domingo, 20 de novembro de 2011

Transição Nutricional


Sabemos que a mulher moderna está ocupando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, e essa mesma mulher é mãe, dona de casa, praticante de atividade física e mais um pouco. Essa mudança, sem dúvida alterou o padrão de alimentação caseira e da família. A indústria percebeu rapidamente esse novo estilo de vida e disponibilizou uma enorme variedade de produtos de rápido preparo e consumo.

   A globalização trouxe a facilidade de acesso a produtos industrializados, e a cada dia vemos nas prateleiras dos supermercados, um novo produto com um menor tempo de preparo, ou o suco em pó que é super prático, somente diluir com água e está pronto. Imaginem o grande período de prateleira que esse produto já enfrentou e o prazo de validade ainda chega a quase dois anos (em alguns casos), a quantidade excessiva de conservantes, aditivos, corantes, realçadores de sabor, o que estamos oferecendo para nossas crianças?

   Essa pergunta deveria ser feita toda vez que uma mãe oferece uma bolacha recheada, refrigerante, salgadinho de pacote, lasanha pronta, suco em pó, entre outros para seu filho.

   Não é a toa que nosso índices de obesidade estão alcançando os dos Estados Unidos. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), nossas crianças estão apresentando doenças que antigamente só apareciam em pessoas mais velhas, como diabetes, hipertensão e colesterol alto.

   A transição nutricional trouxe uma inversão no comportamento alimentar da nossa população e fez com que o Brasil passasse de um quadro de desnutrição para um de obesidade.

   Resolvi escrever esse post a pedidos da minha paciente Anna, que lamentou ao me contar, quando viu uma mãe oferecendo refrigerante na mamadeira para o filho de apenas dois anos de idade. Não tenho dúvida que essa mãe não tem noção do prejuízo que pode causar para seu filho, precisamos criar a consciência na população sobre uma alimentação ideal e equilibrada para crianças pré escolares.

Portanto, seguem abaixo algumas dicas:

- Comer a cada 3 horas;
- Ofertar de 3 a 4 frutas ao dia, mandar como opção para o lanche da escola ou suco de frutas como substituto;
- Ofertar verduras e legumes no almoço e jantar. Caso a criança não tenha grandes preferências, experimentar: suflê de cenoura, chuchu, brócolis, arroz com brócolis ou cenoura, feijão com beterraba, sopa de legumes, massa feita com biomassa de banana verde...
- Evitar o consumo exagerado de açúcares.
- Evitar frituras e refrigerantes,
- Evitar adoçante e embutidos.

Este texto foi escrito por Tatiana Pimentel, minha ex-aluna e amiga, a meu pedido. Sinto-me feliz e honrada por ter a sua colaboração.Obrigada, Tati! Aconselho que visitem o blog desta competente nutricionista:http://dratatianapimentel.blogspot.com/

sábado, 12 de novembro de 2011

Dois amores


Definitivamente, crianças deveriam vir com manual ou antes de  qualquer pessoa ser pai ou mãe deveria fazer um treinamento assim como auto-escola. Um filho e uma filha..todos dizem ser perfeito..sonho de consumo da maioria dos casais, entretanto, é , às vezes, enlouquecedor.
            A menina é  encantadora, até ouso dizer, sedutora mesmo. Como dizer não  para alguém tão doce. Em geral, meninas são excelentes companheiras, especialmente para fazer compras, conversar, passear no shopping, fazer planos.Já os meninos, também sedutores a seu modo, muito carinhosos e espirituosos. Um abraço de um menino é literalmente esmagador pois eles não percebem o quanto crescem e como ficam fortes da noite para o dia. Fazer planejamentos e traçar as metas para  as férias é um trabalho para as meninas, porém os meninos resolvem todos os problemas tecnológicos  ou mecânicos que surgem. As meninas, com  instinto maternal desde que nascem, cuidam e defendem os irmãos. Os meninos, em contrapartida, sempre prontos para uma agressão física.
            Qual mãe já não teve sua meia desfiada por unhas bem fininhas que ainda  engatinhando se apoiaram em sua perna para subir ou sentir a textura diferente? Ou então, viu o estojo de maquiagem ser quebrado pela linda bonequinha que, imitando a mãe, mexia e remexia nas sombras e batons.Não posso deixar de mencionar os sapatos de salto que exercem um fascínio desde a primeira infância. E desmontar brinquedos e tentar remontar?São dois mundos que se complementam. Enquanto as meninas apaziguam, os meninos lutam. As meninas falam e os meninos agem. Um Universo que se complementa. Yin e Yan. Uma benção! Um lar com meninos e meninas é uma amostra  simplificada do mundo.Quem tiver uma fórmula mágica me avise. 
             Uma hora são unha e carne, no segundo seguinte, inimigos mortais.Quando você pensa que aprendeu a lidar, eles mudam a ordem das coisas: a menina tosa o cabelo e o menino deixa crescer. Criar filhos é tarefa difícil, mas enriquecedora.

