desenhar flores.
O menininho desenhou rapidamente três bonitas flores e começou a pintá-las de azul, amarelo e laranja. Mas teve que parar porque a professora disse: – Vou mostrar como vocês tem que desenhar e pintar. E desenhou uma flor na cor vermelha com o caule e as folhas verdes. – Agora, disse a professora, vocês podem fazer o desenho da flor e pintá-la. O menininho olhou para a flor vermelha da professora e depois para as suas três flores. Gostou mais dos seus desenhos. Mas ficou com medo de perguntar à professora, pegou uma outra folha de papel e desenhou uma flor vermelha com caule e folhas verdes, igual da professora.
  Outro dia era aula de trabalhos com barro. A professora disse: – Tenho certeza de que vocês hoje vão gostar da aula. Nós vamos iniciar fazendo alguma coisa com o barro que está nas suas carteiras. O menininho ficou muito contente porque ele gostava muito de fazer coisas com o barro. Ele fazia carrinhos, trenzinhos, moinhos, cobrinhas e muitas outras coisas. Ele pegou um pouco do barro e começou a fazer bolinhas de todos tamanhos. Mas, a professora o interrompeu, dizendo: – Esperem! Ainda não é hora de começar a mexer no barro! Ela esperou que todos estivessem prontos e disse: – Agora nós iremos amassar o barro até que ele fique parecido com um prato!
O menininho ficou contente porque ele gostava muito de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. Ele já tinha começado a fazer os seus pratos quando a professora disse: – Esperem! Não comecem ainda! Vou mostrar primeiro como se faz! E mostrou como se fazia um prato fundo, e disse: – Agora vocês podem fazer!
 O menininho olhou para o prato da professora e depois para o seu prato. Gostou muito mais do seu prato, mas ficou com receio de dizer isso à professora. Por isso, desmanchou o seu prato, amassou o barro e fez um prato fundo. Igual ao da professora. O tempo foi passando e o menininho aprendeu a não fazer nada enquanto a professora não mandasse. Ficava sempre esperando. Depois que a professora mandasse, ele olhava o que a professora tinha feito e fazia tudo igual ao dela.
O tempo passou e a família do menininho mudou de bairro e ele, de escola. Ele gostou muito da nova escola, tinha muitas árvores e muitos novos amiguinhos. Um dia, a nova professora disse: – Hoje, cada um de vocês, vai fazer um desenho. O menininho ficou contente porque gostava muito de desenho. Ficou esperando a professora dizer o que eles iam desenhar e de cor iriam pintar. Mas, a professora nada disse. Ela ficava andando pela sala, parava em cada mesinha, olhava o desenho de cada um, e sorrindo, elogiava. A nova professora chegou até o menininho e disse: – Você não vai desenhar? – Vou, mas o que vamos desenhar? – perguntou o menininho. – Eu não sei até que você faça o seu desenho. – Como eu posso fazer o desenho? – perguntou o menininho. Do jeito que você quiser e gostar – disse, sorrindo, a nova professora. – E de que cor pode ser o desenho? – perguntou o menininho. A professora respondeu: – Se você fizer um desenho igual ao de outro coleguinha e da mesma cor, como irei saber qual é o seu desenho? – Eu não sei… – balbuciou o menininho, todo encolhido na sua cadeirinha.
Depois de um certo tempo olhando para a folha em branco, o menininho finalmente fez o seu desenho: uma flor vermelha com caule e folhas verdes…”

Moral da história: o professor pode manter a classe dominante no poder ou formar cidadãos reflexivos e críticos. Por que uma flor não pode ser azul?

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