domingo, 6 de novembro de 2011

CRI CRI


A futura mamãe estava feliz, muito feliz; afinal estava grávida novamente. Algum tempo se passou  e o príncipe finalmente veio ao mundo. Mamãe e papai estavam felizes e orgulhosos. O tempo foi passando e de repente CRI CRI não parava de fazer perguntas. Parecia ser o grilo mais falante do planeta. Dra Psico  explicava que era apenas uma fase e que isso passaria. Porém, era  um nunca acabar de: por que isso, por que aquilo, mas por que deste jeito, por que isso acontece. Não pense que era sempre assim..às vezes ele parava a cascata de por quês e engatava um como? Ou onde? E logo retomava um por que é assim? Seus pais, familiares e amigos não agüentavam mais e respondiam é porque é e pronto.Mas, isso não fazia com que CRI CRI parasse. Resolveram colocá-lo na escola, todavia os problemas aumentaram pois CRI CRI não gostava de pintar. O professor PINTA PINTA não se conformava com a rebeldia de um grilo que não gostava de pintar e ainda por luxo, quando era obrigado a pintar coloria tudo com cores escuras. Os pais já não sabiam o que fazer. As perguntas de CRI CRI incomodavam os egos feridos e o temor de se sentir incapaz dos professores. Então, trataram de imobilizá-lo segregando-o. Pobre CRI CRI! Foi ficando triste e macambúzio. Quase não falava  nem interagia com seus colegas ou em casa. Até que um dia,  um novo professor chegou na escola: era o Professor Goo Gle. Este professor preocupou-se com o estado catatônico do grilinho com olhar triste embora inquisidor. E CRI CRI começou a despertar novamente. A curiosidade começou a  aflorar novamente e timidamente ele voltou a ousar fazer perguntas. Lentamente, o professor foi resgatando a sede de conhecimento de CRI CRI. O grilinho voltou a indagar e a observar o que se passava a sua volta. O Professor Goo Gle tinha sua auto estima bem estabelecida e não temia dizer que não sabia responder a alguma pergunta. Pelo contrário, sugeria aos alunos que todos deveriam procurar  pelas respostas e depois discutir. A  cada aula surgiam mais perguntas e o professor ia ensinando o caminho das pedras, ou seja, como fazer pesquisas e onde encontrar respostas. Após algum tempo, o grilinho CRI CRI  foi capaz de começar a fazer um voo solo, ou melhor, foi capaz de pular sozinho sempre rumo ao conhecimento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Constituição Familiar

                   Toda nação tem sua Constituição ou Carta Magna que é aquela Lei Maior que direciona e assegura os princípios básicos de uma nação. Bem, com base nisso, acredito ser interessante cada família ter sua Constituição Familiar. Na mesma linha, essa Tábua de Leis disciplinaria e deixaria bem claro qual o caminho que a família segue. Em sala de aula, por exemplo, temos os combinados. Os alunos e a professora conversam e listam o que pode e o que não deve ser feito em sala de aula. Cada classe tem sua lista de combinados  própria, feita pelos próprios alunos exposta em lugar visível na sala. Quando alguém infringe um deles, todos rediscutem o tema.

                   Da mesma forma, a Constituição familiar vai nascendo das discussões em família. Não é desenvolvida toda num só dia, nem tampouco parte dos pais. Conforme as crianças vão crescendo e as situações aparecendo, as leis são discutidas e incorporadas à Constituição.Essa Constituição será o espelho que conduzirá a vida em família.
               
                   Alguns exemplos:

1- Acreditamos em DEUS.

A família que acredita em Deus e segue uma religião precisa viver essa fé e os símbolos dessa religião desde sempre. As crianças precisam  aprender a celebrar os ritos e as orações. Já está provado cientificamente que a pessoa que tem Fé  enfrenta melhor os desafios.


2- Respeitamos a Natureza, os outros e seus bens.

Cada um dos itens vai surgindo e sendo internalizado conforme as situações surgem. Visitando o Orquidário e a praia, as crianças vão  aprendendo a cuidar do meu ambiente. É importante que aprendam a respeitar a todos ( isso inclui opiniões, saber esperar sua vez e os bens de cada um)


3-É conversando que a gente se entende.

Certa vez,  aprendi em uma palestra que " o ser humano tem  a mania de achar que pode ler a mente dos outros. O pior é que acaba lendo ou interpretando tudo errado em 90% das vezes." Por isso, desde crianças, faz-se necessário aprender a colocar os sentimentos e as emoções para fora. Desta forma, aprendem a compreender melhor os outros e a si mesmos. A família precisa dialogar sem medo.A tecnologia é importantíssima, mas não pode substituir a conversa real.


4- Um por todos e todos por um.

 O objetivo é desenvolver amor, união e espírito de equipe.


                       Há muitos outros ítens que podem e devem ser acrescentados. A cada situação que surge, reforça-se o item correspondente em uma conversa agradável com todos os membros da família.Memorizar as normas e segui-las fará com que os princípios familiares sejam reconhecidos e seguidos. Também, colabora para que todos se sintam membro integrante da família.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Convivendo com TDAs

                     Muito tem sido falado sobre as pessoas com TDA (transtorno de déficit de atenção), porém muito pouco tem sido dito a cerca das pessoas que convivem com eles. Amo todos meus amigos e amigas TDA, Mas, devo confessar que vida de sombra é muito difícil e desgastante. Procuro levar numa  boa, ou seja,  com paciência e boa vontade, porém, às vezes, sinto que chego ao esgotamento.
                     Se por um lado,é importante permitir que eles façam efetivamente as tarefas pois nosso cérebro registra melhor quando gerencia materialmente as tarefas  ou, melhor dizendo, a pessoa se apropria e constrói o conhecimento, efetivamente vivenciando, mais do que ouvindo. Por outro lado, é uma rotina muito difícil para o TDA com ou sem hiperatividade.
                       Entre as obrigações de estar sempre lembrando, telefonando, contornando situações e suprindo falhas, também me divirto muito, pois rir é o melhor remédio.  Por exemplo, certa vez, enquanto eu corria para me arrumar, fui interrompida quatro vezes por amigas me perguntando onde era o evento.Nessas horas, apenas sorrio e respondo. Faz parte da vida delas e da minha. A organização é muito difícil para eles, inclusive espacialmente. Como professora, tenho sempre lápis, papel, borracha para emprestar e ainda ajudo a organizar a escrita na própria folha de papel. É verdade, eles precisam de ajuda com agenda e até onde escrever no caderno;entretanto, eles têm tantas outras habilidades como a criatividade e a visão diferenciada..
                      Hoje em dia, com a tecnologia fica mais fácil lembrá-los de seus compromisso ( alertas, emails, torpedos, dizer o nome deles constantemente), mas eles precisam entender que é necessário fazer as coisas assim que são pedidas senão, fatalmente, esquecerão novamente.
                       Quando meus filhos eram pequenos, eu lia uma história  sobre um menino que esquecia tudo. Então, para não esquecer mais das responsabilidades assumidas, ele desenvolveu o seguinte lema: LEMBROU PAROU FEZ. Assim, que identificava algo que precisava fazer, fazia imediatamente.
                      Minha solidariedade a todos que como eu, acompanham vários TDA em suas aventuras e desventuras. Se tiverem alguma ideia que alivie a vida dos acompanhantes, professores e familiares, mandem para mim.  

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domingo, 9 de outubro de 2011

Lição de casa - um desafio para professores e alunos

Sempre defendi a idéia de que o final da aula, não é o momento da aula ideal para passar a lição de casa. Creio que o aluno deve terminar a aula feliz e com vontade de querer voltar. Se os últimos instantes de aula foram passados com a lição de casa, o aluno se despede “pesado”, com um mais um fardo sobre os ombros e pensando que mal terminou a aula e já tem obrigações a cumprir. Por isso, costumo passar a lição da aula após a correção da anterior, mas nunca ao final. O final tem que ser prazeroso: uma música, atividade lúdica ou jogo. Enfim, algo que deixe um gostinho de quero mais.

Uma vez ao buscar meu filho na  aula de canoagem, os alunos pediram para o professor se poderiam ficar mais um pouco. O professor, para desapontamento dos alunos, respondeu que não seria possível, mas  na quarta haveria aula de novo. Depois, ele me explicou que poderia ter deixado que eles remassem mais, porém se fizesse isso, eles sairiam da aula cansados e sentiriam  preguiça de voltar na aula seguinte. Deste jeito, eles esperariam pela próxima aula com ansiedade e alegria.

Atualmente, procure não exagerar nas atividades pedidas. Lição de casa não é uma maneira de cumprir programa. Lição de casa é uma forma de favorecer a aprendizagem. Procuro explicar para os alunos que o cérebro grava aquilo que vê repetidamente, por isso, faz-se necessário repetir o que foi aprendido em sala de aula todos os dias. Nos dias de hoje é inútil esperar que o aluno fique uma tarde inteira fazendo lição de casa. O importante é a qualidade do que se passa. Surpreenda e seja criativo!
Para motivá-los, é interessante pedir algo que possa ser feito usando a tecnologia que tanto os atrai.Também, é importante conscientizá-los que a lição deve ser começada pelo que menos gostamos e cedo. Esperar pelo domingo na hora do Fantástico é uma tortura para toda a família pois encerra o domingo de uma forma deprimente e, muitas vezes, não há tempo suficiente para fazê-la. O aluno precisa fazer a parte que lhe cabe, pois o professor é mero facilitador, o caminho da aprendizagem depende do educando.
Aos pais cabe, perguntar, demonstrar interesse e até auxiliar indicando caminhos. O filho precisa saber que fazer lição de casa, não é uma opção, mas uma obrigação.
Cada um - pais, alunos e professores - precisam estar cientes e cumprir sua missão.
  

sábado, 1 de outubro de 2011

Como atingir a imortalidade

                    Ainda jovem, Beethoven resolveu escrever alguns improvisos sobre músicas de Pergolesi. Dedicou-se durante meses ao trabalho e ,finalmente, teve coragem de divulgá-lo.
                    Um crítico publicou uma página inteira num jornal alemão, atacando com ferocidade a música do compositor.
                     Beethoven, porém, não se abalou com os comentários. Quando seus amigos insistiram para que respondesse ao crítico, ele apenas comentou:


                     "O que preciso fazer é continuar meu trabalho. Se a música  que componho for tão boa como penso, ela irá sobreviver ao jornalista. Se tiver a profundidade que espero que tenha, ela irá sobreviver ao próprio jornal. Então, se este ataque feroz ao que faço for lembrado no futuro, será apenas para ser usado como exemplo da imbecilidades dos críticos."


                      Beethoven estava certíssimo. mais de cem anos depois, a tal crítica foi lembrada num programa de rádio em São Paulo.


                       Ao ler este texto escrito por  Paulo Coelho in AT Revista de 18/09/2011, achei pertinente dedicá-lo a todos aqueles que se sentem desanimados pela crítica alheia. Frente a uma crítica, devemos sim, nos auto analisar e verificar no que podemos melhorar. Então, faz-se necessário mudar ou melhorar o que pode ser melhorado e jamais desanimar. Nunca se deixe abater por críticas infundadas geradas pela falta de preparo, inveja ou frustração de ninguém. Coragem! Desanimar jamais!